Jornalista
A movimentação política em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, entrou em certa saturação. Todo mundo parece na moita, como gatos à espreita da presa, fazendo movimentos ritmados e calculados com os rabos. Os grupos espremeram-se tanto dentro de si que as possibilidades de surpresa se estreitaram.
O único pré-candidato com pedra para mover seria Gerardo Júnior (PT), que desistiu da desistência e volta a ser pré-candidato. Ele segue a orientação do partido, cujo interesse numa candidatura própria é zero, pois já tem os outros grupos no colo do governo petista de Jaques Wagner.
Explica-se: Emerson Leal, que chefia a fantasiada oposição é funcionário do Estado. Carlos Batista, chefe da outra banda, está no PSD, do vice-governador Otto Alencar. Para se contrapor a eles, Gerardo Junior teria de convencer seus chefes que possui força para vencer, assumindo o lugar dos subalternos do governo.
Mas o petista parece não ter a indispensável moeda de troca. Apenas alimenta o sonho cândido de que a natureza dos predadores mude, para simplesmente apoiá-lo como cabeça de chapa. Sua volta à arena eleitoral até animou os que buscam uma terceira via ficha limpa, para varrer os fichas sujas da política local.
No mundo real, Carlos Batista, de mão própria ou não, tem sido mais prático: o candidato do grupo é Ricardo Ribeiro, o Ricardinho, e fim de papo, gostem ou não o eleitorado. Já fixou o nome escolhido e ainda poderá abocanhar o próprio Júnior como vice.
A oposição se perdeu na falta de liderança ou de um nome absoluto, subordinada ao velho conceito do chefe Emerson Leal, de que tudo se resolve nos seis meses anteriores ao pleito. Hoje, isso pode não ser mais uma boa estratégia.
Os dois lados também miram no processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral, onde Carlos Batista luta para anular a decisão do juiz da 101ª Zona Eleitoral que cassou seu mandato de prefeito, por crime eleitoral. O processo finalmente vai ao Tribunal Superior Eleitoral, onde será examinado sem as emoções regionais.
O resultado é imprevisível, mas poderá ferir de morte com a inelegibilidade as pretensões do vice-prefeito, Paulo Cardoso Azevedo. Ironicamente, agora ele é o pré-candidato mais cotado do grupo que pediu sua cassação, por abuso do poder econômico e captação ilícita de sufrágio, na eleição de 2008.
Não é só ironia, é fina promiscuidade política, que afeta os dois lados. Carlão poderá ficar inelegível, mas não é candidato. Assim, o prejuízo maior será da oposição, para onde foi o Dr. Paulo, mudando, inclusive, o foco da escolha da chapa. Não faltará pretendente a vice, vislumbrando futura substituição, se houver a cassação.
Mas, certamente, a família Leal estará atenta a tais astúcias. De qualquer modo, por hipótese, se o atual vice for eleito e vier a ser cassado no atual processo, o mais provável que ocorra é a assunção do segundo colocado em outubro ou a realização de nova eleição.
Tudo isso alimenta o fuxico político. A propósito, conforme dito à boca bem miúda, Carlos Batista poderá não esperar pela cassação. Em tempo: os vereadores do PMDB juram que não se submeterão ao escárnio e preferem ficar de fora da próxima eleição.
As prestações de contas da Prefeitura e Câmara de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, exercício de 2012, estão disponíveis, na sede do Poder Legislativo, para o exame de qualquer cidadão do município, até o próximo dia 31 deste mês, das 7 às 13h.
A disponibilização das contas é uma imposição da Constituição da República e o cidadão que desejar exercer o direito de examiná-las basta se apresentar na Câmara Municipal e fazer a solicitação, no local, devendo levar documento de identidade e título de eleitor.
Na prestação de contas, o chefe do Executivo faz um relato do que realizou no exercício referido, descrevendo detalhadamente onde e como aplicou os recursos públicos. O exame pelo cidadão é fundamental, tanto para se informar quanto para exercer o direito de fiscalização.
Se encontrada alguma irregularidade, a pessoa poderá encaminhar denúncia ao Tribunal de Contas dos Municípios, ao Ministério Público ou à Justiça. Quem desejar fazer um exame mais criterioso deve solicitar ajuda de contador e ou de advogado.

Em assembleia realizada dia 16 último e no programa de entrevista de hoje, na Rádio Portal FM, os professores estaduais de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, confirmaram a disposição de manter o movimento grevista, em defesa do piso salarial e por melhores condições de trabalho.
Procuraram tranquilizar os pais, dizendo que haverá ajustes no calendário escolar, para que nenhum estudante fique prejudicado, ressaltando que, quanto mais rápido o governo abrir o diálogo, dando atenção às reivindicações dos servidores, menor será o sacrifício para todo mundo.
Eles acusam o governo de tratar a Educação com descaso e desrespeitar os estudantes, destacando que a greve está sendo uma boa oportunidade para a população tomar conhecimento das precárias condições do setor.
Informam que não são apenas os professores os prejudicados, mas também os alunos, que são privados de uma educação de qualidade, e toda a sociedade.
A diretora regional da APLB que participou da assembleia foi Dilma Perpétua Alves Pereira e não Dilma Santana, como anteriormente divulgado. Segundo ela, a adesão maciça dos professores de Livramento ao movimento foi uma surpresa muito positiva, “pois eles têm um compromisso muito grande para com a educação no município”.
Frisou que o movimento é uma reação à decisão do governador de não cumprir o acordo firmado, ano passado, para pagamento do piso salarial. Ela atribuiu a resistência de Jaques Wagner à falta de compromisso dele, que mandou pessoas para negociar com a APLB e depois se negou a fazer o pagamento acordado.
Disse que uma reeleição é sempre perigosa, pois, no segundo mandato, o governante, citando o caso de Jaques Wagner, não tem qualquer interesse em honrar compromissos, porque já foi reeleito e não vai ser mais candidato. Para ela, outro exemplo disso foi o massacre à greve dos policiais.
A greve dos professores da rede estadual continua. A assessoria de comunicação da Secretaria de Educação informou que, caso os professores retomem as atividades imediatamente, não haverá suspensão do pagamento do salário do mês de maio.
Mas o 2º Secretário da APLB, Claudemir Nonato, em entrevista ao jornal Correio da Bahia, afirma que “o pagamento do salário é obrigação do governo” e que a greve continua, sinalizando “que aceitamos receber parcelado o reajuste de 22%, mas o governo não oferece nenhuma contraproposta”.
Prefeito Carlos Roberto Batista |
O prefeito Carlos Roberto Souto Batista, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, teria se sentido mal e viajado às pressas para Salvador, na última semana de abril, onde teria sido submetido a nova cirurgia, mas poucas pessoas do município ficaram sabendo.
A notícia não foi oficialmente divulgada, mas consta, fortuitamente, da ata da Câmara de Vereadores, sessão de 27 de abril de 2012, publicada esta semana pelo jornal Tribuna do Sertão, edição de 01 a 15 de maio de 2012, página 23.
Sem fazer referência ao tipo de tratamento feito pelo prefeito, a menção ocorreu durante discussão sobre a aprovação do projeto de lei que autorizava o governo municipal a realizar contratação extraordinária de crédito, a que se pediu tramitação de urgência urgentíssima.
Segundo o vereador Paulo Lessa, da oposição, essa “urgência urgentíssima” teria se dado com desrespeito à Lei Orgânica do Município e ao Regimento Interno da Casa, sendo o projeto de lei aprovado, durante sessão extraordinária, no dia 23 de abril.
Ainda conforme a ata, o vereador teria apontado e criticado que, apesar da pressa, na sessão regular seguinte, dia 27, a nova lei não havia sido promulgado pelo prefeito, como deveria ter ocorrido, com a consequente publicação no Diário oficial.
É ai que surge a notícia da cirurgia a que o alcaide teria se submetido. Conforme a ata, para justificar a não promulgação da lei, pelo chefe do Executivo, “em aparte o vereador José Araújo Santos [da situação] informou que na segunda-feira [23 de abril] o prefeito não se sentiu bem e foi para Salvador onde se internou e sofreu uma cirurgia continuando por lá em repouso”.
Professora Dilma Santana, da APLB |
A professora Dilma Santana, diretora regional da APLB-Sindicato, participará, amanhã (16), a partir das 9h, da assembleia dos professores de Livramento, na Câmara Municipal, para esclarecer sobre o piso salarial da categoria e a qualidade do ensino e da educação na Bahia.
O professor Jerry Lima, que coordena o movimento grevista local, solicita a presença de todos os docentes, inclusive aposentados. Ele lembra que a greve é um sucesso e começa a despertar a sociedade para o debate sobre as péssimas condições do ensino na Bahia e o descaso dos governantes para com os profissionais do setor.
Em assembleia realizada nesta terça-feira (15), em Salvador, a categoria decidiu continuar a greve. Por enquanto, o governo simplesmente ignora o movimento, que já está no 34º dia, e todos os pedidos de audiência com o governador, feito pela APLB-Sindicato, não foram respondidos.
Segundo noticiado pelo site do APLB-Sindicato, o professor Rui Oliveira, coordenador-geral da entidade, ingressou no Supremo Tribunal Federal, último dia 10, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a aprovação, no mês passado, pela AL, dos projetos de lei que instituíram reajustes salariais de 3%, em 2013, e 4%, até 2014, para os professores.
Segundo ele, o governo agregou gratificações trabalhistas na norma para atingir o piso nacional, lembrando que “A lei do piso é clara, para se atingir o valor mínimo de R$1.451,00 não é permitida a inclusão de vantagens, isso é ilegal e inconstitucional”.
Os professores da rede estadual de ensino adotaram as vaias como arma contra o governador Jaques Wagner. Aonde ele vai, pelo interior, a categoria prepara “homenagens”, como já ocorreu em Cícero Dantas, Ubaitaba e Eunápolis. Naquelas cidades, além das vaias, a palavra de ordem foi “traidor".

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Completaram-se ontem (14) 20 anos do falecimento da professora Maria Ferreira da Silva, mais conhecida como Lia, da Escola Polivalente de Livramento de Nossa Senhora, Bahia. Ela morreu, em 14 de maio de 1992, aos 37 anos, vitimada por um infarto fulminante. Era irmã da professora Rosinha Ferreira, que também ensinou na mesma escola.
As duas décadas do seu desaparecimento estão sendo lembradas pela família, principalmente o filho Filberth Teodoro e a nora Cristina Soares. Eles dizem que, apesar do tempo decorrido, o abalo não se desvaneceu entre eles e ainda são vivas as dores da ausência e da saudade.
Os familiares lembram que a morte da professora Lia causou um grande choque, pois se encontrava aparentemente saudável e preparava o aniversário do seu único filho, que completaria 18 anos no dia seguinte. Hoje, acreditam que Deus a está iluminando, onde quer que esteja.
O governador Jaques Wagner, da Bahia, e os 33 deputados que votaram contra o pagamento do piso salarial aos professores estaduais foram duramente criticados por docentes de Livramento de Nossa Senhora, em ato de protesto, realizado neste sábado (12), como parte da greve da categoria, que já dura mais de um mês.
Segundo os coordenadores do movimento, o governador se nega a cumprir a lei que estabeleceu o piso nacional, hoje de R$1.451,00, concedendo apenas, indistintamente, um reajuste geral de 6,5%, para toda a categoria. Assim, teria quebrado acordo de conceder aumento automático de 22,22%, para alcançar o piso estabelecido.
Os docentes denunciaram, também, que o governador propôs e foi aprovado, com votos de 33 deputados, projeto de lei que extingue vantagens históricas da classe, como adicionais por “regência de classe”, “tempo de serviço”, “avanço horizontal”, “incentivo à qualificação”, “aperfeiçoamento profissional” e “atividade complementar”.
Pela lei aprovada na Assembleia Legislativa (Lei nº 19.779/2012), os benefícios foram transformados em subsídios, induzindo a se pensar que os docentes já estariam recebendo o piso nacional. Se assim fosse, o governo estaria usando as próprias vantagens dos servidores, para quitar a obrigação legal, o que contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que já dirimiu questionamento a respeito.
Os manifestantes, que pertencem à base sindical da APLB Rio de Contas/Livramento, também denunciaram as precárias condições de trabalho e distribuíram uma “Carta Aberta a pais, alunos e toda comunidade de Livramento”, denunciando a posição do governo, informando os direitos da categoria e explicando os motivos da paralisação.
O documento destaca que “a paralisação não ocorre somente por questão salarial, mas também por melhores condições de trabalho, segurança para os trabalhadores da educação, melhor qualificação profissional, cumprimento das leis, como a lei federal que estabeleceu o piso salarial, a qual o senhor governador nega-se, autoritariamente, a cumprir”.
Em caminhada pelo centro da cidade, os manifestantes portaram cartazes e faixas e em uma delas pediram esclarecimentos sobre as contas do FUNDEB, provido por recursos federais e criado exatamente para garantir a qualificação dos educadores e a melhoria das suas condições de trabalho, buscando elevar a qualidade da educação no Brasil.
Foi citado que, em 2011, a Bahia teria recebido R$1,66 bilhão desse fundo e aplicado apenas 19%, até agora, e deveriam ter sido pelo menos 25%. Então, indagaram para onde teria ido o restante, discordando do governador que alega falta de recursos para regularizar, perante a lei, os vencimentos dos professores.
Os grevistas fizeram uma concentração na antiga Praça da Feira, exatamente no momento da feira semanal da cidade, e aproveitaram para criticar os 33 deputados estaduais que votaram as leis nº 19.778/2012 (fixa reajuste de 6,5%) e 19.779/2012 (transforma vantagens históricas em subsídios), que consideraram nefastas para a categoria.
Entre os parlamentares, citaram nominalmente os que representam a região: Nelson Leal (PSL), João Bonfim (PDT) e José Raimundo Fontes (PT), conclamando os trabalhadores a se lembraram deles em futuras eleições.
Esclareceram aos alunos, pais e à comunidade que a greve é o último recurso que o trabalhador tem para lutar pelos seus direitos e que toda a responsabilidade é do governador, que se nega a cumprir uma determinação legal e a proporcionar as condições necessárias para a boa educação no Estado.
Acrescentaram que o movimento grevista prosseguirá por tempo indeterminado e que ainda não há plano para eventual reposição de aulas após o fim da greve. Em Salvador, a cúpula do movimento conseguiu que o arcebispo primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, intermediasse a abertura de diálogo com o governador, que já reafirmou sua posição de não atender as reivindicações.


Contestando informações atribuídas à administração municipal sobre o Plano de Carreira da categoria, o SPEL - Sindicado dos Profissionais da Educação do Município de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, distribui ontem (11) a seguinte nota (publicada na íntegra), intitulada “Discriminação na Educação”:
Em respeito à classe dos professores, o SPEL/Sindicato repudia a atual administração municipal no que se refere ao Plano de Carreira dos profissionais de Educação deste município. O engodo do governo em ano de eleições está escancarado. Comparar os vencimentos dos servidores municipais com os vencimentos dos servidores estaduais é mais que uma afronta para nós que fomos e ainda somos tratados com descaso.
O maravilhoso Plano de Carreira aprovado de forma trágica, naquela sessão, no dia 28 de dezembro, na câmara de vereadores, onde comprovamos a submissão do Legislativo (lê-se: vereadores da situação), discrimina cerca de 40 professores, que ingressaram legalmente no município, na década de 90, mediante aprovação em concurso público para auxiliares de ensino.
Por não terem a formação em nível médio, foram enquadrados como professores leigos, tendo seus direito assegurados pela Lei 9424/96 (Lei do Fundef) e pela Lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases – LDB).
I - A remuneração condigna dos professores do ensino fundamental público em efetivo exercício no magistério;
II - o estímulo ao trabalho em sala de aula;
III - a melhoria da qualidade do ensino.
§ 1° Os novos planos de carreira e remuneração do magistério deverão contemplar investimentos na capacitação dos professores leigos, os quais passarão a integrar quadro em extinção, de duração de cinco anos.
§ 2° Aos professores leigos é assegurado prazo de cinco anos para a obtenção da habilitação necessária ao exercício das atividades docentes.
§ 3° “A habilitação a que se refere o parágrafo anterior é condição para ingresso no quadro permanente da carreira conforme os novos planos de carreira e remuneração.”
Segundo a Lei, esses professores integrariam um cargo em extinção e após a sua formação, em nível médio, habilitação mínima exigida para lecionar nas séries iniciais do ensino fundamental, passariam a integrar o quadro permanente da carreira, de acordo os novos Planos de Carreira. O que não aconteceu até o momento, infringindo a Lei vigente e não garantindo a isonomia financeira destes profissionais.
O Governo Municipal vem ignorando as Leis Federais, não fazendo o REENQUADRAMENTO, não pagando o Piso Salarial Nacional, do qual eles têm direito e mais, fazem questão de “enchem a boca” para dizer que ainda são professores leigos, mesmo tendo em mão Diploma registrado no MEC (Ministério da Educação). Qual é a vantagem de uma administração ter em seu quadro efetivo professores leigos, quando todos buscam a formação continuada?
A resposta é a mesma que não precisa de mestres e doutores no quadro efetivo. É isso mesmo, o Plano de Carreira não contempla mestrado nem doutorado. Em sua mensagem de veto, o prefeito argumenta: “o corpo discente não comporta do ponto de vista legal de exigência, profissionais com essa qualificação”.
Resumindo, o governo não valoriza quem buscou a formação, nem estimula quem almeja ampliar seus conhecimentos para contribuir cada vez mais em qualidade para a educação. O governo municipal não está dando nada de bom grado aos professores, reestruturar os planos de carreira é apenas uma das exigências da Lei do Piso, aprovada desde 2008 e só aplicada em 2012.
Cumprir a Lei é obrigação, não é algo extraordinário, digo de receber medalha de honra ao mérito em ano eleitoral. Se precisar ir aos tribunais, iremos! Que a Lei seja cumprida!
A homenagem às mães, pelo transcurso do seu dia, neste domingo (13), foi antecipada para a última sexta-feira (11), pela direção da Escola Municipal Rômulo Galvão, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia. A área de recreação do estabelecimento ficou lotada de mães de alunos, as quais, ao lado das crianças, ouviram orientações sobre o papel das mães na vida dos filhos, do casal e na comunidade, a cargo da psicopedagoga Marusa Lana, de Rio de Contas.
Em seguida, houve sorteio de brindes, patrocinados por comerciantes da cidade, e um lanche de confraternização, marcado pela alegria e muita manifestação de amizade. Presentes, também, diretores, professores e convidados. Foi uma homenagem de fato à altura das mães, muito bem organizada pela equipe da escola, dirigida pelo professor Jenilson Tadeu de Souza.

Professora
O filme O último Ditador, do genial Charles Chaplin, é uma das mais inspiradoras obras cinematográficas de todos os tempos, em que o inapagável Carlitos pronuncia “O último Discurso”. Nele, inspirei-me para escrever a paródia que se segue, infelizmente de fatos reais, envolvendo circunstâncias tristes, burlescas, humilhantes e de vergonhoso cinismo em face do que é mais essencial na vida dos povos e dos indivíduos em particular: a EDUCAÇÃO.
Falo, então, do nosso “Último Recurso”. Sinto muito, mas não pretendo ser governadora. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou maltratar quem quer que seja – professores, policiais, funcionários públicos... Eu sou educadora e gostaria de entender, se possível, os políticos que não cumprem as leis, os insensatos que abusam do poder... os idólatras de ocasiões nefastas.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Ou quase todos nós. Por que haveremos de desprezar e menosprezar os educadores? Neste mundo, há escolas para todos, para os que querem aprender e também para os que não aprendem o que lhes é ensinado. As promessas que não são cumpridas podem prover as necessidades dos que estão no poder.
O caminho da educação pode ser o da liberdade e da certeza de que através dela não nos extraviaremos. A cobiça envenenou a alma do homem... levantou no mundo as muralhas do egoísmo e tem-nos feito marchar a passos lentos para uma greve que paralisa as lições, mas que, ao mesmo tempo, edifica no educador aquilo que o faz diferente – ser o mestre que não se cala diante daqueles que só amedrontam e não o respeitam.
Criaram a política, mas nos sentimos enclausurados diante de pseudopolíticos, que não cumprem as leis. Ensimesmados em seus palácios, arrotam uma sabedoria que não existe dentro deles. A arrogância e insensatez os fizeram empedernidos e cruéis. Seus conhecimentos os afastaram do pouco ou do quase nada que aprenderam nos bancos escolares. Mais do que de governadores insensatos, precisamos de humanidade, mais do que poder precisamos de educadores e escolas de qualidade, sem isso a vida será de violência e tudo será perdido.
A escola, o livro e o caderno aproximam o aluno do educador. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente ao conhecimento do homem, mas nem todos entendem essa lição. Meu texto poderá ser lido por milhares de pessoas, Brasil afora... milhares de estudantes, pais, professores angustiados diante da greve, esse último recurso que nos faz incompreendidos por aqueles que só criticam e mascaram situações.
Somos educadores vítimas de um sistema que minimiza o nosso papel na formação de filhos e filhas desse Brasil varonil. A todos que me leem nesse momento, eu digo: Não vos desespereis! O governo não quer negociar com os educadores porque perdeu a compostura de tudo aquilo que é direito e do que é dever. Dita regras descabidas, exige o que ele nunca ofereceu, mas prometeu e se nega a pagar os 22,22% relativos à implantação do piso salarial, que é direito do educador.
A desgraça que tem caído sobre a educação é produto da cobiça em agonia por parte de dirigentes tão nefastos e impiedosos, da amargura de homens que temem o avanço do ensino e, automaticamente, do progresso humano.
Os políticos camaleões um dia desaparecerão, os ditadores sucumbirão, mas o valor de um verdadeiro mestre, há muito arrebatado da sociedade, há de retornar a ela. E, assim, não deixaremos os nossos direitos morrerem, como morre a esperança depositada em políticos que enganam e que nos fazem acreditar na máxima maior: “Queres conhecer o homem, dê-lhe poder”.
Governador, não escravize os educadores! Esses missionários da educação só querem o que lhes é de direito. Profissionais que respeitam seu ofício, que um dia o ensinaram a ler, escrever e, de certa forma, a se tornar um político que navegou numa cartilha sindicalista e que, hoje, parece não se recordar disso, de quando até mesmo criticava governos que desrespeitavam profissionais da educação.
Memória curta e atroz. Não somos pseudopolíticos. Educadores é que somos! E com amor pela missão que, incansavelmente, cumprimos em salas de aula superlotadas, tanto de alunos que almejam aprender como da parcela enorme dos que passam pelos bancos escolares por mera obrigação ou imposição dos pais, onde cresce o desinteresse e a violência num cenário que outrora foi respeitado e seguro.
Políticos, não trabalhem pela escravidão e perseguição! No 17º capítulo do evangelho de São Lucas, está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem, mas de todos os homens. Só não está dentro de 33 deputados escovas-bota, fiéis a um governador autoritário, que massacra o educador.
Mas está dentro do povo, está em cada profissional que exerce com dignidade seu trabalho, está no professor que, juntamente com seus alunos, criam e recriam aulas, sorriem sorrisos puros e buscam transformar a vida numa aventura maravilhosa, no longo processo ensino-aprendizagem. Seria utopia? Não, é sede insaciável de democracia.
Usemos, então, esse poder e liberdade, para lutar por uma educação de qualidade para nossas crianças e jovens, onde professores sejam valorizados, com salários dignos e tenham seus direitos respeitados. Que possam se aposentar sem que seus justos benefícios sejam violados, as escolas seguras e organizadas, uma educação de qualidade para satisfação tanto de quem ensina quanto dos que necessitam aprender e, enfim, de toda sociedade.
Lutemos por um país que tenha políticos sensatos, humanos e sérios, que aos educadores seja assegurado o ensejo de trabalho digno e de um futuro promissor à mocidade e segurança na velhice. É pelas promessas de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão.
Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. O governo torna-se tirano quando se nega a discutir situações das quais ele não conhece e abusa do poder que exerce, cortando salários, ameaçando, mostrando total descaso para com a educação.
Governador, ouça os professores, que, há mais de vinte dias, tentam negociar a respeito da greve, esse último recurso que lhes restou. Onde estiveres, levanta os olhos! Vês, governador, se analisares bem, tens esse dinheiro para solucionar o problema dos educadores, que estão com as atividades paralisadas por culpa da ganância e prepotência que habitam em tua alma de político incoerente.
Vês, são tantos estudantes prejudicados por causa de míseros 22,22%, diante do tanto que os políticos ganham, mas que para os educadores é o mínimo que “mereceriam”, como piso salarial. Mesmo assim, lhes estão sendo dolorosamente negado. Se não tiveres os recursos, para algo que é vital na sociedade, para que mais terá e para que serve, então, um governador?
Ergue os olhos, governador, desça do pedestal e ouça! A alma do educador ganhou asas e, afinal, começa a voar, para garantir seus direitos, mesmo que isso tenha nome de GREVE. Voar, quando nada, para a esperança de que vale a pena ser EDUCADOR, mesmo quando sentem que tripudiam sobre sua missão de ENSINAR.
Voa para a luz da esperança de que tudo pode mudar, porque nenhum ganho social vem sem LUTA. Ergue os olhos! Saia da pequenez política que o levou a pedir a decretação da ilegalidade do nosso movimento, não leve para a sua história essa mancha. Tente enxergar a grandeza desses profissionais, que ajudam a construir a infinitude da educação. Então, 22,22% JÁ!
O PIB de Livramento cresceu muito nos últimos 20 anos. Algo parecido com o Brasil nos últimos 10. Mas a Presidente Dilma Rousseff não está muito satisfeita, pois ela declarou: "queremos é que o Brasil seja o sexto país em condições de vida". Minha candidata, cujo nome fica a cargo de vocês identificar, tem mais ou menos a idade de Dilma, e, como esta, é mãe e avó. É professora e tem sido uma incansável batalhadora em prol da educação, da cultura, do desenvolvimento social.
Livramento entrou na onda global do crescimento desenfreado, da poluição ambiental, da matança dos rios e lagoas, da destruição da fauna e da flora, da ocupação desordenada do solo, do esgotamento e encolhimento das terras agricultáveis, da especulação imobiliária, das desigualdades sociais, da violência, das drogas, dos problemas crônicos na saúde, na educação e na segurança, do inchaço da máquina administrativa, do isolamento dos novos ricos por muros altos que cercam residências enormes nas quais, sem melhores alternativas para gastar suas súbitas fortunas, ou sem criatividade ou pouquíssima preocupação social, se divertem, isolados, carrões e camionetas na garagem, com churrasco e tudo o que há de mais moderno e extravagante em matéria de eletrônicos, novelas, filmes de 3a. categoria, "ultimate fight" etc.. Tem coisa melhor? Para eles, não, enquanto o "boom" da manga e do comércio em geral continuar produzindo lucros praticamente não taxados e regados a água fornecida de graça pelo DNOCS.
Já nem se fala mais em arroz, coco, alho, cebola e algodão, que, em priscas eras, punham Livramento em destaque na produção agrícola do alto sertão da Bahia. Mas eram, também, os tempos de um Pedro Mandu, com suas invenções e tecnologias intuitivas ou aprendidas empiricamente, carregando acumuladores, beneficiando arroz com seus pilões movidos a roda d'água, planejando e fazendo canais de irrigação por gravidade etc.. E foi lá mesmo, no pé do morro de Pedro Mandu, que o prefeito João Correia inaugurou a primeira usina hidrelétrica de toda a região, bem antes de Correntina e muito antes de Paulo Afonso. O Major Deoclides Alcântara e seu irmão Rochael já haviam formado aqueles exuberantes coqueirais que, em meio às centenárias mangueiras do tempo do Senador Tanajura e aos imensos arrozais, ora verdes, ora dourados, tudo cercado de montanhas por todos os lados, com o "véu de noiva" despencando do portal da Chapada Diamantina no leito de águas cristalinas do Rio Brumado, davam a livramentenses e visitantes a sensação de algo além da simples pujança econômica. A de felicidade. Tomávamos banho e jogávamos bola, pelados, nos bancos de areias alvas e límpidas. As meninas usavam calcinha à guisa de biquine, outras, um camisolão, como maiô. E outras não estavam nem aí, mesmo sabendo que estavam sendo espiadas pela molecada escondida nas moitas ribeirinhas.
De resto, havia o cinema mudo de Pompílio, e, na mesma Praça da Bandeira, o palacete dos Alcântara, de primorosa arquitetura, com seus salões embelezados por lustres e espelhos da Bohêmia, mobiliário vienense, onde o requinte, o refinamento, a elegância, a boa mesa, a polka e a valsa eram de rigor. E pensar que hoje não apareceu um novo rico sequer, ou um político, tampouco, para evitar que aquele patrimônio arquitetônico desmorone de vez.
Depois do cinema mudo, vieram os cinemas modernos de Ino Teixeira e Dominguinhos Tanajura, com seu serviço de alto-falantes na voz inconfundível de J. Neves (que viria a escrever duas gramáticas) tendo "Danúbio Azul" de Johahn Strauss como abertura. Também havia as bibliotecas do Prof. Otaviano de Castro e da Associação dos Amigos de Livramento, duas filarmônicas e dois "jazz-bands" que animavam as festas de toda a região, missa cantada em latim (tendo como expoentes as maviosas vozes de Hildete, Maria Messias e Izabel) acompanhada pela "Filarmônica Dois de Julho" (onde eu e Lindembergue Cardoso começamos sob a batuta de Manoel Conceição de Castro).
Depois de Caetité, Livramento foi a primeira cidade a ter curso secundário, em toda a extensão de Bom Jesus da Lapa até Vitória da Conquista, iniciativa de João Villasboas e Mário do Carmo Tanajura, que também se ocupava da Cooperativa de Crédito e da empresa "Águas de Livramento S.A." criada pelo "gentleman" Dr. Edilson Pontes. Ainda na década de 70 do século passado, José Maria Tanajura doou os terrenos onde foram construídos o "Estádio de Livramento" e o "Ginásio Polivalente". Enfim, eles eram ricos mas eram altruístas, progressistas. A coisa parou aí. Muito enriquecimento, até ilícito, mas progresso social quase nenhum.
Naquele tempo, Livramento já estava na vanguarda do que agora leio no jornal "O Globo", sob o título "Nem tudo é economia, estúpido!", no qual o grande cineasta Cacá Diegues destaca que "a vida é um pouco mais complexa", endossando a tese de um pequeno país asiático, o Butão (alô, Dr. Genebaldo, Butão, capital Punaka, não era assim que a Profa. Rita Villasboas nos ensinava no ginásio?) "acaba de propor à Assembleia Geral da ONU o fim dos dogmas medievais da economia, substituindo o PIB (Produto Interno Bruto) pela FIB (Felicidade Interna Bruta), como critério para a análise do estado das coisas no mundo contemporâneo".
Não vejo outra pessoa tão capaz de conciliar o PIB e a FIB à frente da Prefeitura Municipal de Livramento. Ela nem está sabendo desta indicação. Espero que vocês a identifiquem, a indiquem, a convençam (e aí, ela vai ter que deixar sua reconhecida modéstia de lado e considerar que as mulheres estão mostrando sua capacidade e valor político) e entrem na campanha por sua eleição. Livramento precisa dela como prefeita.
Jornalista
Temos de dar a devida largueza à ascensão de Givanildo Rocha, nosso “Gil”, ao comando do diretório do PMDB de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, devendo sair dos limites estreitos das futricagens políticas. Gil é um servidor público, da área da Educação, professor, líder sindical, que integrou um grupo, do qual, dentre outros também despontam Nairton Rego e Alex Ramos, que introduziram o sindicalismo em Livramento, criando um sindicato da categoria a que pertencem, resgatando, em muito, a dignidade dos professores e demais servidores da Educação.
Em razão disso, foram perseguidos, combatidos e, em certos momentos, humilhados. Do êxito do movimento, surgiu a vontade política de ir mais longe, participando dos debates gerais da comunidade, tendo surgido, inclusive, uma agremiação nova no município, ligado ao movimento, o Partido Trabalhista Cristão, que tem dois professores no comando, Bento Dias e Alex, para o qual deverá convergir a força trabalhadora local, principalmente os profissionais da Educação.
Tudo isso pode significar o nascimento de um novo viés pelo qual a política local terá de ser vista, analisada e vivida. Mas deixemos a análise geral para outro momento e voltemos ao nouveau-peemedebista Givanildo Rocha. Afrodescendente, de origem humilde, professor e sindicalista, qualificações mais que suficientes para alçá-lo à condição de combatente social, mas também aos padecimentos da discriminação.
Alçado ao cargo de dirigente máximo da unidade local do PMDB, que já foi o maior e ainda é um dos maiores partidos do Brasil, ao qual pertence o vice-presidente da República, Michel Temer, coloca-se sob os holofotes. Mas não há dúvida de que tem porte para exercer a função à altura da importância da legenda.
Terá de ser hábil, porém, ao administrar as circunstâncias do acontecimento. Por mais que negue, a menos que esclareça melhor, o partido está sim a serviço de uma candidatura já posta, a de Paulo Azevedo, e o sindicalista aceitou fazer parte de uma operação revanchista da cúpula partidária, de autoria de Lúcio Vieira Lima, dirigida ao alcaide local. Ou seja, um jogo político nada inovador, voltado para manter o status quo dos caciques.
Confio na sinceridade de Gil, mas há que se confrontar suas declarações com a realidade política local. Por exemplo, para aplicar a flexibilidade anunciada e dar sustentabilidade à bandeira do “melhor para Livramento”, terá de liderar o processo. Para tanto, uma de duas coisas há que subsistir: ou o partido será uma espécie de holding do grupo, do qual nega ser um penduricalho, engolindo as outras lideranças, ou dele se dissentirá. Não sendo assim, o líder anunciou mais do que poderá, efetivamente, disponibilizar.
Gestão partidária não está dissociada de gestão de campanha, até mesmo para se unificar a voz da coligação oposicionista, sem dúvida mais forte agora. Impõe-se, assim, que se defina a liderança. Quem, então: Paulo Azevedo, Paulo Lessa, Emerson Leal ou Givanildo Rocha? Se a resposta for “todos”, aí será necessário mais que Sigmund. Serão necessários Carl Jung, Carl Max, Madame Beatriz, Luiz Preto, Gonçalo “Dela” e, quem sabe, Lula!
Gil nos confundiu em dois momentos, dizendo que “Vamos nos adequar ao que é a política do nosso município” e ao afirmar que “temos um projeto montado que é estar hoje na oposição trabalhando em prol de uma Livramento melhor”. No primeiro caso, nos assusta, pois pode significar que vai reforçar o que há de pior entre nós. No segundo, como não dar tempo melhorar Livramento antes da eleição, surpreende, pelo nonsense da ideia de que a legenda será sempre oposição, ganhe quem ganhar a eleição.
Jornalista
Teria sido melhor se o professor Givanildo Rocha, o nosso “Gil”, na entrevista ao “Mural de Notícias”, tivesse dito: “Não tem para onde correr, agora, de um jeito ou de outro, eu pego vocês!”, ao se referir à embaraçosa situação em que se encontram os vereadores Ilídio de Castro, João Louzada e Lafaiete Nunes, deixados à própria sorte em uma jogada política do prefeito Carlos Batista, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, que parece ter saído pela culatra.
Ao deixar o PMDB de Lúcio e Geddel Vieira Lima, dos quais esperou muito e recebeu muito pouco, o prefeito debandou para o PSD do vice-governador Otto Alencar e do paulista Gilberto Kassab. Antes, porém, dividiu sua bancada hegemônica ao meio, tinha seis dos nove vereadores da Casa, fato inédito na história recente do município. Parece clara que sua intenção era, assim como a ameba, dividir-se para se multiplicar, achando que os três vereadores deixados no PMDB lhe garantiria a posse da legenda.
Não contou, todavia, com a astúcia do “Lúcius”, aqui no significado de “tirar de letra qualquer desentendimento”, que não hesitou em entregar a sigla a quem menos se esperava, ao inimigo de outrora, o ex-prefeito Emerson Leal. A situação dos três vereadores e demais filiados, empedernidos seguidores de Carlão, é vexatória, com a agravante de terem criticado demais, falado mal demais da oposição para, agora, nela ter ou não ter que se abrigar.
Não só é certo que em política nada é definitivo como que político não tem vergonha, daí não se esperar que os três edis simplesmente morram abraçados. Não hesitarão em garantir a sobrevivência, ainda que não consigam esquecer a histórica sessão onde desempenharam o papel de algozes dos profissionais da Educação. Mas se a estratégia frustrada era se dividir para se multiplicar, anotem, não terão o menor pudor em se eleger pela oposição, como lhes está a ensinar o professor Givanildo, e logo após retornarem, reeleitos, para a situação, se esta eleger o prefeito.
Gil comanda o PMDB de Livramento |
Gil não é o que se poderia chamar de “matreiro”, mas podemos afirmar com elevado grau de certeza que a cada palavra que ditou para o site, vinha-lhe à memória a humilhação porque passou, na Câmara de Vereadores, naquela tarde inesquecível de 23 de dezembro de 2011. Nela, os seis vereadores da situação, inclusive os citadas, votaram sistematicamente contra as emendas ao plano de carreira dos servidores da educação municipal, pelo qual o sindicato da categoria, do qual é presidente, tanto lutou e esperou.
Temos de escolher uma de duas das prováveis intenções de Gil: ou quis iniciar sutilmente o esculacho, já que esperou e não foi procurado, ou teria sido ingênuo. Esta última não caberia no seu estilo e muito menos na sua inteligência. Então, seja como for, os três vereadores não têm opção: ou sai do partido e ficam inelegíveis este ano ou engolem o elefante e tentam garantir os cargos. Neste último caso, não podemos afastar a possibilidade de estarem mal intencionados: eleger-se agora e sair depois.
Se assim vier a ser, terão uma campanha tormentosa, pois, além de perderem o apoio e poder do grupo governante, ainda teriam de contar com a má vontade do grupo para onde irão. Ninguém lá, com certeza, fará a menor força para que se elejam. Já imaginou como seria complexo para Ilídio, João Louzada e Lafaiete mendigar votos na arena que sempre hostilizou? Teriam, ainda, de ser muito otimistas para acreditar na fidelidade dos que ficaram do outro lado. Difícil tirar conclusões, mas deixemos que Sigmund e Gil expliquem!

Em dois confrontos cheios de emoções, segundo testemunho dos representantes da Liga Desportiva Livramentense, a equipe do Piçarrão bateu o time da Várzea D’Água, no jogo de ida (4 x 0) e de volta (5 x 3) e é a campeã do Torneio de Futebol da Zona Rural de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, encerrado no último dia 29 de abril.
Os atletas destaques do torneio, realizado no Estádio Dr. Edilson Pontes, segundo a Liga Desportiva, foram André Pessoa, do Nado (melhor goleiro); Reinaldo Souza, da equipe do Piçarrão (atleta destaque); Carlos Vinicius de Melo, do Piçarrão (artilheiro); e Josimar Oliveira Silva, da Várzea D’Água (atleta revelação).
A arbitragem também foi avaliada pela Liga, que elegeu Carlos André Ramos, o árbitro revelação; Gildo Nascimento, o melhor árbitro; e Marivaldo Oliveira e Lourivaldo Dantas, os melhores auxiliares. Outro ponto alto da festa de encerramento do campeonato foi a torcida, que lotou o estádio nas partidas finais.
A seca já se instalou nos sertões do estado da Bahia produzindo os seus efeitos negativos e nefastos sobre a economia dos agricultores. Não é uma seca inusitada, mas prevista de longas datas pelos estudos do Instituto de Atividades Espaciais-(IAE) de São José dos Campos. Esta previsão foi chamada de “Prognóstico do Tempo a Longo Prazo” Baseia-se em interpolações e pesquisas cuidadosas fundamentadas no histórico pluviométrico da região nordeste.
A cada 26 anos ocorre uma grande seca, como aconteceu a de 1979/84 quando o DNOCS e outros órgãos dos estados nordestinos receberam antecipadamente relatórios sigilosos analisando e alertando para o que iria ocorrer. Não é um modelo matemático na acepção do termo, mas um “Método Estatístico de Correlação,” estudo que passou a merecer toda a credibilidade dos técnicos e dos poderes administrativos.
Fizemos, pessoalmente e por curiosidade, uma regressão com o perfil senoidal das secas acontecidas desde a chegada de Tomé de Sousa ao Brasil. A coincidência foi magistral, a cada 26 anos a senóide entra no seu ramo descendente apontando exatamente as secas ocorridas na região em séculos passados. Exemplificamos só algumas: 1582/84-1777/80-1877/80 -1930/33 1957/59 e por aí vai a ciclometria das secas.
Não é uma equação, é um modelo que pode sofre alterações nas datas presumidas das secas para mais ou para menos devido à complexidade da trama atmosférica que foge aos domínios de técnicos, meteorologistas e cientistas. Esta seca instalada agora, sobretudo no estado da Bahia, promete durar todo o ano de 2012 e também por todo o ano de 2013. Neste estudo procuramos mostrar o sistema ondulatório dos períodos de chuvas escassas indicando a projeção das estiagens que afligem a região.
Analisemos agora o Semi-Árido baiano. O Semi-Árido dos quatro estados Ceará, Paraíba, R. G. do Norte e Pernambuco somam uma área total de 327.000 km² e o da Bahia sozinho tem área de 320.000 km², praticamente igual. Desde o final do século XIX aqueles estados começaram a luta pela geração de água construindo açudes de maneira obstinada.
A seca de 1877/80 foi tirana ceifando 500.000 vidas, 10% da população nordestina que era na época de 5.000.000 de habitantes. Uma grande calamidade. Morriam de fome, sede, tifo, bexiga e outras endemias. Uma grande tragédia registrada na história do Nordeste e jamais esquecida.
Juntar água foi, então, o grande objetivo de todos os nordestinos uma vez que estes reservatórios se tornaram essenciais para melhorar os terríveis efeitos da seca. O açude é um núcleo de vida, de atividade social e econômica, sobretudo nos períodos calamitosos de secas.
A nucleação em torno da açudagem foi de tal importância que os nossos técnicos se tornaram os maiores barrageiros do mundo e ao logo do século XX construíram a maior rede de açudes do planeta Terra, mais de 70.000 açudes armazenando 40 bilhões de m³ de água, volume igual a 16 baias da Guanabara. O sertão virou mar.
O Semi-Árido baiano, entretanto, ao longo do século XX, ficou totalmente esquecido pelos governantes apesar da sua mais baixa pluviosidade. Não participou da epopeia nordestina gerando e acumulando água para os períodos inditosos. Não tivemos um programa específico e determinado de construir uma estrutura hídrica.
O Estado já tinha tudo, “Cacau, Petróleo e Paulo Afonso, as riquezas da Bahia”, um jingle eleitoral. O cacau declinou, o petróleo, o maior produtor em terra, é, hoje, o R.G. do Norte e Paulo Afonso é de todo o Nordeste. Construímos, tão somente, cerca de 150 açudes de pequeno e médio porte armazenando 1 bilhão de m³.
Toda nossa água armazenada cabe num único açude do Ceará, o Araras que acumula 1 bilhão de m³. Em 1882, há 130 anos passados, o Rio G. do Norte já tinha açude acumulando 600.000 m³ de água. Em 1934 o Ceará já armazenava 1 bilhão de m³ o que hoje acumula a Bahia. O nosso Semi-Árido possui uma excelente rede filamentar de rios e riachos intermitentes podendo construir um portentoso programa de açudagem, mas nada foi feito.
Vejamos mais, o rio São Francisco banha 850 km no Estado pela margem esquerda, de Carinhanha a Casa Nova e 1300 km pela direita, de Malhada a Paulo Afonso. São mais de 2.000 km lindeiros, mas não possuímos uma só adutora adentrando-se pelos nossos sertões. O estado de Sergipe, com 250 km de rio, tem 5 adutoras levando água aos seus municípios.
O Semi-Árido baiano se constitui, portanto, na maior solidão hidro geográfica do Brasil. Não estamos preparados para enfrentar a grande seca de 2012/13. Os nossos administradores foram sempre absenteístas em relação a esta grande hinterlândia baiana. São 269 municípios, 57% da área do Estado carentes de estrutura hídrica.
O programa de cisternas é excelente para as famílias sertanejas, já é um avanço, mas é água domestica, mitiga a sede, mas não gera economia. Temos, portanto, um Semi-Árido pobre, mas prenhe de riquezas naturais. A caatinga com suas 922 espécies botânicas é um bioma único no mundo. Por ser pouco explorada, esta grande área mantém ainda uma rica vegetação xerófila, verdadeiro baluarte contra a desertificação devido a sua intensa inflorescência para a perpetuação das espécies.
Esta rica fitogeografia é um paraíso, o melhor do mundo para o desenvolvimento de um vigoroso programa de apicultura orgânica. O Semi-Árido baiano, este grande sertão dilatado, pode produzir cerca de 120.000 toneladas de mel por ano, três vezes o que todo o Brasil produz.
A faveleira, euforbiácea leguminosa, nativa dos nossos sertões, é, ainda, um diamante bruto da caatinga á espera de lapidação. Ela, sozinha, redimirá o Semi-Árido baiano com a produção de um finíssimo óleo de mesa que substituirá, com vantagens, o óleo de oliva, além da sua excelência como forrageira para caprinos, riquíssima em proteínas. Existem muitas outras riquezas naturais, mas permanecem inexploradas na estática do nada.
Estas potencialidades naturais da região não fazem, entretanto, nenhum progresso sem que haja o empenho da sociedade e dos poderes constituídos. O Semi-Árido setentrional está anos-luz á frente do baiano, preparado para a grande seca e nós aqui no estado da Bahia ainda estamos de calças curtas.
(Texto repassado por Roberto Amaral Modesto, via e-mail)
(Lagoa Real-BA)
A escassez de água no Semi-árido baiano será o maior problema a ser enfrentado pelos sertanejos no médio e longo prazo, tendo em vista a crescente redução das chuvas nesta região, o que já resulta numa significativa redução do potencial hídrico dos rios e bacias hidrográficas. E isso já começa a deixar boa parte dos sistemas de abastecimento das cidades da região à beira do colapso. E pelo que me parece as autoridades não ainda deram conta da gravidade do problema atual e muito menos ao que está se desenhando para um futuro breve.
Há grandes riscos de importantes cidades e comunidades rurais ficarem totalmente sem água por períodos indeterminados, para isto basta que no próximo período de chuvas estas não sejam suficientes para recompor os açudes, como aconteceu este ano com a maioria dos reservatórios. O que não está descartado. A minha preocupação é que este problema não se resolve da noite para o dia, isto demanda planejamento, tempo e muito dinheiro.
No caso da Serra Geral onde conheço de perto a situação. Em minha opinião no que tange a infraestrutura, este é o problema central e crucial a ser enfrentado pelos poderes públicos especialmente por Estado e União. Já que tudo indica que se esta questão na for enfrentada com determinação compromisso e urgência brevemente esta região enfrentara uma crise de abastecimento hídrico sem precedente o que comprometerá toda a sua atividade econômica.
Por isso os governos precisam estar atentos a estas questões, por que os investimentos precisam ser potencializados com urgência nesta área, mas com os devidos cuidados para que barragens não sejam edificadas em qualquer lugar, fabricando assim os chamados elefantes brancos como o caso da Barragem do Rio do Paulo em Livramento e Barragem da Torta em Igaporã.
No meu ponto de vista alem do Rio São Francisco, os que ainda dispõem de potencial hídrico para suprir em parte as futuras demandas do consumo animal e humano no semi- árido e agreste baiano, são apenas os rios provenientes da Chapada Diamantina principalmente os da Bacia do Rio das Contas e Rio Paraguaçu e alguns da Bacia do Paramirim (com menor potencial).
A Serra Geral e o Sudoeste Baiano alem da Adutora do Algodão demandará de um Reservatório de maior porte já que os que existem pequenos e médios, (Rio de Contas, Truvisco, Ceraima, Zabumbão), já não suportam mais as demandas atuais e aqueles menores destinados a abastecerem as pequenas cidades a maioria já secou.
Na Bacia do Rio das Contas os locais onde poderá haver viabilidade de se construir um reservatório deste porte é no Rio da Água Suja na região de Catolés e no Rio das Contas, no trecho que vai de Cristalândia a Jussiape (Ilha João Vaz) para que em caso de haver um ano de maior precipitação, possa aproveitar toda a sua volumosa descarga visto que neste deságuam inúmeros afluentes provenientes da Chapada.
Mas, alem destes locais citados, também deve se buscar o barramento das águas de outros rios menores, construindo pequenas barragens no alto de seus desaguadouros como é o caso do Rio Sincorá e do Rio Tinguí no Distrito de Itanajé, município de Livramento, o qual já foi projetado pelo DNOSC na década de 80) visando o aproveitar as águas que são provenientes da Serra das Almas, o que lhe confere um considerável potencial de descarga, o que permitirá abastecer confortavelmente a população rural e urbana dos distritos de Itanajé, São Timóteo e Iguatemi dando suporte à barragem Luiz Vieira que já entrando em colapso.
Na bacia do Paramirim temos os rios da Caixa, do Pires e Ubirajara com considerável potencial de descarga, por isto deve se buscar o barramento de suas águas, como forma de dar suporte ao reservatório Zabumbão no atendimento á população desta bacia, já que estes são os mananciais economicamente mais viáveis a que estas dispõem.
No Rio Paraguaçu o objetivo de se construir um grande reservatório, é garantir suporte hídrico à população que vive ao leste da chapada e também à do Baixio de Irecê, já que a que esta vem sofrendo coma falta de água potável.
Noutros desaguadouros como a Serra Geral pode se encontrar rios e riachos que em determinados pontos possa apresentar alguma viabilidade para construção de pequenas barragens, mas é preciso muita cautela pra não fabricar os tais elefantes brancos. Também como forma de dar um maior suporte os sistemas de abastecimento, é necessário e urgente que o estado substitua por adutoras, os cursos d’água que transcorre pelo leito dos rios, (as chamadas vazões ecológicas) Seja destinado a irrigação ou o abastecimento humano e animal, como o caso do Rio do Antonio.
Esta é a razão da necessidade de viabilizar o mais rápido possível a construção da Adutora Truvisco - Malhada de Pedra, a fim de potencializar e expandir os sistemas de abastecimento existentes provenientes deste manancial, evitando assim enorme desperdício por evaporação e infiltração e irrigação ao longo de seu percurso. Vale ressaltar que este reservatório vem apresentando baixo potencial hídrico.
As cisternas são uma boa alternativa, porem paliativa, por esta razão, onde houver possibilidade de abastecimento total e definitivo deve-se priorizá-lo. As cisternas deve se priorizar a sua implantação nas comunidades mais isoladas onde por enquanto não houver possibilidade de levar água encanada. As águas do lençol freático tem sido uma alternativa, mas dado o excesso de exploração destes mananciais certamente não perdurarão por muito tempo. Por isto precisa ser explorado com cautela.
Também quero ressaltar aqui, a necessidade de se implantar urgentemente a Adutora de Iguatemi, município de Livramento, Visto que a sede deste distrito é um considerável aglomerado urbano, alem das comunidades rurais do seu entorno que somam juntos mais de 6000 pessoas as quais são abastecidas por carros pipas.
Como este projeto visa captar água da barragem de Rio de Contas, o qual vem apresentando déficit hídrico para o abastecimento dos projetos de irrigação de Livramento e Dom Basílio, mas o abastecimento humano é prioridade e Iguatemi não dispõe de alternativa.
O que o estado precisa entender e decretar, é que de hoje em diante não se pode pensar em irrigação em escala utilizando água proveniente dos rios da chapada esta água tem que ser destinada ao abastecimento humano e animal, senão no futuro pagaremos um preço muito alto, ou melhor, não teremos como pagá-lo. O divino líquido da Chapada é uma riqueza que deve ser destinada a saciar a sede do sertanejo e de se criatório.
Os professores da rede estadual de Ensino estão dispostos a manter a greve, mesmo depois que o governador Jaques Wagner ordenou a suspensão do pagamento dos salários. O chefe do Executivo baseou-se no fato do movimento ter sido considerado ilegal pela Justiça, mas para os docentes a maior ilegalidade é o modo desrespeitoso com que são tratados pelo Estado.
Para enfrentar a paralisação, o governo divulga matéria paga na mídia, dizendo das vantagens dadas, mas que, para os professores, são, na verdade, conquistas históricas da categoria e não substituem a necessidade da correção salarial pleiteada, de 22,22%. Na publicidade oficial, Jaques Wagner cita como uma das vantagens o pagamento do piso salarial, a que é obrigado por lei federal.
Também divulgou as médias de salário que, segundo os grevistas, não refletem o que a maioria dos docentes, de fato, recebe. O último concurso, por exemplo, realizado pelo Estado, oferecia ao professor salário mensal de R$800,00.
Os docentes da base sindical de Livramento de Nossa Senhora e Rio de Contas, reunidos, último dia 25, decidiram apoiar a continuidade do movimento. A Delegacia Sindical de Rio de Contas - Sede Livramento informa que “O Governo Jaques Wagner enviou à Assembleia Legislativa e conseguiu aprovar um projeto de lei nefasto para os professores de nível médio, com jornada de até 40 horas”.
Acrescenta que “conquistas históricas conseguidas a custa de muita luta, como regência de classe, adicional por tempo de serviço, avanço horizontal, incentivo à qualificação e aperfeiçoamento profissional e atividade complementar serão extintas da remuneração e transformadas em subsídio, cujo valor total será R$ 1.659,70”.
Critica o fato do governo, para piorar, “ao invés de simplesmente aplicar os 22,22% acordados sobre o salário base, a partir de janeiro, que resultaria num salário base de R$ 1.451,00, fez outra opção, fora do acordo, que prejudicará milhares de professores primários, de licenciatura curta e não licenciados, ativos e aposentados”.
Para a entidade dos docentes, “o governo diz que pagará acima do piso, mas, na verdade, os professores não terão nenhum reajuste, perderão vantagens e dinheiro e terão a carreira arruinada, penalizando, principalmente, os mais de 32 mil professores que têm licenciatura plena, especialização, mestrado e doutorado”.
Segundo a Delegacia Sindical de Rio de Contas - Sede Livramento, a aprovação das Leis 19.778/2012 e 19.779/2012, pela Assembleia Legislativa, com os votos, inclusive, de deputados da região, como Nelson Leal (PSL), João Bonfim (PDT), José Raimundo Fontes (PT), serviu para reforçar a decisão de manter a paralisação, mesmo com as ameaças de corte de ponto e as pressões exercidas pela Direc 19 e diretores das unidades escolares, que tentam minar o movimento, sob a ordem das autoridades educacionais do Estado.
A decisão, agora, é manter a greve por tempo indeterminado. A Delegacia Sindical informa aos pais, alunos e à comunidade que o movimento é o recurso extremo na luta por melhores condições de trabalho e valorização profissional. Pede e agradece a compreensão de todos pela solidariedade recebida, lembrando que estará sempre informando, pela mídia local, sobre os rumos da paralisação.
Professor
silva-josemar@bol.com.br
A democracia é um sistema no qual as pessoas têm o direito de se expressar livremente e de ser cobrada dentro de um processo formal, direto, justo, sempre obedecendo às leis pré- estabelecidas na sua constituição.
O Brasil, de acordo com os últimos levantamentos econômicos divulgados pelos meios de comunicações, vivencia momento financeiro deslumbrante em relação a outras nações, pois chegamos ao posto de sexta maior economia mundial.
Essa colocação, porém, poderia ser melhor se não fosse a corrupção instalada há séculos e que teve sempre como base de sustentação a não formação educacional de qualidade da maioria da sua população.
A Bahia, por exemplo, tem um governador que saiu das bases do sistema sindical, o Sr. Jacques Vagner. E, para aqueles que o consideram fruto de uma traição das esquerdas com a classe operaria, seria o “Vagnininho Malvadeza”.
Nós, professores da rede estadual de educação, estamos em greve desde 11 de abril, por diversos motivos, tais como:
. Não comprimento do acordo para elevação do piso salarial nacional em 22,22% para toda a categoria.
. Melhores condições de trabalho. Atualmente, por exemplo, temos escolas passando por reformas em pleno funcionamento, prestes a acontecer um acidente grave com alunos e funcionários.
. Reposição imediata do quadro dos professores efetivos, através de concurso público. A maioria do quadro, hoje, é de pessoas indicadas por políticos, ou terceirizados, chegando a mais de 60% dos profissionais de carreira.
. Climatização das salas de aula e redução do número de alunos por turma. Em várias escolas, a superlotação tornou-se permanente.
Há vários outros motivos para a baixa qualidade do ensino público brasileiro e, como educador, penso que não serão resolvidos tão cedo.
Só o seriam se os filhos dos políticos e grandes empresários estudassem em escolas públicas, hoje ocupadas por quem precisa muito delas e não tem meios de cobrar e exigir os seus direitos de cidadão.
Na grande maioria, não tem formação adequada para o exercício da cidadania ou se vendem aos gestores exploradores em troca de migalhas, incluindo favores pessoais.
E o que dizer para os meus alunos? Acordam brasileiros! Não podemos ser engolidos por falsas promessas, as ações de fato não tem acontecido. Nosso movimento, no primeiro momento, como aconteceu com o dos policiais e pessoal da saúde, pode ter sido ilegal para o PT, que hoje governa o Estado. Esse partido virou uma catapora e será aniquilado nas urnas pelas pessoas de bem do Brasil.
Qualquer outro partido político poderia errar, mas eles não, pois chegou ao poder dizendo que era o melhor e o mais verdadeiro dos homens dessa nação.
Sendo assim, faço aqui algumas perguntas para que seus seguidores e governantes de plantão, em especial a essa esquerda farsista instalada nos últimos oito anos, possam responder:
- Até quando a bolsa família e o vale gás vão continuar sendo o peixe e não a isca?
- Até quando as cotas raciais vão substituir a qualidade e a entrada por mérito do estudante da classe baixa no ensino superior gratuito?
- Até quando a escola pública e todos os seus funcionários vão ser tratados com descaso e humilhação?
- Até quando a corrupção será a ética das lideranças políticas no Brasil?
- Até quando o futuro promissor dos jovens será apenas promessa de campanhas eleitorais?
Até lá, valeu! Aguardo as respostas. Fui!
Jornalista

Pelo visto, o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, foi a Livramento de Nossa Senhora (BA) sem qualquer agenda, no último dia 20. Tudo indica que apenas ampliou contatos políticos iniciados em Rio de Contas, onde teria firmado compromisso de implantar uma cultura experimental de uvas, voltada para produção de vinhos.
Concretamente, nada levou de relevante para Livramento, nem assumiu compromissos, apenas ouviu pedidos que se repetem em véspera de eleições. Mesmo assim, recebeu bajulações, comeu e bebeu à vontade, tendo tratamento digno de chefes de Estado. Deve ter retornado a Salvador dando gargalhadas.
As lideranças do município pareciam em campanha eleitoral, bancando papagaios de piratas nas fotos e submissas a um obscuro servidor do governo estadual. Isso demonstra que nada mudou no sertão, nem entre as lideranças, costumeiramente curvadas para o poder central, nem os eleitores, sempre prontos a aplaudir.
E tudo corre, festivamente, à margem dos graves problemas que o município enfrenta. O convênio com a Apromol, para o combate à mosca da fruta, de R$450 mil, parece não ter sido assinado. O secretário apenas informou que o governador está sensibilizado com o drama da seca na região, mas não acenou com providências a serem tomadas pelo Estado, prometendo apenas “fazer o possível”.
Como convém ao momento eleitoral, Eduardo Salles encontrou-se separadamente com os dois chefes políticos locais. Com o prefeito Carlos Batista, visitou e ouviu produtores de mangas. Com o ex-prefeito Emerson Leal, reuniu-se em um jantar, dominado pela presença de interessados nas próximas eleições, incluindo pré-candidatos a prefeito e vereadores. Foi uma reunião política.
O presidente da Associação dos Irrigantes (ADIB), Rosivaldo Romão, repetiu sua preocupação ante a crise dos recursos hídricos, relembrando medidas que, há anos, tenta viabilizar. Entre os ouvintes, estava o deputado federal Edson Pimenta, aquele que não cumpriu a promessa, feita em 2011, de ceder para o projeto parte das verbas de suas emendas ao orçamento da União.
O prefeito Carlos Batista também reforçou solicitações já feitas, como a inclusão de Livramento nos programas emergenciais destinados aos municípios afetados pela estiagem. Porém, pelos apoios que diz ter, como os de Edson Pimenta e do secretário da Agricultura, receia-se que vá morrer à míngua. Tudo não passa de arroubos eleitoreiros, mas não custa continuar cobrando.
Professor (*)
O professor é um dos poucos profissionais que atendem a mais de um cliente por vez. Mesmo assim, percebe um pequeno salário pelo serviço. Um médico atende um de cada vez, por muito dinheiro, com a intenção de salvar vidas ou para orientar como cuidar de suas dores. Muitas vezes, não resolve o problema do cliente. Alguns, por falta de preparo, fazem o serviço errado, aleijam e até matam seu cliente.
O professor é diferente, orienta seus alunos a se defender das doenças, com as aulas de Ciências e Biologia; ensinam a ler e a escrever, com as aulas de Língua Portuguesa; a somar, subtrair, multiplicar e dividir, durante as aulas de Matemática; desde a tenra idade. Qual o valor que é dado a eles?
Todos os profissionais passaram e passarão por ele. Muitos arriscam a vida, sem saber quais serão as reações de seus alunos, quando tentam repreendê-los,por eventual desvio de conduta. Em algumas escolas, docentes tem sido espancados e até mortos no exercício da profissão.
O professor é um profissional polivalente, muitas vezes, é obrigado a exercer a função de pai/mãe, médico, investigador, policial, psicólogo, conselheiro e outras. Quanto recebe por cada função? Nada, apenas seu salário no final do mês.
E ainda tem pessoas que xingam os mestres de vagabundos, quando estão lutando por seus direitos. E dizem que os alunos serão os únicos prejudicados. Não sabem que os únicos prejudicados são os professores, que fazem diversos cursos e, muitas vezes, não são reconhecidos pelo esforço.
Muitos pais, não sabendo como educar seus filhos, passam a bola para a escola. A função duma instituição de ensino é preparar o estudante de forma intelectual e a educação humana deverá vir do lar materno.
Os professores da rede estadual estão em greve. Eles cobram do governo reajuste linear de 22,22%. O índice é o mesmo que foi proposto pelo governo para igualar os salários dos professores da rede que não têm curso superior — 5,2 mil dos 37,8 mil professores do Estado — ao piso nacional da categoria, de R$1.451,00.
No último aumento dado pelo governo baiano, o reajuste, que abrangeu todo o funcionalismo, em 2012, foi de 6,5%. O piso para os professores com curso superior foi para R$ 1.586,00.
Para ser professor, é preciso estudar mais de 16 anos, sem repetir ano, para ter a oportunidade de participar de concurso. Há estudantes que, quando ouvem falar sobre o salário de um docente, eles riem e dizem que na roça ganham muito mais, sem precisar estudar muito.
O salário mensal de um professor não dar para pagar um pedreiro que necessite contratar, o qual, muitas vezes, sabe apenas escrever o próprio nome e ganha cerca de R$80,00 por dia. Em apenas 20 dias, receberá R$1.600,00, bem mais que um professor de nível superior ganha em um mês.
É justo um professor ser tão mal pago? Estudar tanto, passar por angustias, fobias e não ser reconhecido e respeitado?
Na maioria das escolas, as salas de aula ficam superlotadas, barulho dentro e fora da escola é infernal, além do desrespeito dos alunos, agressões diversas, acúmulo de turmas em vários colégios, excesso de pressão dos gestores, que, por outro lado, recebem pressão das diretorias regionais de Educação, que são comandadas por políticos.
Tudo isto pode causar bem mais do que frustração e desânimo ao receber o contracheque no final do mês. A falta de infraestrutura e de condições de trabalho é considerada uma das principais causas de doenças que afetam o magistério. São males que atingem o corpo e a mente e retiram, a cada ano, milhares de profissionais das escolas.
As pressões do dia-a-dia resultam em vários sintomas, como depressão, esgotamento físico e mental e desânimo, que são indícios da chamada síndrome de burnout, que se caracteriza por um desgaste que afeta o interesse e a motivação em trabalhar. Crises de choro, de medo e pânico podem ser sinais de que o profissional sofre assédio moral.
Temos um plano de saúde que limitou as consultas e exames e que só credencia médicos de cidades grandes. Muitas vezes, para fazer uma consulta médica, professores e outros funcionários precisam se deslocar mais de 100 km, depois de 30 dias de espera, mesmo assim, quando acha vaga.
O que fazer? A quem reclamar? Será que devemos cruzar os braços e esperar apenas a salvação de Deus? É hora de refletir e agir. (Fontes de consulta: Folha Dirigida - 26/03/09 e http://noticias.r7.com).
Agindo pior que seus antecessores e contrariando sua história de sindicalista combativo, o governador Jaques Wagner (PT) foi à Justiça tentar conter a paralisação dos professores e conseguiu que a greve fosse declarada ilegal. Mas o sindicato dos docentes (APLB) recorreu da decisão e mantém o movimento paredista, no qual a principal reivindicação é justamente o cumprimento, pelo governador, de acordo salarial e respeito à lei que criou piso nacional, hoje de R$1.451,00, ainda não obedecido pelo Estado da Bahia.
As autoridades governamentais dizem que não há recursos para atender aos docentes. Se fosse no setor privado, seria caso de requerimento de falência. Mas essa circunstância não foi invocada, quando o governador, por exemplo, ajudou a fechar as contas de 2011 da Assembleia Legislativa, um saco sem fundo onde os recursos públicos são gasto sem critério e até desviados, como na denúncia da Polícia Federal, ao investigar parlamentar que tem 22 assessores em seu gabinete e é acusado de sacar os salários a eles creditados.
Ontem (17) a coordenação do movimento grevista, em Livramento de Nossa Senhora, divulgou a seguinte nota, assinada pela Delegacia Sindical Rio de Contas – Sede Livramento:
Em assembleia realizada dia 11.04.2012, em Salvador, professores da rede estadual de ensino da Bahia decretaram greve por tempo indeterminado no Estado. A categoria afirma que o governo não cumpriu o reajuste de 22,22% no piso nacional, ferindo acordo firmado entre representantes governamentais e sindicais, na mesa setorial de negociações, estabelecendo que “o reajuste salarial do magistério da rede estadual do ensino fundamental e médio será o mesmo do piso salarial profissional nacional, nos anos de 2012, 2013 e 2014, a partir de janeiro de cada ano, incidindo sobre todas as tabelas vigentes.”
A Delegacia Sindical Rio de Contas – Sede Livramento realizou assembleia geral em 12.04.2012 e todos os presentes votaram em favor da greve, seguindo a decisão da APLB-Bahia. Destacaram que o principal motivo da greve é o não cumprimento por parte do governo em pagar o Piso Salarial Nacional a todos os 37.794 professores da rede estadual, obedecendo aos interníveis, pois a forma assumida por ele divide a categoria, onde apenas 5.210 professores de nível médio (em extinção) seriam contemplados, passando por cima de conquistas históricas no Plano de Carreira do Magistério.
Em nova assembleia realizada hoje (terça-feira, 17.04.2012), os professores da área de abrangência da Delegacia Sindical Rio de Contas – Sede Livramento confirmaram que a greve continua e que, além Piso Nacional, outros pontos devem ser levados em consideração, já que fazem parte do processo de lutas da categoria: redução e extinção ilegais de gratificações, promovida pelo governo; não pagamento da URV; falta de concurso público e contratação de professores aprovados; falta de reavaliação e cumprimento do plano de carreira do magistério estadual.
Os profissionais desta base sindical informam aos pais, alunos e a comunidade, em geral, que aderiram ao movimento grevista, pois entendem que somente mobilizados e organizados os trabalhadores em educação poderão construir uma escola pública gratuita e de qualidade para todos e em todos os níveis e modalidades de ensino e que a deflagração de greve é o último recurso usado para obtenção de melhores condições de trabalho. Nesta oportunidade, agradecem a compreensão e solidariedade de todos, lembrando que serão informados, através da imprensa local, sobre os rumos da greve.
Jornalista
Tudo é previsível no movimento político de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, em razão da limitação dos atores, que limita também as possibilidades de articulação. O arco de ação é restrito e tudo gira como um pião, até com certa velocidade, mas sempre parando no mesmo lugar. Não poderia ser diferente em comunidade tão pequena e não se traduz nas vantagens esperadas, como a qualidade dos debates e a defesa do interesse público.
Avanços e recuos, longe de proporcionarem evolução, suscitando melhorias para a coletividade, são como dança de gazelas, em que acabam caindo no colo uns dos outros. E fazem isso sem cerimônia, quase sempre convencendo outros mortais que se trata, não de esperteza e sim de inteligência política. É tão chocante que o traidor de ontem descompõe o que hoje lhe trai sem o menor pudor.
Quem imaginaria que o vociferante PMDB estaria, agora, no colo do carlista empedernido, como costumava ser rotulado o ex-prefeito Emerson Leal? E há sempre uma possibilidade de malícia nesse processo. A mais teatral delas é o consagrado nome de Emerson Leal, assim como seu patrimônio político, estarem sendo usados contra ele próprio. Nesse caso, o PMDB estaria esquentando outros colos.
Isso pode ser deduzido considerando-se que, se eleito pelas alianças que diz reunir, o Dr. Paulo Azevedo terá consolidado liderança própria e devolverá tudo que sofreu nas unhas do chefe, cuja carreira política tende a sepultar. Como não formou lideranças e até desprezou as que surgiram no seu grupo, Emerson Leal corre riscos, ainda que esteja apenas de olho nos votos para o filho deputado.
Não será surpresa se vier a se saber que até pupilos seus atuam neste projeto, comendo o queijo escondido. Após a traição, o PMDB foi assediado pelos “Paolos” e, como noiva traída, a velha legenda não hesitou em se deixar seduzir, deixando chorosos outros pretendentes, que também pensaram que podiam sustentar o pião na unha.
É assim nossa política. Mas continuamos a cobrar o debate de temas que interessam à comunidade como um todo. Aos muitos já existentes foram acrescentados mais dois, graves: o impacto negativo da mineração de ferro e os venenos detectados na manga, carro chefe da nossa fruticultura e da economia do município.
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A Federação Nacional dos Jornalistas saúda neste 7 de abril, Dia Nacional dos Jornalistas, a todos trabalhadores e trabalhadoras que, nas redações de jornais e revistas, estúdios de rádio e TV, nas mídias eletrônicas, escolas e assessorias de imprensa; escrevendo, editando, desenhando, fotografando, filmando, ensinando, narrando ou apresentando notícias em todos suportes, exercem esta profissão que é um dos pilares mais visíveis da democracia.
A FENAJ homenageia a todos aqueles que, com condições de trabalho quase sempre aquém do necessário, ajudam a consolidar o estado de direito. Lembra, neste dia, a saga heróica de militantes da notícia que arriscaram sua integridade, sua liberdade e sua vida. Exige do estado brasileiro a imediata investigação da morte Wladimir Herzog e de todos os jornalistas que foram presos e torturados pela ditadura militar.
A FENAJ reivindica liberdade, condições de trabalho e remuneração justas e dignas por parte daqueles que enriquecem utilizando a força de trabalho dos jornalistas brasileiros. Para isto propõe um piso salarial nacional para a categoria, de maneira a garantir a qualidade de vida e a independência no exercício de sua profissão.
A FENAJ alerta ao estado brasileiro para o perigoso crescimento dos crimes contra a integridade e a vida dos jornalistas. Exige a apuração dos crimes contra jornalistas no exercício de seu trabalho e o julgamento de todos os envolvidos. Também reivindica a federalização dos crimes contra estes profissionais como medida eficiente contra a impunidade.
A FENAJ compartilha com os cursos de Jornalismo, seus professores e alunos, a certeza que superaremos de uma vez por todas esta situação constrangedora criada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quando da decisão desastrada e obscurantista da retirada da exigência da formação superior para o exercício do Jornalismo. Agradece, mais uma vez, ao parlamento brasileiro que, sintonizado com a opinião pública, está restituindo a dignidade para o jornalista e a qualidade do Jornalismo para a sociedade.
A FENAJ, finalmente, convida os cidadãos para - ao homenagear seus jornalistas - defenderem um Jornalismo de qualidade: independente, informativo e ético, que assegure a liberdade de expressão contida na constituição brasileira, reconhecendo que esta liberdade não é propriedade privada de jornalistas ou empresas de comunicação e sim propriedade do cidadão brasileiro.
Viva aos jornalistas, lutadores da democracia.
Direção da Federação Nacional dos Jornalistas
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Na Semana Santa, cristãos e judeus celebram o calvário de Jesus Cristo, que culminou na sua morte e ressurreição, na cidade de Jerusalém, Estado da Palestina. É, portanto, período religioso que costuma atrair a atenção de pessoas de diversos credos.
A Páscoa em memória de Jesus nada tem a ver com a Páscoa Judaica, que o próprio Cristo festejava. Esta comemora o êxodo dos israelitas do Egito, durante o reinado do faraó Ramsés II, saindo da escravidão para a liberdade.
Na Páscoa Cristã, comemora-se a ressurreição de Jesus. O ponto alto da Semana Santa é a Paixão de Cristo. Os últimos dias antes do martírio foram muito agitados, para Ele e os discípulos. Ocorreram fatos trepidantes, que chamavam muito a atenção, como a entrada triunfal em Jerusalém.
Praticamente fugido da Judéia, onde já O perseguiam, Jesus foi a Jerusalém mostrar que o seu reino era dos desprotegidos e desfavorecidos. E lá chegou montado num jumento. Outros eventos foram: a última ceia; a oração angustiada no Jardim das Oliveiras; a traição de Judas; a negação de Pedro.
Por fim, foi preso ao sair do Jardim das Oliveiras. Na ocasião, repreendeu um dos seus seguidores, Simão Pedro, que tentou defendê-Lo, cortando a orelha de um soldado. Cristo recompôs a orelha do inimigo, determinando a Simão que guardasse sua espada. Mas, ainda assim, levaram-No preso, começando o doloroso martírio.
O modo como lembramos e celebramos estes fatos é que determina o tamanho da nossa fé, a qual o próprio Cristo submetera a um teste, dizendo que se tivéssemos fé equivalente a um grão de mostarda, teríamos poder suficiente para remover uma montanha.
Nunca um ser humano removeu uma montanha, donde se conclui que a nossa fé não chega a equivaler a um grão de mostarda. Isso significa que necessitamos refletir, meditar, orar muito e nos questionar todos os dias sobre o quanto acreditamos e celebramos com sinceridade a Paixão de Jesus Cristo!
Faça, portanto, da sua vida uma via-sacra dedicada a Deus. Descubra quem é você e qual é sua verdadeira missão na Terra, qual é seu papel diante do mundo, qual a responsabilidade que tem com relação à sua família. Dedique-se a isso assim como Jesus se dedicou à pregação na Terra e como se submeteu ao calvário, alcançando, por fim, a vitória, pela glória da ressurreição.

Estamos na Semana Santa, quando são lembrados os principais momentos do padecimento de Cristo, até ser morto crucificado, depois de três anos ensinando aos homens como viver conforme o plano e a vontade de Deus. Pregou muito e deu muitos exemplos a serem seguidos pelos seres humanos, tudo antes de permitir que seus perseguidores colocassem as mãos nEle. Tudo que ensinou pode ser resumido no seguinte:
“Ama o senhor teu Deus de todo teu coração. E ama o teu próximo como a ti mesmo” (BÍBLIA, Marcos, 12, 30-31).
A caminho do Gólgota (nome da colina onde foi crucificado), Jesus era seguido por uma grande multidão, incluindo muitas mulheres. Enquanto caminhavam, elas batiam no peito e lamentavam pela sorte de Jesus. Vendo aquilo, Ele voltou-se para elas e disse:
“Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos. Pois dias virão em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, as entranhas que não tiveram filhos e os peitos que não amamentaram’.
Nessa altura, começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’, e às colinas: ‘Encobri-nos’. Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco” (BÍBLIA, Lucas 23, 27-31).
Os dizeres de Jesus são um alerta diante de reações puramente sentimentalistas. Mas estaria Ele sendo injusto e mal agradecido com aquelas mulheres, que pareciam tão piedosas? Por certo que não. Jesus conhecia as fraquezas dos homens e aproveitou o gesto daquelas mulheres para lembrar, pelos séculos a fora, que não é suficiente bater no peito, assim como não é suficiente rezar a via-sacra, fazer penitências, como na Semana Santa, se nada mudar para melhor em nosso quotidiano. Se não formos gentis e misericordiosos uns com os outros. Se não vivermos conforme o plano de Deus.
Desse plano, faz parte o amor ao próximo como a nós mesmos, o viver como cristão, cujo destaque são, também, a solidariedade, a compaixão, a defesa da paz, a defesa da natureza e a luta pela liberdade, pela honestidade e pela Justiça, e pelo combate à pobreza.
Na cruz, a dor moral e a dor física dilaceravam o Messias. Seus olhos inchados pelos hematomas, causados pelos golpes com que O torturaram, não permitiam mais que enxergasse. Seus pulmões estavam comprimidos pela hemorragia interna, resultado das pancadas e perfurações recebidas dos algozes, o que O deixava praticamente asfixiado.
Naquele suplício, antes de expirar, ainda encontrou forças para gritar, referindo-se aos que O matavam: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem” (BÍBLIA, Lucas, 23, 34).

Durante Seu martírio, Jesus falou pouco, até porque somente se entregou aos perseguidores depois de concluída a pregação da sua mensagem. Mesmo assim, como enviado de Deus, disse frases concisas, em meio à agonia, que encerram lições sublimes, que somente o espírito de Deus é capaz. Ouviu escárnios e zombarias, como “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz...” (BÍBLIA, Mateus, 27, 42). Mas Ele permanecia doce e sereno!
O Cristo padeceu os mais cruéis sofrimentos físicos e morais. Suas horas de solidão foram horríveis. Era um Deus, mas se submeteu à provação humana da dor, elevada ao máximo com a crucificação. Deixou-nos um grande mistério, que é o “por quê” de ter passado por tudo isso, se tinha o poder de se livrar.
Como devemos interpretar essa realidade? Como devemos estudá-la e nos lembrar dela? Será que na Semana Santa refletimos corretamente sobre isso? As escassas palavras do Cordeiro de Deus, ditas no ápice da agonia, pregado no madeiro, contém ensinamentos tão profundos quanto às tantas mensagens que deixou nas pregações que fez.
Perto da “hora nona”, três horas da tarde, em extrema solidão e na profunda dor da cruz, Jesus exclamou, na sua língua original: “Eli, Eli, lamá sabactani” (BÍBLIA, Mateus, 27, 46). Segundo os evangelhos, significa: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”. (Para alguns interpretes, porém, ele teria dito “Meu Deus, meu Deus, obrigado por me Glorificar!”). Em outro momento, na cruz, em genuína expressão humana, queixou-se: “Tenho sede” (BÍBLIA, João, 19, 28).
Mas o santo que havia dentro dEle sempre se manifestava. Aos que O matavam, disse, piedosamente: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (BÍBLIA, Lucas, 23, 34). Ao malfeitor crucificado ao seu lado, que Lhe pediu para se lembrar dele, quando entrasse em sei reino, respondeu: “Em verdade, te digo que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (BÍBLIA, Lucas, 23, 43). Foi confiante no pai até o fim. Quando esgotou tudo que havia para dizer e para sofrer, afirmou, finalmente: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (BÍBLIA, Lucas, 23, 46). Em seguida, expirou. Três dias depois, como previsto nos livros sagrados, Jesus ressuscitou.
Será que compreendemos corretamente o martírio e ressurreição do Cristo? Que significado damos à vida, à morte e, por fim, à elevação desse Deus tão humano ou desse Homem tão divino e tão extraordinário?
O certo é que, hoje e ao longo da nossa história, temos procurado sempre o gozo, o prazer, a sensação agradável que os nossos sentidos experimentam. Como nos sentimos nessa vida gozosa, se comparada com a vida mensageira e os tormentos pelos quais Jesus passou? O que será que Ele quis nos dizer, nos ensinar?
Vamos aproveitar esta Hora (tranquila) do Ângelus e a oportunidade de reflexão desta Oração da Ave Maria, para responder, dentro de nós, estas perguntas. No mínimo, Ele quis nos mostrar o quanto Deus quer de nós. O quanto devemos levar a nossa vida a sério. Que essa seja a conclusão das nossas reflexões e das nossas orações nesta Semana Santa.
Jornalista
O velho PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, poderá ser tragado pelos tentáculos da anêmona e afundar-se no nanismo, servindo de satélite ao grupo a que tanto combateu. A legenda já abrigou figuras combativas, como Zio Machado, no passado, e mais recentemente o então advogado e hoje desembargador estadual Lourival Trindade. Foi sustentáculo da oposição por muitos anos.
Em 2004, liderou o movimento que quebrou uma hegemonia oligárquica de quase 20 anos, elegendo seu primeiro prefeito, o médico Carlos Roberto Souto Batista, reeleito em 2008, fazendo seis dos nove vereadores da Câmara Municipal. Após sete anos de poder e glória política, praticamente se desfaz e, ironicamente, ascensão e débâcle ocorrem sob a liderança da mesma pessoa, de raízes carlistas, Carlos Roberto Souto Batista.
E quem comandava o carlismo era ninguém menos que Emerson Leal, de quem Carlos Batista fora correligionário. Agora, o Priquitão comanda a anêmona que estaria tragando o PMDB, já despojado da ideologia original, que inspirou o MDB do lendário Ulisses Guimarães. Com a ascensão ao poder, o partido trocou os bacamartes oposicionistas pelas treitas do negocismo.
Por fim, foi abandonado pelo seu cacique maior, o Carlão, que debandou para as gramas kassabianas do PSD, que certamente lhe pareceram mais verdes. Fez tudo à revelia dos chefes partidários e deixou a ver navios fiéis escudeiros, como os seis vereadores da legenda. A suposta entrega do comando ao sindicalista Givanildo Rocha salva alguma coisa, mas não obstará o triste destino de satélite do grupo opositor.
Na verdade, a cúpula estadual da legenda quis retaliar Carlos Batista, com quem trocava explícitos favores além de eleitoreiros. O que soava como estratégia de dividir para fortalecer, abrindo tentáculos na base partidária de Jaques Wagner, pode levar à inclusão do PMDB no clube dos nanicos.
Estamos diante da maior promiscuidade partidária vista por aqui, em que quase todas as representações partidárias curvam-se para o governo estadual. Há muito a se lamentar, pois o quadro afasta cada vez mais o foco das verdadeiras necessidades de nosso município, ainda sem qualquer plano de desenvolvimento.
Jornalista
Livramento desenvolveu-se sem a correspondente intervenção do poder público, que historicamente tem se omitido em quase tudo que lhe cabia realizar. Refém de políticos sem expressão e oportunistas, vive de pedir e receber migalhas das esferas estadual e federal.
Cresce de forma desordenada e a função pública é usurpada por particulares, que se apropriam de bens de uso comum do povo e degradam o ambiente. Isso ocorre, por exemplo, com os recursos naturais e os espaços urbanos.
A gestão e uso da água passaram a ser privados, tornando-se uma ameaça para o ecossistema e a própria sobrevivência humana. Existe expansão artificial da demanda do líquido, devido à ganância financeira e à insensatez, ultrapassando a capacidade hídrica que é sabidamente restrita no semiárido.
O bioma da caatinga, uma raridade mundial, corre grave risco, representado pelas cerâmicas, para atender ao boom imobiliário experimentado pelo município, nos últimos anos. A agricultura irrigada é outro componente preocupante, ante o uso abusivo da água e a quantidade de agrotóxicos despejada no solo.
Na zona urbana, é escandalosa a omissão da gestão municipal quanto à aplicação do Código de Postura, sendo conivente com os abusos de construtores, que realizam todas as suas operações nas calçadas e ruas, as mesmas por onde circulam diariamente as autoridades municipais, incluindo o próprio prefeito.
Apesar da gravidade dos problemas, nenhum deles é posto para discussão neste momento em que se inicia o debate em torno das próximas eleições. Nenhum pré-candidato abordou a questão com a seriedade e firmeza exigidas. Isso nos leva a concluir que as soluções ainda estão longe de acontecer.
Preferem as picuinhas eleitoreiras. Mas é preciso debater aquelas e outras questões fundamentais, entre as quais, como já reprisado neste site, Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, abastecimento de água, nova estação de tratamento de esgoto, e adução de água potável para aglomerados urbanos do interior.
E mais: recuperação e preservação dos monumentos históricos, preservação ambiental, polo educacional, anel rodoviário, outra via de acesso ao bairro Taquari, fiscalização e controle do uso do solo urbano, cumprimento do Código de Postura, correção na gestão da água para irrigação e conclusão do projeto do DNOCS.
E, ainda, reestruturação da educação, incluindo cursos pré-vestibulares e faculdade, pois é mais produtivo e mais barato para famílias e poder público que os jovens estudem no próprio município, além de gerar empregos; e a modernização da saúde, com maternidade e novo hospital, por exemplo.
Por que os políticos e os gestores fogem deste debate?
O governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou “Situação de Emergência” em 158 municípios, entre eles Livramento de Nossa Senhora, devido à longa estiagem que vem castigando quase todo o estado, com reflexos altamente negativos para a economia e a população. A medida permitirá a adoção de providências mais rápidas e com menos burocracia para o socorro às regiões atingidas.
Desde 2011, o índice de chuvas nas regiões afetadas está longe do esperado e a situação tende a se agravar. Em Livramento, são atingidas as áreas fora do projeto de irrigação do DNOCS, mas o quadro geral exige atenção. O nível da barragem Luis Vieira, que supre o projeto, já chegou ao mínimo. A própria Embasa anunciou o racionamento de água para abastecimento humano.
Mas as práticas de gerenciamento da água no município contrariam as versões de falta d’água, pois grandes volumes continuam sendo liberados pela barragem, mesmo estando com a reserva em nível crítico. Em 22 de dezembro de 2011, o prefeito municipal baixou decreto prorrogando a “situação de emergência” decretada em 26 de julho daquele ano, alegando agravamento da estiagem. Mas a vigência deste decreto, que era de 60 dias, já estaria esgotada.
Jaques Wagner fez coincidir a data do decreto emergencial com o “Dia Mundial da Água”, 22 de março. Neste mesmo dia, diretores, professores e estudantes do Colégio Estadual Edivaldo Machado Boaventura, de Livramento de Nossa Senhora, fizeram melhor, promovendo uma reflexão sobre a grave questão da água, que se tornou preocupação no mundo todo.
Explanaram sobre temas como doenças que podem ser contraídas através de água contaminada. Lembraram os dois principais rios que cortam a cidade (Brumado e Taquari), hoje contaminados e mortos por dejetos sanitários. E denunciaram que a água da nascente do Rio Taquari, na Serra das Almas está sendo sugada, de forma ilegal, para sistemas empresariais de irrigação, ameaçando o consumo humano.
Falou da necessidade de se economizar água, principalmente pelos poços artesianos, que ameaçam secar o lençol freático, destacando que os poços perfurados são tantos, na zona rural, que o solo já virou uma “tabua de pirulito”, de tantos buracos. A manifestação dos estudantes foi em forma de texto, cartazes, contendo poesias, paródias; além da dança e do canto.

A professora Ester Lígia Machado Almeida lançou ontem (21), no Centro Diocesano de Livramento, o seu sexto livro de cordel, intitulado “Livramento de Nossa Senhora – Oásis do Sertão Baiano”, publicado com o apoio cultural da prefeitura municipal.
Segundo a autora, a obra trata da história e da memória do município de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, desde sua fundação e colonização, mostrando as tradições locais, cultura, economia, filhos ilustres, famílias e os modos de viver e fazer do seu povo.
Acrescentou que o trabalho faz parte do “Projeto Um Cordel Para Livramento”, classificado em 6º lugar na seleção local e 82º na etapa nacional do “Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição 2010-Patativa do Assaré”, promovido pelo Ministério da Cultura.
O “Encontro Literário” em que se deu o lançamento teve, ainda, a “Exposição de Arte em Papel Machê”, do artista plástico Pedro Souza, de Rio de Contas. Ele possui vasto e elogiado acervo, destacando-se bonecos gigantes e as tradicionais máscaras utilizadas no carnaval.
Ele começou a carreira em 1987 e já possui obras espalhadas pela maioria das cidades da Chapada Diamantina, além de cidades maiores como Vitória da Conquista e Salvador. Em Livramento, ele presta orientação técnica aos integrantes do Pró-Jovem e do CAPS.



(Fotos cedidas pelo Blog da Paróquia de
Nossa Senhora do Livramento)
Os moradores do bairro São José, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, ao lado de visitantes, festejaram ontem (19) o dia do padroeiro, com uma missa solene, debaixo de chuva, celebrada pelo bispo Dom Armando Bucciol. Foi como se o santo operasse o milagre da esperança, pois, segundo a crença popular, se não chove até o Dia de São José, a previsão é de que o ano será de muita seca.
A força da devoção ao santo e, talvez a alegria diante do bom sinal da chuva, fizeram com os fiéis não arredassem pé do local da missa, que é celebrada na rua, pois a igreja do santo ainda não foi construída. Os fiéis se abrigaram sob guardas-chuva e sombrinhas, formando um pelo espetáculo, tanto no visual quanto na demonstração de fé.
Na homilia, Dom Armando lembrou o exemplo de pai que foi São José e conclamou os pais livramentenses a se dedicarem mais aos filhos, lembrando que essa responsabilidade, apesar de ser do casal, acaba ficando quase que somente com as mães. Tocou na consciência de muitos, pois destacou a importância dos genitores na educação e no carinho aos filhos.
O canto de entrada da celebração foi uma referência ao tema da Campanha da Fraternidade 2012:
“Ah! Quanta espera, desde as frias madrugadas, pelo remédio para aliviar a dor!/Este é teu povo, em longas filas nas calçadas, a mendigar pela saúde, meu Senhor!/Ah! Quanta gente que, ao chegar aos hospitais, fica a sofrer sem leito e sem medicamento!/Olha, Senhor, a gente não suporta mais, Filho de Deus com esse indigno tratamento!/Tu, que vieste pra que todos tenham vida; Cura teu povo dessa dor em que se encerra; Que a fé nos salve e nos dê força nessa lida, E que a saúde se difunda sobre a Terra!”.



O diretório municipal do Partido da República (PR) de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, reuniu-se ontem (18) e oficializou o apoio da legenda ao pré-candidato a prefeito, pela situação, Ricardo Ribeiro, o Ricardinho (PSD). Em nota para a imprensa, o partido informa ainda que lançou 14 pré-candidaturas à Câmara de Vereadores, mas os nomes não foram citados.
Acrescenta que “os membros do PR enalteceram a condução do partido, presidido na Bahia pelo ex-senador César Borges, a quem elogiaram pela postura e liderança”. Também definiu as linhas de atuação partidária neste ano eleitoral. O diretório é presidido pelo jovem Lucas Spínola, filho do prefeito Carlos Batista. Segundo ele, “o PR possui excelentes quadros e está preparado para eleger vereadores e ter papel importante na eleição deste ano”.
Entre os integrantes da legenda, em Livramento, estão a primeira-dama e secretária de Governo Suzete Spínola, o ex-vereador e empresário Clarismundo Pires, o diretor do Colégio Estadual João Vilas Boas e presidente da Liga Desportiva Jânio Soares, o gestor do Programa Bolsa Família Marilúcio Marques (Ginga), os ex-vereadores Jorge Lessa Pereira (Caiau) e Edivaldo Cotinguiba (Divardo), e o secretário de Esportes Osvaldo Porto (Badim).
A notícia do PR revela a esperançosa disposição das legendas pequenas de participaram da próxima eleição e traz a constatação de que em política tudo acaba se harmonizando. Por exemplo, o presidente do PR é o ex-governador e ex-senador Cesar Borges e o presidente do PSD de Ricardinho é o ex-deputado e vice-governador Otton Alencar, ambos ex-caciques do carlismo.
A Diocese de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, iniciou as ações práticas em torno do tema da Campanha da Fraternidade 2012 com uma “Mesa-Redonda”, no último dia 16, em que participaram autoridades da saúde, religiosos e muitas pessoas da comunidade local e de municípios vizinhos. O tema da Campanha, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é A Fraternidade e Saúde Pública, sob o lema Que a Saúde se Difunda sobre a Terra, tirado de um dos livros da Bíblica, o Eclesiástico (38, 8).
O público foi pequeno, mas formado por pessoas realmente determinadas a ouvir e debater a questão com profundidade, tornando a reunião bastante produtiva. O objetivo da campanha, segundo a CNBB, é “sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de saúde pública condizente com suas necessidades e dignidade”.
Ao abrir o encontro, no Centro Diocesano, o bispo Dom Armando Bucciol, que coordenou o evento, disse que o debate sobre a CF 2012 deverá acontecer em todas as paróquias da Diocese, lembrando que é um convite da Igreja do Brasil para que todos reflitam sobre o problema da saúde pública em nosso país.
A “Mesa- Redonda”, que teve como mediador o jornalista Raimundo Marinho, foi composta ainda por Pe. Nicivaldo de Oliveira Evangelista, especialista em Bioética; Carla Patrícia Araújo Bonfim, Secretária da Saúde de Rio de Contas; Dulcemária Assunção Tanajura, representando a Secretaria da Saúde de Livramento; Gilson Cruz Oliveira, médico especialista em ultrassonografia, ginecologia e obstetrícia; Cristiana Oliveira, médica especialista em ultrassonografia, ginecologia e obstetrícia; Carlos Roberto Souto Batista, médico e prefeito do município de Livramento de Nossa Senhora.
Introduzindo os debates, o padre Nicivaldo Evangelista lembrou que o cuidado com as pessoas doentes tem origem nas próprias ações da Igreja, como gesto de caridade. Somente muito tempo depois é que se tornou um direito do cidadão assegurado Estado, destacando que acabou sendo transformado em uma concorrida atividade comercial.
O padre informou que a Igreja traz para o debate uma questão importante, que é a vida. E que o objetivo da campanha é discutir e difundir a questão da saúde. Considerou contraditório que um país como o Brasil, que ocupa a sexta posição entre as maiores economias do mundo, esteja no octogésimo quarto lugar em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Diante disso, indaga sobre quais são as cobranças que devemos fazer e se os conselhos municipais de saúde funcionam, na sua obrigação de ouvir a comunidade e fiscalizar as ações públicas? Pede que o Estado cumpra a sua parte e “a nossa caridade e solidariedade não serão anuladas”.
O moderador da Mesa, Raimundo Marinho, externou sua visão em torno da saúde pública, dizendo que “estaremos sempre a brigar com a questão da saúde, pois doença versus saúde é um embate que não acaba”. Para ele, o Estado, que deveria ser o guardião da saúde, é um dos fomentadores das doenças, ao omitir-se na função de evitar, por exemplo, o lançamento de resíduos contaminantes na natureza.
Para o jornalista, o que dificulta a boa atuação do SUS é a falta de vontade política, de prioridade para a saúde pública e, principalmente, a concorrência do sistema com a medicina privada. Ele acha que há interesses capitalistas que fazem com que o Estado ceda aos lobbies para que a saúde pública não desenvolva, a fim de favorecer a medicina empresarial privada. Citou que dos gastos com a saúde, no Brasil, o Estado paga apenas 47% e a população paga 53%, enquanto que em países desenvolvidos essa relação é de 70% (Estado) e 30% (população).
Raimundo Marinho considerou que o descaso para com a saúde pública pode ter relação com o fato de a maioria dos que demandam tais serviços serem de pessoas pobres, sem condições de reivindicar seus direitos. Falou do seu receio de que, no futuro, esta parcela da população seja considerada apenas causadora de gastos e economicamente descartável, assim como temeu a escritora francesa Viviane Forrester, no livro O horror Econômico, referindo-se à França.
O foco dos debates na “Mesa-Redonda” foi o Sistema Único de Saúde” (SUS), cujos princípios e propostas foram considerados de primeiro mundo, mas sem funcionar na prática, sendo causa de grandes filas e mau atendimento, na rede pública de saúde. Isso foi unanimidade entre a plateia e os debatedores.
Uns dos mais demandados com perguntas foi o prefeito de Livramento, Carlos Batista, que reconheceu as falhas do sistema, mas ressalvou que ainda é “o grande pagador dos serviços públicos de saúde em nosso país”, frisando que “todos os programas da área de saúde são mantidos pelo SUS”.
Questionado sobre a qualidade da saúde pública no município de Livramento, incluindo a nota baixa dada pelo SUS (4,23), o prefeito não negou as precariedades, mas garantiu que deixará o município melhor do que encontrou. Lembrou que ao assumir a gestão, em 2005, até lençol faltava nos leitos do hospital local.
Sobre a possibilidade de se ter uma UTI no Hospital de Livramento, disse que a maior dificuldade são os custos dos equipamentos e para atrair profissionais habilitados. Mas informou que a “sala de estabilização” instalada em sua gestão “já salvou muitas vidas”.
Nos depoimentos, houve poucas defesas e muitas críticas ao SUS. A advogada Carla Patrícia Bonfim, secretaria da Saúde de Rio de Contas, por exemplo, foi uma das defensoras, dizendo que “o SUS tem falhas, mas é um programa de uma grandeza surpreendente. Não funciona como devia, mas é necessário”.
Para a representante da Secretaria de Saúde de Livramento, Dulcemária Tanajura, “a saúde pública no Brasil está melhorando, com a conscientização da prevenção”, citando que “hoje existem programas públicos que atendem as pessoas carentes, com formação para agentes de saúde”. Lembrou “que os profissionais precisam trabalhar com amor”.
A médica Cristiana Oliveira lembrou que, para a OMS (Organização Mundial da Saúde), “a saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social”, que não é só falta de doença, mas, de forma muito mais abrangente, é o bem-estar da pessoa. Para ela, “se todos os programas funcionassem como deveriam, seria uma maravilha. O nosso dever é cobrar e lutar por uma saúde melhor”. Defendeu mais investimentos no setor da saúde pública.
O médico Gilson Oliveira disse que “o SUS, na prática, não é uma maravilha. O atendimento é complicado, burocrático. Nosso país é imenso para trabalhar com esse programa, que é muito complexo. Precisa-se de uma capacitação de forma geral para os profissionais da saúde. Faltam também fiscalização e melhoria de equipamentos”. Para ele, “o problema não é quantidade, mas qualidade”.
Havia muitos padres da Diocese na plateia, que enriqueceram os debates. Padre Idérico destacou como os piores problemas do setor, a corrupção que existe na gestão pública, envolvendo a saúde, e a falta de interesse dos médicos em atender em comunidades de difícil acesso do sertão baiano, por exemplo.
Questão importante foi levantada, também, pelo Padre Ademário, da Paróquia de Livramento, ao dizer que “falta humanização no cuidado com a saúde e maior cuidado com as pessoas por parte dos médicos”.
O Padre Gilberto lembrou que “o SUS foi criado pela luta da sociedade, mas que a luta maior é conscientizar as pessoas dos seus direitos. Disse que a missão do PSF (Programa Saúde da Família) é muito importante, mas faltam profissionais disponíveis. Os agentes de saúde são insuficientes para atender a população”.
O mediador Raimundo Marinho, encerrando as falas, aproveitou para lembrar que o texto-base da Campanha da Fraternidade 2012 faz um apelo à espiritualidade. Para ele, esse destaque faz sentido, pois “à medida que homem evolui tecnologicamente, parece que se distancia cada vez mais de Deus” e “que a procura constante da humanidade e a humanização tão desejada, exigem o encontro incondicional com Deus”.
O evento, com duração prevista de hora e meia, estendeu-se, animadamente, por quase três horas. Ao encerrar, Dom Armando Bucciol agradeceu a participação de todos, desejando que os debates ali ocorridos sirvam de reflexão e produzam efeitos multiplicativos na comunidade.
Em seguida, provocados e puxados, de surpresa, pela professora Márcia Oliveira, todos saíram para um lanche, cantando a música de Roberto Carlos “É Preciso Saber Viver”.


O escritório local da Empresa Baiana de Água e Saneamento (EMBASA) avisou, ontem, dia 14, através de “carro de som”, o início do racionamento de água na cidade de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, alertando que o fornecimento passa a ser feito em dias alternados, por tempo indeterminado. O motivo seria a falta d’água, acrescentando que a ação só será suspensa “quando chover”.
A medida surpreende por não ter havido qualquer alerta anterior e pelo fato da cidade ser abastecida pelo Rio Brumado, cuja vazão é controlada pela Barragem Luiz Vieira (foto), que supre projeto de irrigação do DNOCS existente no município. O critério de uso da água dessa barragem inclui a manutenção de uma “reserva ecológica”, que tem entre as finalidades garantir água para o consumo humano.
O manancial, porém, está abaixo do nível crítico, devido à liberação irregular de água, para irrigar lavouras plantadas acima da capacidade hídrica disponível. Se a EMBASA necessitou racionar o fornecimento é porque a chamada “reserva ecológica” não foi respeitada, o que sempre costuma ocorrer em períodos de longa estiagem, pela violação das regras de gestão do produto.
Além disso, o sistema de abastecimento está obsoleto e foi detectada uma defasagem de 30%, desde 2005, pela Agência Nacional da Água, que sugeriu um projeto de atualização, com folga até 2025, orçado à época em R$722.355,00. O projeto previa ampliação da captação e da estação de tratamento, bem como a duplicação da adutora, mas os gestores municipais não deram a devida atenção.
O primeiro impacto da iminente exploração de uma jazida de minério de ferro, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, foi o mais tolo e bizarro possível, que é a disputa pela paternidade da vinda do projeto para o município. O minério está lá há milhões de anos e ninguém tinha visto, as tratativas para viabilização da extração já duram meses e ninguém se dignou a informar a população sobre o que estava acontecendo.
Mas bastou o governo estadual divulgar a assinatura do protocolo de intenções com a mineradora australiana, anunciada anteontem (12), para os dois chefes políticos locais iniciarem a briga surda pela autoria do acontecido. Primeiro, o ex-prefeito Emerson Leal, fez a sua propaganda através de uma emissora de rádio livramentense, assumindo a liderança do processo, através da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), da qual é presidente.
No dia seguinte (13), foi a vez do prefeito Carlos Batista “colher os louros da vitória”, divulgando seus feitos a favor do evento no site da Prefeitura Municipal. Ambos ignoraram que a notícia já havia sido divulgada para a imprensa e o Diário Oficial, pela Assessoria de Comunicação do Governo do Estado, dando conta da assinatura do tal “protocola de intenções”, não fazendo qualquer menção à Sudic ou à Prefeitura de Livramento, nem aos dois caciques.
Os impactos mais graves, porém, estão por vir, que serão os efeitos da mineração no meio ambiente e, por via de consequência, na saúde da população. É evidente que a extração de minérios da natureza é um dos principais itens econômicos com que lidam as nações, cujos efeitos benéficos são a geração de riqueza, de emprego e o consequente aumento da renda da população.
Mas isso tem um custo ambiental e sanitário elevado, que se espera sejam cobrados dos que atualmente estão se apressando em se apresentar como padrinhos do empreendimento. Isso foi muito bem lembrado pelo internauta que se identificou como José Sinval (Blog Mural de Notícias), dizendo que “Os impactos ambientais vão ser devastadores. Logo vai começar a surgirem as contaminações por chumbo e mercúrio”.
E acrescenta “Vão acabar com uma serie de espécies de animais e plantas. Os rios vão ser aniquilados, toda população do entorno, vai ter sérios problemas com ruído, devido as explosões. Vão surgir as doenças respiratórias graves. Principalmente nas crianças”. E resume o currículo que o autoriza a dizer isso: “Sou especialista no assunto, tenho pós-graduação em gestão ambiental e varias especializações em riscos ambientais”.
É bom os políticos prestarem atenção, acalmar a euforia de véspera de eleição e ir devagar com o andor, pois o citado internauta não está sozinho. O professor de Engenharia Ambiental da PUC-Rio, pós-graduado em Gerenciamento Ambiental pela Universidade de Tufts (EUA) e mestrado em Engenharia Urbana e Ambiental da Universidade de Braunschweig (Alemanha) e da PUC-Rio, Carlos Gabaglia Penna, também não tem boas notícias a respeito.
Em artigo publicado via internet, ele afirma que “Os minérios, tanto metálicos como não metálicos, são utilizados, como é sabido, em uma infinidade de produtos humanos, da construção civil a bens industriais. No entanto, como a mineração em geral trabalha bem distante das cidades, poucas pessoas se dão conta dos seus extraordinários impactos ambientais”.
Em seguida, mostra uma tabela com exemplos de índices de resíduos deixados pela mineração no meio ambiente, na exploração do ferro, cobre e ouro. No caso do minério de ferro, o de melhor aproveitamento, 60% da produção vira lixo. E todo o descarte, com seu potencial de degradação e danos à saúde, é lançado no meio ambiente.
Clique aqui para ler o artigo>>
A Secretaria Estadual de Comunicação Social informou que o Governo da Bahia assinou, ontem (12), protocolo de intenções com a empresa Cabral Mineração, subsidiária da australiana Cabral Resources, para a exploração de minério de ferra na região de Brumado, com investimentos da ordem de 2,2 bilhões de dólares.
O projeto terá forte impacto econômico e social na área, especialmente no município de Livramento de Nossa Senhora, que terá uma unidade da empresa para fabricar concentrado de ferro, capaz de produzir 15 milhões de toneladas por ano.
O produto já estaria antecipadamente contratado pela China, para produção de aço. A previsão é de que comece a operar em 2015, devendo gerar cerca de 850 vagas de emprego. A jazida estaria em área conhecida como Serra do Gergelim, próxima à Vila de Iguatemi.
Este seria o primeiro investimento da multinacional fora do seu país. Segundo Bruno Ribeiro, diretor da subsidiária brasileira, ao escolher o País, “Levamos em consideração a geologia, o interesse do governo brasileiro e o risco soberano baixo”.
A presença da mineradora na região vem gerando grande movimentação nas cidades de Brumado e Livramento, devido à procura de vagas em hotéis. Pelo menos dois ônibus têm sido usados para o transporte de trabalhadores para um hotel em Livramento.
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TÕEZINHO! “O maior atleta que já existiu em Livramento”. Leia artigo da professora Maria Teresinha Meira Lima. Clique aqui>>
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ANIVERSÁRIO Alunos, professores, funcionários e diretores comemoraram, dia 9, os 10 anos de existência do Centro Educacional Humberto Leal, no Bairro Benito Gama, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia. Clique aqui e confira!
O desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS) ficou abaixo da média, com a nota 4,23, na escala de zero a 10, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, durante o ano de 2011. A avaliação, feita pelo Ministério da Saúde, abrange todos os municípios brasileiros e a maioria, como Livramento, também se situou abaixo da média.
Trata-se do IDSUS (Índice de Desempenho do SUS), indicador que diz fazer uma aferição contextualizada de desempenho, quanto à efetividade do acesso da população aos serviços chamados de atenções básica, ambulatorial, hospitalar e das urgências e emergências, nas unidades de saúde espalhadas pelo Brasil.
Os dados indicam que os serviços de saúde prestados à população, pelo SUS, são muito ruins, onde se inclui Livramento de Nossa Senhora. Para o Ministério da Saúde, o IDSUS é um importante subsídio à disposição dos gestores públicos realmente interessados em melhorar esses serviços em suas regiões.
Secretária Nádia Cristina Dias Cezar (Foto: Site Prefeitura) |
A divulgação do IDSUS ocorre justo quando a empresa privada catarinense MS Brasil Congressos Feiras e Eventos anunciou a premiação dos 100 melhores secretários municipais de saúde do Brasil, escolhidos por ela mesma, entre os quais está a secretária de Saúde de Livramento, Nádia Cristina Dias Cézar.
Nesse tipo de promoções, geralmente é exigido do homenageado o pagamento de uma taxa de inscrição, “para ajudar nas despesas do evento”, cujo valor costuma ser tão alto que, em muitos casos, parece que o título está sendo vendido, independente de mérito.
Ao noticiar o fato em seu site, a Prefeitura de Livramento não menciona a MS Brasil, mas repete a justificativa que ela apresenta em todos os municípios, de que a escolha deve-se à atuação pessoal dos homenageados e que a análise obedeceu a parâmetros do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sendo assim, pode ocorrer que os melhores, como em Livramento, com nota 4,23 do IDSUS, estão abaixo da média. E se os melhores estão nessa situação, confirma-se o que se tem divulgado: a saúde pública nos municípios deixa a desejar. Outra indagação: por que se premia o servidor e não o município?
A secretária livramentense Nádia Cristina é considerada profissional séria e competente e não se duvida que mereça o prêmio, mas precisa explicar a nota baixa do IDSUS. O prêmio Qualidade e Excelência na Saúde Pública será entregue no Encontro Nacional de Secretários da Saúde, em Florianópolis, de 15 a 18 deste mês.
A gestão municipal de Livramento relaciona várias realizações na área da saúde, como a melhoria do Hospital (dois médicos plantonistas, cirurgião, anestesista, eletrocardiografia, exames de laboratório nas emergências e urgências, sala de estabilização, obstetrícia, pediatria, ultrassonografia, radiologia) e informa que a unidade faz 100 atendimentos diários de emergência, 20 cirurgias semanais e 30 atendimentos diários na enfermagem.
Além do hospital, que diz ser referência entre municípios vizinhos, cita nove equipes do PSF, SAMU 192, Centro de Especialidades Odontológicas, Central de Marcação de Consultas, Controle da Hipertensão Arterial e Diabetes, Policlínica, Farmácia Básica, Almoxarifado, Laboratório de Análises Clínicas, Central de Abastecimento Farmacêutico, Vigilância Epidemiológica, programas Saúde da Família e Saúde da mulher.
Está faltando manutenção nas estradas municipais da região da Vila Iguatemi, em Livramento em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, conforme relato e fotos enviadas por um morador, que pediu para não ter nome publicado. As vias são carroçáveis, mas com intenso tráfego de automóveis, inclusive para acesso à sede do município, a cerca de 60 quilômetros.
A principal queixa refere-se a buracos e ausência de compactação de vários trechos das estradas, fazendo com que o tempo de viagem seja triplicado. Em caso de emergência, aumentam a angústia e o sufoco dos moradores, sem falar nas avarias que costumam ocorrer nos veículos.
Os moradores dizem que a última manutenção foi há mais de quatro anos. A precariedade é geral, mas os piores trechos são Amoreira-Iguatemi e Arrecife-Lagoa das Canas. Há pouco tempo, a Prefeitura adquiriu patrol para essa finalidade, mas seu uso vem sendo disputado por vereadores da situação, para atender seus redutos eleitorais.



Os alunos da Escola Municipal Rômulo Galvão, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, realizou, ontem, uma carinhosa homenagem às mulheres, no dia internacional a elas dedicado. Houve um ato especial, na própria unidade, durante o qual todas as turmas apresentaram trabalhos alusivos às homenageadas. Foram momentos de muita emoção e criatividade, que fizeram parte, também, do processo de socialização dos alunos, com a participação de diretores, professores e demais funcionários.
O Dia da Mulher transformou-se em poesia, mas sua origem não foi nada romântica. Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque (EUA) paralisaram suas atividades, reivindicando melhores condições de trabalho, como redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas por dia e equiparação aos salários dos homens, que ganhavam até três vezes mais.
A greve foi reprimida violentamente e as mulheres trancadas na fábrica, que foi incendiada. Estima-se que 130 delas morreram carbonizadas. Mas o Dia Internacional da Mulher somente veio a ser criado em 1910, em homenagem àquelas tecelãs mortas, e a data só foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975.

Oito de março é o “Dia Internacional da Mulher”. Será como são lembradas? Como pessoas? Objetos sexuais? Mão-de-obra mais barata? Consumidora? Ou uma simples classe? É quase certo que os homens ainda cometem o erro espiritual de passar por cima das mulheres em tudo.
O autoritarismo de antes deu lugar às sutilezas da enganação e da discriminação de hoje, não raro aproveitando-se da facilidade com que elas choram, da entrega com que amam e da dificuldade com que deixam de amar.
Algumas também incorrem em falhas, quando cedem ao machismo, talvez induzidas pelo processo cultural que se tenta preservar. Os homens também esquecem que o mundo precisa ser olhado pela candura dos olhos de uma mulher.
Nesse caso, seria bom se elas colaborassem, por exemplo, evitando se cobrir com as cores de uma lente de contato, no sentido real e no simbólico. Mesmo em meio à turbulência da vida, é sempre bom parar para sentir o perfume de uma mulher, na simbologia e na realidade das emanações físicas.
Isso a química dos desodorantes ainda não conseguiu abafar. É um sentir agradável, como o deitar no colo da mãe. Das mulheres, há muito a sentir, e a docilidade que exprimem é suficiente para vencer as tolices machistas. São muitas as que deixam marcas em nosso viver e em nosso emocionar.
Nos marcam pelos sorrisos, pelos olhares, gestos, posturas de vida e até pela zanga com que nos respondem. Tudo começa com aquela que nos gerou, como D. Maria, de quem preservo a memória maternal dos primeiros passos em direção a ela e da primeira palavra, dizendo-lhe “mãe”.
São tantos os registros. Cada qual de nós tem imagens e expressão de mulheres a evocar. De afetos íntimos ou de saudáveis amizades, onde se incluem as esposas, as namoradas, as filhas e tantas outras.
E você aí, nos ouvindo, tente trazer para suas lembranças, agora, as mulheres do seu coração, do seu amor e também dos seus desamores. Estou certo de que está sentindo um desejo enorme de perdoar ou de pedir perdão, de tantas que se foram, que só levaram as recordações.
Há as mulheres que nos abrem o coração, nos convida a entrar e nos coloca entre o Céu e a Terra, fazendo-nos sentir, ao mesmo tempo, a pequenez do homem e a grandeza de Deus, sob a leveza da paz e o encanto de uma paixão.
Felizes os poetas que as cantam de modo maravilhoso, as feias e as bonitas, capazes de ver encanto em detalhes mínimos, ainda que singelos como os cabelos molhados ou os olhos tristes, dos quais rolam lágrimas ante a mais tola emoção.
O certo é que dependemos todos delas: esposas, namoradas, companheiras, filhas. Das alegres, tristes, tímidas, magras, gordas, altas, pequeninas, chorosas, birrentas, dóceis. São todas mulheres, são todas meninas. São o símbolo das nossas esperanças!
No tempo de Jesus, as mulheres sofriam severas restrições em seus direitos. Em geral, não tinham direitos. Eram consideradas objetos do homem. Tanto que o 9º mandamento, no texto original, dizia:
“Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro,...” (BÍBLIA, Êxodo 20:17). Jesus Cristo escandalizava as lideranças religiosas da época, ao pensar e agir de maneira diferente. Valorizava as mulheres e pregava ostensivamente a igualdade entre os seres humanos, derrogando preceitos antigos que desqualificavam o sexo feminino e tratavam a mulher como escrava.
Em algumas passagens dos evangelhos, isso fica explícito, como as que falam da “Mulher Adúltera” e da pecadora que ungiu os pés de Jesus. Certa ocasião, Jesus se encontrava em um templo, na cidade de Jerusalém, e lhe trouxeram uma mulher, acusada de cometer adultério.
Os acusadores lembraram a Jesus que Moisés os havia determinado que, em caso de adultério, a mulher deveria ser apedrejada e morta. E Ele, Jesus, o que dizia?, perguntaram. Na verdade, estavam cheios de más intenções, pouco se preocupando com a Lei de Moisés. Mas Jesus, que lia seus pensamentos, respondeu:
“Se foi isso, então, que Moisés disse, aquele de vocês que estiver sem pecado que comece a atirar as pedras contra ela”. Ao ouvir isso, eles foram saindo, um a um, desistindo de condenar a mulher. Então, Jesus dirigiu-se a ela e disse: “Nem eu também te condeno. Vai-te e não peques mais” (BÍBLIA, João, 8, 7-11).
A outra mulher é identificada como “Maria de Magdala” ou Maria Madalena, mas muitos negam essa identificação. Ela teria sido uma prostituta e se aproximou de Jesus quando este se encontrava na casa de um fariseu, para fazer uma refeição, conforme relato do evangelho de São Lucas, que diz:
“E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que Ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento.” (BÍBLIA, Lucas, 7, 36-47). Segundo o evangelista, ela lavou os pés de Jesus com as próprias lágrimas, enxugado-os com os cabelos. Em seguida, ungiu-os com o óleo.
Houve um murmúrio entre os presentes, que diziam ter Jesus permitido aquele ato por não saber que a mulher era uma pecadora. Ele sabia, sim, e ainda lhe disse: “teus pecados estão perdoados!”
Os relatos sobre as que procuraram Jesus são sempre de mulheres que, aos olhos do mundo, eram de algum modo estigmatizadas e rejeitadas. Ele acolheu a todas, lhes oferecendo uma vida nova.
Jornalista
É unânime o dizer que a educação no Brasil chegou ao fundo do poço, embora não seja exclusividade brasileira, tornando-se mais crítico nos últimos 30 anos. Começou, de fato, no período ditatorial, invadindo a fase democrática, a partir de 1986. E toda sorte de absurdos acontece no fundo desse poço.
Os absurdos incluem bizarrices como exibição, por alunos, da genitália em sala de aula, palavrões dirigidos aos mestres, violência física e até casos de morte. A porteira foi aberta quando a corrupção dominou o Estado, passando-se a fomentar a ignorância para facilitar a locupletação.
O marco do sucateamento é a degradação física do sistema escolar, com aviltamento do salário dos educadores, que sentiram na pele, mas não reagiram. Chegaram a propalar o negro humor do slogan “o Estado finge que paga, a gente finge que ensina e o aluno finge que aprende!”.
Faltou ser acrescentado e “os pais fingem que não vêem”. Vê-se, então, que se trata de um poço muito bem cavado. Tudo conspirou a favor do Estado corrupto, cujos representantes estimularam o surgimento, em grande escala, de escolas particulares, para os filhos estudarem, à custa de todos nós.
Foi tão bom para eles que fazem tudo para assim permanecer. Os remanescentes da escravidão e egressos de escolas públicas foram engabelados com cotas de ingresso na universidade, bem mais barato do que oferecer estruturas dignas e capazes de resgatar essas populações.
Autoria e indícios de materialidade dos crimes perderam-se no tempo. Os culpados se refugiam no nome fantasia “Estado”. Os pais, no fogo cruzado e sem visão suficiente para enxergar o Estado, culpam os professores. Os professores, entre a cruz e o emprego, culpam os pais.
E os alunos querem que tudo seja varrido de suas vidas: pais, professores e Estado. Muitas vezes, o professor do aluno que exibe a genitália em aula é o mesmo que vota pela aprovação graciosa, dando o conselho, fora da classe: “Reprovar pra que, só vai dar mais trabalho pra nós”.
Assemelha-se a uma cavalgada de búfalos ou de cavalos, às tontas, em que, salvo exceções justas, os compromissos de gestão educacional e ou de ensinar há muito foram quebrados. De soldados da profissão, professores desdobram-se para não se assemelharem a encantadores de cavalos.
Lembro-me de como fui feliz nos meus tempos de Colégio João Vilas Boas, em Livramento, como aluno de professores como D. Maria, D. Rosália, D. Idália, D. Darcy, Pingo, D. Corina, D. Angelita, D. Rita, D. Lili, D. Ruth, D. Stela, D. Terezinha e tantos de quem agora não me lembro, dignos de homenagens.
Cavalgar, suave, encantadora e amorosamente, é possível! Principalmente, para quem ensina, educa e suporta nossos filhos, muitos deles verdadeiras cavalgaduras. Os mestres tentam aparar heranças nocivas das famílias e a retribuição costuma ser coices e patadas, como se cavalos de fato fossem.
Omissos na educação doméstica, alguns pais, despreparados, não escondem que não controlam os filhos, que o tempo na escola é um alívio e ficam irados quando não há aula. Nas justas paralisações da categoria, chegam a dizer: “professor não quer mais dar aula, só pensam em dinheiro”.
Ainda há tempo para reação, para se evitar que, um dia, mudem a lista de chamada para: “Cavalo José”, que responde “preeeseeente”; “Cavala Ana Maria”, e a resposta: “Num tá veno eu aqui, não, cara, qualé”. “Jumento Luiz”, que retruca: “Uéééé, uéééé, uéééé, tôôôô aqui .... Não enche”.
Está na hora de decidir se devemos ter colégios ou estrebarias, se nossos filhos são mesmos nossos filhos ou seres alienígenas. Se não descobrirmos isso, urgente, tudo ficará ainda pior. A não ser que queiram entregá-los ao mundo das drogas. Então, comecem a exigir mais cadeias e cemitérios na cidade.
Chega! Vamos tirar nossos meninos e meninas das estrebarias sociais, da vida sem objetivos, do viver sem senso crítico, da falta de amor e de carinho, e transformá-los em gente! Não sois cavalos, humanos é que sois! Missionários da educação, não sois encantadores de cavalos, gente é que encantais!

Se vier a ser concretizado o “arco de alianças” anunciado pelo Partido dos Trabalhadores, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, liderado pelo dentista Gerardo Azevedo Júnior, tido como um dos pré-candidatos a prefeito, poderá ser a grande novidade, este ano, na política local. É visto como alternativa para surgimento de uma terceira via capaz de abrigar cidadãos insatisfeitos com os atuais grupos polarizadores, em torno dos quais tem girado a movimentação eleitoral no município.
O anúncio do tal “arco de alianças”, ocorrido no final de fevereiro, surpreendeu e preocupou os caciques dos grupos conservadores, que tinham o petista como o fiel da balança, em papel semelhante ao que desempenhou Paulo Azevedo na eleição passada. As alianças, segundo Gerardo Júnior, estão sendo muito bem costuradas, exigindo certo tato, já que está lidando com misturas de modos de pensar diferentes do jeito de ser do PT.
Mas a tendência é ser bem sucedida, pois os partidos envolvidos são todos pequenos e necessitam dessa união para viabilizar participação nas próximas eleições. Mas, a rigor, não há nada de novo nesse processo articulatório inicial, pois assim também aconteceu, embora de forma mais elementar, nas eleições de 2008. Veja as manchetes estampadas à época pelo hoje extinto jornal Folha da Chapada, cujos recortes ilustram este texto.

Jornalista
É triste observar como a política em Livramento tornou-se rasteira, nada devendo à maioria dos municípios do Brasil setentrional. Fala-se de forma aberta, descaradamente, que se pretende gastar milhões para preservação do domínio administrativo do município.
Da parte da oposição, nenhuma proposta animadora ou críticas ao descaso e à indiferença que persistem, principalmente diante da miséria endêmica que nos martiriza, da deterioração dos serviços públicos, do conformismo por migalhas, da degeneração de valores.
As articulações se aprofundam, com vistas às eleições deste ano, envolvendo, principalmente, atuais governantes e os derrotados na eleição passada. E parece valer tudo, até a promiscuidade entre os grupos, desde que garantam a manutenção ou a volta ao poder.
Livramento tem problemas gravíssimos pendentes de solução, mas os pré-candidatos não abrem discussão a respeito. Ou por serem os responsáveis atuais ou por serem os responsáveis do passado. A sede municipal está ilhada pelos agrotóxicos e entrecortada por esgotos a céu aberto. As unidades públicas de saúde estão aquém da demanda.
As escolas estão dissociadas dos princípios da moderna educação e dominadas pela superficialidade, sem condições físicas e pedagógicas adequadas, com total desprezo para com os educadores. Os pais vivem distantes dos filhos, cuja indisciplina aterroriza os professores.
O que dizer da insegurança pública? As melhorias exigem projeto político comprometido com a ética e o interesse público. Sobre isso, infelizmente, não se fala. A preocupação é para com a sustentação do que já se convencionou ser normal, corrupção e locupletamento.
A Câmara de Vereadores abdicou-se da sua função de fiscal e virou motivo de chacota. O Legislativo e o povo estão de costas um para o outro e entre os dois viceja o caos.
Assusta nossa falta de indignação diante das mazelas que ameaçam o paraíso ambiental que é Livramento. Não distinguimos mais a beleza cintilante da nossa cachoeira nem o sorriso sedutor da nossa gente da indiferença ante a visível destruição desse presente de Deus.
Livramento virou um mercado de negócios, com um braço forte na política. Se não reagirmos, o despudor degenerativo nos atirará no precipício. Não podemos perder a capacidade de indignação, em nome de nossos filhos e netos. Que seja antes de ficarmos míopes para a beleza e cegos para as mazelas que nos cercam.
Muitos se parecem com o motorista que arrancou postes de uma rua no bairro Taquari. Foi incapaz de perceber que o espaço não cabia o veículo que dirigia e a carga transportada. A mão de Deus evitou uma tragédia, pois as famílias estavam todas em casa na hora.
Simbologia perfeita, pois, além do motorista evadir-se, apareceu alguém e disse que a culpa era dos postes e dos fios que estavam muito baixos. Confirma o sentimento de que o culpado é a vítima, de se perseguir quem denuncia, de se absolver quem matou.
A mediocridade sobrepõe-se ao mérito e a visão de se levar vantagem em tudo, pela via da corrupção, está sufocando a ética e a retidão. Em meio a essa cultura arraigada de desvalor ou de valores rotos, é que está sendo discutido o processo eleitoral deste ano.
Um pré-candidato disse: “Tenho cinco milhões para gastar nas eleições”, sem esclarecer como. O lado contrário, como na era do fetiche, responde: “Será o tostão contra o milhão”. E o eleitor bobão diz: “Cê dá nóis um saquim de cimento que nóis vota nocê”.
Presidente do Moto Clube Asas da Chapada
Confesso que hesitei muito antes de publicar novamente um comentário sobre a vida em comunidade na cidade de Livramento de Nossa Senhora, sobretudo por se tratar novamente de tema bastante discutido por este autor: o trânsito, sem que fosse adotada pelas autoridades constituídas qualquer solução.
Há muito tempo, alerto as autoridades sobre o caos em que se encontra o trânsito em nosso município, a desorganização é geral. Vai da deficiência na sinalização até a enorme quantidade de veículos automotores que circulam em alta velocidade e de costas para as leis de trânsito, incluindo condutores sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), bem como veículos em péssimas condições e com documentação irregular.
No centro comercial, notadamente na área bancária, o problema se apresenta pela falta de estacionamento para carros, motos, taxis, mototaxis, veículos de carga e descarga. Enfim, até mesmo pedestres e ciclistas ficam sem espaço, pela falta de organização do espaço público.
Até hoje, não se sabe qual a finalidade daquela “praça” defronte da agência do Banco Bradesco. Poderia tal espaço ser melhor utilizado em prol do bem-estar social.
No populoso bairro da Estocada, o problema não é diferente. Há intenso fluxo de veículos, com apenas uma via de acesso para o centro comercial, o que provoca, é claro, altos índices de acidentes, com grave desajuste social, em razão de sérias lesões e até mesmo perda de vidas humanas.
Uma alternativa para amenizar o problema seria a construção de uma via de acesso do Bairro da Estocada para o Bairro Polivalente, projetos deve ter vários, basta por em prática.
Mesmo sendo leigo na matéria, sem ter o título de especialista em engenharia de trânsito, sem necessitar socorrer ao mestre Oscar Niemeyer ou a outro renomado urbanista, a cidade de Livramento de Nossa Senhora merece outra via de acesso dos Bairros Taquari e Benito Gama ao centro comercial, que poderia ser feita pela Avenida Dr. Nelson Leal, desconcentrando o trânsito na Avenida Dep. Leônidas Cardoso e facilitando o acesso ao Terminal Rodoviário e à estrada para o município de Paramirim.
Entretanto, o que mais me preocupa neste instante é o excesso de velocidade dos automóveis que circulam pela Av. Presidente Vargas, especialmente defronte ao Colégio Rômulo Galvão, que atende prioritariamente às crianças.
Próximo àquele local, defronte ao CEO (Centro de Especialidades Odontologias), existia um redutor de velocidade, popularmente conhecido como “quebra-molas”, que foi retirado não se sabe o motivo nem se houve parecer da autoridade de trânsito para adoção de tal medida.
O fato é que sua ausência vem provocando sérios acidentes, inclusive com atropelamentos de pessoas. Sou testemunha de alguns deles. Resta apenas aguardar o socorro do SAMU, que chega com eficiência e agilidade, porque de nossas autoridades, até hoje, estamos por esperar.
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O tema da Campanha da Fraternidade de 2012, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é A Fraternidade e Saúde Pública. O lema inspirador foi tirado de Eclesiástico, 38, 8: Que a Saúde se Difunda sobre a Terra. O objetivo, segundo a CNBB, é “sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de saúde pública condizente com suas necessidades e dignidade”. Para a Igreja, “É uma realidade que clama por ações transformadoras”.
Mesmo revestindo a CF-2012 com o véu da espiritualidade, ao dizer que “deseja iluminar a dura realidade da saúde pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte”, a CNBB também vai “exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde”. Nesse sentido, destaca que o Sistema Único de Saúde (SUS) “ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados destes serviços”.
O lema é inspirador, o tema é oportuno e o texto-base da Campanha é forte. Resta aguardar o que será dito nos milhares de púlpitos espalhados pelo Brasil a fora. Só eles poderão, realmente, incentivar comportamentos transformadores. O Estado não vai alterar a política de saúde, exatamente porque só prejudica a camada desamparada e sem força para reagir. A não ser que os miseráveis sejam mobilizados e representados pela força da Igreja. E aí não bastará apenas o orar contrito nem a burocrática liturgia quotidiana.
O projeto Água e Cidadania no Semiárido foi lançado, dia 24, pela Associação do Semiárido da Microrregião de Livramento (Asamil), com previsão de beneficiar com água potável 2.880 famílias nos municípios de Livramento de Nossa Senhora (sede do lançamento), Rio de Contas, Dom Basílio, Abaíra, Piatã, Ibitiara, Ibipitanga, Paramirim, Malhada de Pedras, Guajerú e Caraíbas.
O objetivo é contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários, mediante a captação e armazenamento de água da chuva para consumo humano e uso no preparo dos alimentos. As cisternas têm capacidade para armazenar 16 mil litros de água captados diretamente do telhado das casas, suficientes para enfrentar até um ano de estiagem.
Serão construídas de placas de cimento e custeadas com recursos da União, através do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O evento estendeu-se pelos dias 25 e 26, no auditório do Centro Diocesano. Participaram destinatários do projeto, representantes comunitários, de entidades sociais, além de prefeitos, vereadores e outros políticos ligados à região.
Os moradores do povoado de Mucambo, área castigada pela estiagem, no município de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, por pouco não entraram, recentemente, em choque com prepostos da prefeitura. O reservatório de água, existente no local e denominado “Pau-Ferro”, destinado aos animais, havia secado, devido à falta de chuva, e estava praticamente aterrado.
A população aproveitou para limpar a antiga aguada. Disseram que não conseguiram ajuda da prefeitura e procurou a empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que atua na região e prontamente atendeu. Mas, quando as máquinas já estavam no local, o prefeito teria ordenado a expulsão dos técnicos da INB.
A prefeitura acabou assumindo o serviço, mas causou constrangimento e revolta na comunidade. O líder comunitário Bento Moreira Dias disse que o reservatório, construído em 1976, pela SUDENE e DNOCS, pertence à comunidade. É administrado e mantido pela Associação de Moradores. Por isso, apesar do problema resolvido, ele entende que a interferência da prefeitura, além de agressiva, foi indevida.

Os devotos do distrito de São Timóteo, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, realizaram, domingo, 26, a festa em louvor a um dos seus padroeiros e que deu nome ao local. O dia da sua celebração litúrgica é 26 e janeiro, mas os moradores celebram de acordo com a agenda da paróquia. O outro padroeiro é uma santa, Nossa Senhora da Ajuda, cuja festa se realiza em agosto.
Os festejos de Timóteo reúnem menos fiéis que os de Nossa Senhora, mas quem compareceu no último domingo deu uma demonstração de muita fé, suportando o sol escaldante e o calor sufocante, principalmente na hora da procissão pelo centro do povoado. A missa foi conduzida pelo Padre Cido, da Paróquia do Bom Jesus do Taquari.
Chamou a atenção a quantidade de políticos presentes, como o prefeito Carlos Batista e esposa, D. Suzete Spínola, que ocuparam lugar de honra dentro do templo. Os demais, entre eles o vice-prefeito Paulo Azevedo, ficaram do lado de fora, sendo flagrados em confabulações sobre as próximas eleições.
São Timóteo foi bispo cristão do primeiro século depois de Cristo e morreu pelo ano 80 da era Cristã. Segundo o Novo Testamento, ele esteve com Paulo de Tarso, que o tratava como irmão e era seu mentor. É considerado o destinatário das Epístolas de Paulo a Timóteo, sendo um dos seus 70 discípulos.

A comunidade evangélica da região, incluindo fiéis e líderes religiosos, reuniu-se, dias 25 e 26, no Ginásio de Esportes (foto), em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, para a festa do Círculo de Orações das Senhoras da Igreja Assembléia de Deus. Foi um encontro de muita alegria e orações, com um público, entre fiéis e convidados, formado por crianças e adultos, lotando as dependências do Ginásio. Durante o evento, foi destacado o trabalho das mulheres na igreja e na vida da comunidade. Em uma das faixas expostas nas laterais do salão, lia-se “A mulher submissa à palavra do Senhor é vitoriosa”, que remete a exemplos de submissão feminina, sob as bênçãos de Deus, como o de Sarah, mulher de Abraão, cuja formosura e dedicação ao patriarca, seu esposo, são destacados pela própria Bíblia.
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Após muitos anos fora dos stúdios radiofônicos, Elias do Carmo Ferreira, o popular DJ Chokolath (foto), retoma os microfones. A convite da Rádio Portal FM (104.3), ele agora anima as tardes interioranas, com o programa “Pancadão”, de grande sucesso na região. No comando de toda a programação da emissora, está o diretor e também locutor Alan Rich, nos quadros da casa desde a inauguração, há mais de três anos.

Os dois principais líderes políticos de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, o ex-prefeito Emerson Leal e o atual prefeito Carlos Batista estão passíveis de serem alcançados pela Lei Complementar nº 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), validada no último dia 16, pelo Supremo Tribunal Federal, por 7 votos a 4.
O ex-prefeito figura na lista de gestores públicos inelegíveis encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral, pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Já o prefeito atual teve duas contas rejeitadas (2006/2007) pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e tem mais de 30 processos na Justiça Eleitoral.
Mas haverá pouca repercussão na eleição deste ano, pois Carlos Batista, no exercício do segundo mandato, não poderá se candidatar; e tudo indica que Emerson Leal não teria pretensões de ser candidato. Sobre Carlos Batista, as contas rejeitadas pelo TCM foram aprovadas pela Câmara de Vereadores.
Como a rejeição da corte de contas não foi impugnada judicialmente, pelo prefeito, há dúvidas se gera ou não inelegibilidade. Nos processos eleitorais, ainda não houve condenação em segunda instância, como prevê a lei. Então, ainda não o tornam inelegível, nem ao vice Paulo Azevedo.
A inelegibilidade de Emerson Leal vem do processo de “Tomada de Contas Especial nº. 250.197/1996-0”, onde o TCU julgou “irregulares as contas da Prefeitura e em débito o responsável, em face da realização de saque repassado indevidamente a entidade não credenciada, classificação indevida de recursos em balancete financeiro e transferência de aplicações sem a evidência de sua reversão integral em prol da execução do objeto da avença”.
O tribunal também condenou Emerson Leal a pagar treze mil cruzados novos, atualizados monetariamente e acrescidos de encargos legais (Acórdão nº 1499/2005), mas até hoje não foram pagos, apesar de autorizados a cobrança judicial e o ajuizamento das ações civil e penal cabíveis.
Tratou-se de verba federal repassada para perfuração de poços artesianos, que o então prefeito não teria perfurado. Equivale hoje a poucos reais, mas a condenação poderá levar o ex-prefeito para a alínea “g”, inciso “I”, do artigo 1º, da Lei Complementar nº 64/1990, alterada pela Lei da Filha Limpa.

A baixa frequência à audiência pública realizada pela ADAB (Agência Estadual de Defesa Sanitária da Bahia), no último dia 15, revelou o descaso das autoridades e a indiferença da população ante o grave problema do envenenamento das lavouras, incluindo manga e maracujá, pelo uso abusivo e indiscriminado de agrotóxicos, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia.
A situação levou a Associação dos Produtores de Livramento, preocupada apenas com a repercussão comercial, a alertar sobre a presença, nos frutos da região, de resíduos dos inseticidas “cefanol” e “tamaron”, de uso proibido, que contém os ingredientes ativos “acefato” e “metamidofós”, respectivamente.
Weber Aguiar quer orientar uso dos agrotóxicos |
Não são observados, por exemplo, os períodos de carência entre a aplicação dos inseticidas e a colheita dos produtos, consumidos pelo próprio produtor ou colocados à venda ainda impregnados de veneno. Os mais ariscados são as hortaliças de maneira geral, a abóbora, melancia e até mesmo a palma.
Os ingredientes ativos dos inseticidas contém alto poder letal, podendo causar a morte direta, a depender da quantidade, ou provocar doenças, como câncer, dermatites, desregulação endócrina e alterações no sistema nervoso e reprodutivo, causando problemas psicológicos e malformações fetais.
Ante a gravidade da situação, o engenheiro agrônomo da ADAB, em Livramento, Weber Aguiar, que coordenou a audiência, anunciou que vai intensificar a fiscalização, com foco inicial na orientação técnica e educação dos produtores para a correta utilização dos inseticidas e outros insumos.
Apesar da importância do evento, as principais autoridades dos municípios envolvidos não compareceram. Mesmo sendo realizado na Câmara de Vereadores, nenhum vereador compareceu. Os municípios de Livramento e Dom Basílio foram representados apenas pelos seus secretários da Agricultura.
A paralisação dos policiais militares da Bahia, antes praticamente restrita a Salvador e cidades maiores, chegou a Livramento de nossa Senhora. Em nota divulgada no site da Prefeitura, o prefeito Carlos Batista informa que recebeu oficialmente do major Jorge Brito Macedo, comandante da 46ª CIPM - Companhia Independente de Polícia Militar, a confirmação da adesão de sua tropa ao movimento.
A nota acrescenta que o prefeito municipal, ao receber a informação, imediatamente entrou em contato com o subsecretário de Segurança Pública do Estado da Bahia, Ary Pereira, colocando-o a par da situação no município e solicitando providências para garantir a segurança da população.
O próprio major Macedo teria informado ao prefeito que a tropa se manteria na sede da 46ª CIPM e que o comandante e os oficiais “assumem o compromisso de fazer diligências, se for necessário”. Carlos Batista diz ter confiança, “baseado em informações obtidas junto à Secretaria Estadual de Segurança Pública, que a greve poderá ser encerrada nas próximas horas”. E orienta a população a se manter tranquila e continuar suas atividades normais.
O clima é de tensão na cidade, com a população temerosa de assaltos, principalmente porque eles já vinham ocorrendo mesmo antes da greve. A Câmara de Dirigentes Lojistas recomendou aos seus associados que fechem os estabelecimentos às 15. Teme-se que a situação não seja resolvida com a rapidez esperada, pois os grevistas ignoraram a proposta feita pelo governo estadual.
Tem havido uma forte reação contra os militares grevistas, principalmente de políticos, entre eles parlamentares do Partido dos Trabalhadores, que marcaram reunião em Salvador para se solidarizar com o governador petista Jaques Wagner. Porém, ninguém propôs, ainda, uma discussão séria sobre a importância do aparato policial para efetivação da Segurança Pública.
Os salários pagos pelo Estado a setores básicos como policiais e professores, são simplesmente vergonhosos, sendo inevitável a comparação com o que recebem os políticos, por exemplo. A média salarial do soldado e do professor está em torno de R$2.000,00. O soldado arrisca sua vida, oito horas por dia, para proteger a população; e o professor, com oito horas diárias e mais noites e finais de semana, é a base do desenvolvimento do país.
E isso é antigo. É claro que, um dia, haveria ou haverá de estourar. Em total desrespeito a esses setores tão vitais para a comunidade, o governador fica usando a desculpa da limitação do orçamento, tão malbaratado de outras formas, e também a desculpa dos maus elementos que usam a greve para extravasar a violência pessoal. O Estado pode, sim, pagar remuneração justa a esses servidores.
Não é a remuneração justa que deve se ajustar ao orçamento, o orçamento que tem que prever a remuneração justa para os servidores. Por que se paga altos salários e tantas mordomias aos parlamentares, que nada fazem de relevante? Veja o exemplo de um vereador em Livramento, que nem sabe ler direito e recebe R$3.800,00 mensais, trabalhando apenas cerca de oito horas por mês, menos do que trabalham um soldado e um professor por dia.

O perigo do uso abusivo e indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, chamou a atenção do escritório local da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB). A preocupação aumentou depois que a Associação de Produtores e Exportadores (APEL) divulgou a descoberta de altos índices de resíduos de inseticidas proibidos ou não recomendados em mangas da região.
A ADAB quer discutir amplamente a questão, inclusive com a participação da comunidade. Para isso, realizará uma audiência pública, dia 15 próximo, a partir das 8h, na sede da Câmara de Vereadores. O engenheiro agrônomo Weber Aguiar, fiscal da entidade, disse que comparecerão ao ato autoridades ligadas ao setor e representantes da sociedade organizada.
Diz que o objetivo é esclarecer dúvidas sobre a utilização sustentável dos insumos. Destaca que o assunto requer muita atenção, pois “a nossa região têm na agricultura sua principal fonte de geração de renda” e lembra que “a participação de toda a comunidade [na audiência pública] é de suma importância, sobretudo dos produtores rurais".
Na divulgação, feita exaustivamente pelo rádio, a APEL reconhece a gravidade do problema, mas só se preocupou com o lado comercial, desprezando o grave risco para a saúde pública, ao dizer apenas que a presença dos venenos na maga pode prejudicar a comercialização do produto. Veja o que diz a nota:
Informamos aos produtores de manga de Livramento e região que em 2011 altos índices de resíduo dos ingredientes ativos ACEFATO e METAMIDOFOS, presente nos Inseticidas CEFANAL e TAMARON foram encontrados em exames laboratoriais feitos em manga produzida em nossa região.
Alertamos que o uso de produtos não registrados para a cultura de manga pode afetar a comercialização da manga de Livramento no mercado interno e principalmente na exportação, podendo assim trazer dificuldades para os produtores e comerciantes locais.
Pedimos a todos os produtores e revendedores de produtos agrícolas, que somente indiquem e utilizem produtos registrados e autorizados para a cultura de manga. A lista de produtos registrados e autorizados pode ser encontrada na Apromol, Adab, Ebda, Secretaria de Agricultura de Livramento ou em seu revendedor preferido.
Leia matéria publicada pelo O Mandacaru em 21.01.2012 (basta rolar a página até aquela data)
Jornalista
A reunião de empresários governistas, semana passada, para discutir a sucessão do atual prefeito de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, é um sintoma grave de promiscuidade entre público e privado. Ficou evidente o inusitado propósito de organizar o poder econômico para enfrentar adversários na eleição de prefeito deste ano.
Também revela o lado sombrio da gestão de Carlos Batista, cujo governo é acusado de existir para e pelos empresários, com danos irreparáveis ao orçamento municipal. O interesse empresarial é sempre o lucro que, no caso, só poderá vir dos cofres públicos. A Prefeitura vira quintal político-empresarial
Foi publicado que o número de convocados para essa reunião seria de 40 empresários, levando os piadistas de plantão a associá-la ao filme de Arthur Lubin Ali Baba and the Forty Thieves (EUA, 1944). Na verdade, o encontro, que se realizou sem o prefeito, não teria passado de 20 pessoas. Mas a comparação piadista ganhou as ruas.
Na película, o jovem Ali busca vingar a morte do pai e retomar o poder. Em “Carlão e os 40 Empresários”, o objetivo é manter o poder, tido como prodigo na distribuição de benefícios entre companheiros. A piada pode ser imprópria, mas a reunião confirma a submissão da Prefeitura a interesses privados.
Carlos Batista vem sendo refém e conivente, ao mesmo tempo, com essa visão política, em desfavor da coletividade, como provam os casos de licitações ganhas por parentes de assessores e correligionários. Há acusação, também, de que a economia de 20% da folha de pessoal é gasta, através de contratos de prestação de serviços, entre pessoas ligadas ao grupo que apóia o prefeito.

A tal reunião dos “40 empresários” teria analisado o possível estrago eleitoral da ida do vice-prefeito para a oposição, liderada pelo ex-prefeito Emerson Leal. O temor de que isso exigirá mais investimento de campanha teria sido o objetivo central do encontro, temendo-se perdas se eleito um oposicionista.
Embora a fuga do vice não seja apta a alterar a cultura político-eleitoral de Livramento, que se caracteriza pelo desprezo ao interesse público, afetará muito a próxima eleição. Mas, acima de tudo, representa volta ao passado e deixa os eleitores sem opção. Agora ele é objeto de desejo dos dois grupos.
Esse desejo vem da pouca rejeição e da crença de que teria votos suficientes para definir o pleito, como em 2008. Os caciques sabem que ele não anda sozinho, mas temem que a balança de votos penda para onde ele for. Ao acaso de 2008 soma-se a fama que o vice adquiriu na interinidade de 15 dias.
O pânico tomou conta da corte, que deixou escapar o único trunfo que tinha para embalar a candidatura de Ricardo Ribeiro, cujo vice seria o também empresário Gutembergue Carneiro, sacramentando a total submissão do alcaide a pelo menos parte do empresariado local. Grande nome do passado pode vir por aí, mas pouco ajudará.
A chapa sucessória da situação, com dois empresários bem sucedidos, talvez não tenha a densidade eleitoral exigida pelo embate a ser travado. A importância do vice, no grupo, não foi bem avaliada. Fez-se pouco caso da sua peremptória afirmação de que “vice nunca mais”.
A perda é dobrada, pois desfalca o grupo na medida em que reforça o inimigo, dando-se em momento eleitoreiro crucial. Para muitos, Paulo Azevedo comporta-se como um vira-lata, pela inconstância partidária. Mesmo determinado a não ser vice, encaminhava-se para isso, na situação. Então, optou por fugir para onde a grama lhe pareceu mais verde.
A pressão de Ricardo Ribeiro fechou os espaços da situação ao médico de Érico Cardoso, enquanto na oposição, onde sobra vice, faltava nome com votos para a cabeça. A margem para surpresa ficou menor. Uma delas seria Carlão ceder espaço nobre a Paulo Azevedo, mais a garantia do conforto da máquina pública e o manto dos 40 empresários.
O problema do destino do lixo coletado na cidade de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, agravou-se. Nos últimos anos, a quantidade de resíduos multiplicou e continua sendo lançada, a céu aberto, às margens da rodovia que liga o município a Paramirim. Não há processo de coleta seletiva e no local há vestígios claros de lixo hospitalar, como seringas, bolsas de soro e outros instrumentos.
Em 2007, a Promotoria de Justiça moveu uma ação civil pública contra as autoridades municipais, após fazer perícia no local, quando foi comprovado que os resíduos, como ainda hoje, eram jogados direto no solo, sem separação ou tratamento, a céu aberto, de forma aleatória, em uma área de livre acesso a pessoas e animais.
Foi recomendado isolamento do local, arborização em volta, redução da área, recobrimento dos resíduos, separação do lixo hospitalar e regulamentação da atividade de catadores. Na ação, o promotor disse que “estamos (...) diante de uma agressão bestial contra o meio ambiente natural deste município, totalmente desconfortável para a saúde pública e para a integridade natural do ecossistema”.
Em palestra na Conferência das Cidades, realizada na Câmara Municipal, em julho de 2007, o prefeito Carlos Batista, que é médico, declarou-se preocupado com o destino do lixo produzido na cidade. Chegou a dizer que coleta e destinação são hoje problemas graves, nos aglomerados urbanos, da metrópole às pequenas cidades. Nada fez, porém, a não ser alertar para a necessidade urgente de se conscientizar a população para produzir menos lixo.
Foi uma palestra técnica e politicamente correta, mas somente para “inglês ver”. Na ocasião, Carlos Batista disse que estava prestes a firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), na ação civil pública movida pelo Ministério Público, comprometendo-se a efetivar as providências requeridas pelo promotor de justiça. Porém, o então promotor deixou a comarca e o TAC foi esquecido.
Badameiros, incluindo adolescentes, atuam no local sem qualquer proteção sanitária. O assunto exige intervenção, não só do Ministério Público, mas também do Conselho Tutelar e Vigilância Sanitária. É preciso verificar o cumprimento das providências contidas no TAC que teria sido assinado pelas autoridades municipais.




Jornalista
Como em 2008, a eleição de prefeito em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, este ano, poderá ser desequilibrada por uma pessoa. E a mesma pessoa, Dr. Paulo Cardoso Azevedo. Muita gente torce o nariz e contesta essa realidade. Lia Leal provavelmente seria hoje prefeita se o médico de Érico Cardoso tivesse sido acolhido pelo grupo, no pleito passado.
Há quem fale em cooptação onerosa, mas o Dr. Paulo garante que, na época, solicitou apenas ajuda para custear a campanha de seus candidatos a vereadores. Carlão topou e venceu, demonstrando inteligência eleitoral. A compra de votos, da qual é acusado em processo na Justiça Eleitoral, não seria suficiente nem garantia para a margem de votos que obteve.
Dr. Paulo Azevedo: de volta para casa |
O feitiço, o mesmo do tempo, virou e Paulo Azevedo já retornou ao grupo de Emerson Leal. Devem marchar juntos nas próximas eleições. Sua condição é ter a cabeça da chapa, mas existe acordo para subir o que melhor estiver nas pesquisas. O recalcitrante Gerardo Júnior (PT) amoleceu e também deverá ir para o mesmo lado. Assim, incluindo Paulo Lessa, são três na disputa do topo.
Como em 2004, quando o lema foi “todos juntos para derrotar Emerson Leal”, agora é “todos juntos para derrotar Carlão”. Desse modo, o passado volta, a história se repete, os mesmos personagens, tal qual no filme “O Feitiço do Tempo”. Livramento entra, assim, para o Groundhog Day (Dia da Marmota), celebrado em 2 de fevereiro, nos Estados Unidos e Canadá.
O perigo é tão grande para o grupo da situação que a corte entrou em estado de alerta e de mobilização. Consta que na próxima quarta-feira, véspera do Groundhog Day, haverá reunião de 40 empresários, cuja pauta não foi divulgada, mas certamente dela fará parte a montagem de estratégias para enfrentar o inimigo que ruge.
A grife dos participantes sugere que o encontro será muito bem regado, devendo predominar entre os temas os custos de campanha, “todos”. E se, no calor dos debates, alguém sugerir fórmulas não convencionais de captação de sufrágio, além do “todos juntos para derrubar Carlão”, outro slogan emergirá: “receba, mas vote contra”.
Alertas foram acesos nos dois fronts e Livramento marcha, outra vez, para o de sempre, em que não se escolherá o melhor para o município e sim para os empresários e os políticos. Se depender do eleitor, o passado se repetirá, a menos que surja algo novo, diferente, pois eleitor adora slogans e detesta “pegar no cabo da raposa”!
O prefeito Carlos Batista ficou longe de ser um bom gestor, mas prevenira os críticos no início do primeiro mandato: “Eu não nasci prefeito”. Tem ainda 11 meses para tirar a certidão de nascimento. Não soube administrar, mas soube manobrar muito bem, a ponto de viabilizar a reeleição, mesmo não tendo nada para mostrar. Agora, tem o difícil desafio de fazer o sucessor.

Um belo festival de canto e poesia é como se pode definir a IX Jornada Lindembergue Cardoso, encerrada ontem, na Praça Zezinho Tanajura, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, cujo lema foi “uma música em cada canto”.
Apesar do brilho de todos participantes, destacaram-se a presença de estrelas como Elomar, conhecido pelo estrelismo e também pela qualidade inovadora da sua produção musical; e Ely Pinto, de Rio de Contas, festejado cover de Raul Seixas.
Na abertura, 26, além de Ely Pinto, muitos aplausos para o Grupo Musical de Dom Basílio, guiado pela voz potente e harmoniosa do dublê de cantor e vereador Orlando Barbosa.
Nos dias seguintes, apresentaram-se, entre outros, o conhecido cordelista Zé Walter, ao lado de Creusa Meira; os trovadores Onildo Barbosa e Jânio Arapiranga; o chorinho de Camila, Suelen, Kelly, Zé Quixin, Toezin Araújo, Tuzé de Abreu e Nelson Jussiapi.
O evento acabou se transformando em dupla homenagem, uma ao maestro que lhe empresta o nome e outra ao seu idealizador, o médico José Caires Meira, falecido poucos dias antes.
O público foi pequeno para o tamanho da cidade, mas de pessoas atentas à boa poesia e à boa música, lotando a Praça Zezinho Tanajura. A programação mais elogiada foi a de 28, mas o maior público foi no encerramento, dia 29.
A família do Dr. Zé Meira superou a própria dor pelo seu desaparecimento repentino e manteve a programação por ele deixada. E, nada mais justo, transformou o evento também em homenagem à sua memória.
Homem dinâmico, político na essência, muito lutou pelas causas socialistas, era presidente do Sindicato dos Médicos e tinha plano de se candidatar a vereador, em Salvador, onde residia.
Que toda essa força, persistência e determinação inspirem e estimulem sua família, a família de Lindembergue ou mesmo o poder público a continuar com a Jornada, raro evento cultural de relevo em Livramento.



A cidade de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, cresceu vertiginosamente, principalmente nas últimas três décadas. Fez isso sozinha, graças à inteligência empreendedora dos seus moradores e dos que vieram de fora, impulsionando seu desenvolvimento. Mas isso tem um custo muito alto, que é a desorganização urbana, resultado da falta de planejamento. A atual gestão chegou a fazer um PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano), mas como sua execução não é obrigatória, por ser cidade de menos de 20 mil habitantes, o plano foi engavetado, embora conste que tenha custado muito dinheiro aos cofres públicos.
Mas como o poder público, representado pelo prefeito, nada faz ou não faz na dimensão necessária, o povo faz, do seu jeito, com todas as inconveniências e precariedades inerentes à falta de planejamento e à ausência de técnica de urbanismo. Foi o que ocorreu, por exemplo, com a decantada segunda ponte entre a sede municipal e o bairro Taquari, através do prolongamento da Avenida Dr. Nelson Leal. É uma das obras de maior urgência da sede da cidade.
Usando recursos próprios, “engenharia” própria e partes da carroceria de um caminhão, um morador fez uma “segunda ponte”, viabilizando a ligação alternativa. A via é bisonha e o acesso a ela dar-se pelo meio do mato. Mas é o que o povo sofrido dessa cidade pode e soube fazer, representado por aquele morador, certamente inteligente e empreendedor. Quem sabe ele não deveria ser o prefeito! Veja as fotos e sinta vergonha, não do morador engenhoso, mas dos gestores omissos. A cidade merece isso?

Uma chacina impiedosa tirou a vida de dezenas de cachorros, de quarta para quinta-feira últimas, em Livramento de Nossa Senhora, na Bahia. Os animais foram mortos de modo gratuito por envenenamento, em vários bairros da cidade, como Tomba, Taquari, Primeiro Gole e Centro. A isca mortal eram pedaços de carne e alguns animais mortos chegaram a ser atirados nos quintais de algumas residências, podendo ampliar os riscos do veneno.
As principais vítimas foram cães que perambulam pelas ruas, em desespero, à procura de alimentos, mas animais com endereço certo e de estimação também foram atingidos. O autor da matança ainda não foi identificado, mas o crime já foi denunciado junto à Delegacia de Polícia Local, pelo líder comunitário Hugolino Lima, que ficou indignado com a exterminação.
Muitos cachorros foram vistos ainda agonizando, em cenas chocantes e desesperadoras. A notícia já percorreu toda a cidade, causando indignação geral. Há críticas contra a presença de cães sem dono pelas ruas, mas ninguém nunca sugeriu esse tipo de solução. Não existe canil público nem centro de zoonose em Livramento, para monitoramente de animais soltos. Apesar da gravidade do problema as autoridades municipais nada fazem.
O autor dessa chacina em Livramento entrou em sintonia macabra com pessoas de outras partes do mundo inteiro e deve merecer o repúdio da população, pois cerca de 20 milhões de cães são brutalmente mortos a cada ano, uma média de 38 por minuto. No Brasil, o art. 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) estabelece que:
“Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. § 1º. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. § 2º. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal”.
Estudiosos afirmam, porém, que a pena maior não é essa. A maioria dos autores dessas crueldades acaba passando por terríveis sofrimentos no final da vida, padecendo de doenças terríveis e incapacitantes. Já os espiritualistas dizem que sofrerão muito, ainda, na vida espiritual.

Mais de 10 feridos, alguns graves, deram entrada no Hospital de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, último domingo à noite, em razão de acidentes envolvendo motocicletas, segundo uma fonte do próprio hospital, acrescentando que a maioria dos casos tratou-se de atropelamento, envolvendo, inclusive, uma criança.
Depois de atormentarem os moradores do centro da cidade, com o ronco de descargas propositadamente desreguladas, em um domingo de terror, vários motoqueiros foram para o povoado de Canabrava, iniciando os festejos em louvor a São Gonçalo.
Um grupo de donos de motos, que antes era ordeiro, percorre cerca de 20 quilômetros até Canabrava, para homenagear o santo. Mas testemunhas disseram que, dia 22, eles abusaram de manobras arriscadas, o que teria sido causa dos acidentes e da insegurança que se instalou, principalmente para os pedestres.
Lamentavelmente, faltou ação policial para conter os abusos. Os verdadeiros devotos de São Gonçalo, aqueles que realmente rezam, em silêncio, e respeitam o homenageado, estão apreensivos sobre o que poderá acontecer no próximo final de semana, ponto alto dos festejos.
A tradição de mais de 200 anos sempre teve forte domínio do lado profano. O padre Zé Dias, hoje falecido, foi o primeiro a denunciar a “bagunça e a cachaçada” que atrapalhavam e desrespeitavam os atos religiosos. Atualmente, os padres também se queixam do mesmo problema.
As motos passaram a fazer parte da festa, mas as autoridades de Livramento fazem vistas grossas para a grande quantidade de veículos irregulares e de condutores sem habilitação, o que aumenta o risco e a insegurança para a população.
Familiares do médico José Caires Meira, que faleceu dia 7 deste, decidiram manter a IX Jornada Lindembergue Cardoso, que ele organizara e da qual foi idealizador. Trata-se de evento cultural, que se realiza na cidade de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, destinado a preservar a memória e a obra do conhecido maestro livramentense que lhe empresta o nome.
O evento será de 26 a 29 deste. Segundo a família, haverá homenagem especial póstuma ao idealizador e será mantida a programação por ele elaborada, tendo como atração principal o cantor e compositor Elomar, artista reconhecido internacionalmente, pelo trabalho de raízes regionais e eruditas que realiza.
Sob o lema Uma Música em Cada canto, o evento reunirá, em diversos pontos turísticos de Livramento, estilos variados, como chorinho, samba, pop-rock e baião, incluindo o resgate do cordel como importante manifestação literária.
Participarão, ainda, Fred Menendez e Orquestra, Jânio Arapiranga, Ely Pinto (cover de Raul Seixas), Tuzé de Abreu, Os Guará do Nordeste, Filarmônica de Brumado e Filarmônica Lindembergue Cardoso, de Livramento. Sempre mantida com doações do comércio local e de particulares, segundo os organizadores, nesta edição conta com apoio do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura da Bahia. Veja a programação, a seguir:
26/01, 19h - Praça Zezinho Tanajura: Grupo Musical de Dom Basílio; Fred Menendez e Orquestra (Salvador); Ely Pinto, o Cover de Raul Seixas (Rio de Contas); Banda Politrauma (Livramento).
27/01, 8h - Praça da Feira: Concertos Musicais com Fred Menendez, Tuzé de Abreu, Zé Quixin, Tõezin Araújo, Né Meira e Convidados.
28/01, 19h - Praça Zezinho Tanajura: Banda Androns; Literatura de Cordel com Creusa Meira, Ester Ligia Machado, Zé Walter, Alberto Lima e Onildo Barbosa; Sapiranga e Sérgio Bahia; Evandro Correia; Onildo Barbosa e Banda; Os Guará do Nordeste.
29/01, 9h - Filarmônica de Brumado (Praça Centro Diocesano) e Filarmônica Lindembergue Cardoso (Praça Zezinho Tanajura); 19h - Grupo de Flautas (Livramento), Jânio Arapiranga, Chorinho Cantado, com Camila, Suelen e Kelly & Zé Quixin, Tõezin Araújo, Tuzé de Abreu e Nelson Jussiape; 21h – Elomar, Lane Quinto (Jequié) & Sérgio Bahia e Daniel Santana.
A Associação de Produtores e Exportadores de Livramento (APEL) está divulgando, através do rádio, uma nota que requer muita atenção de consumidores locais e de outras regiões. Diz que foram realizados, em 2011, exames laboratoriais em amostras de mangas produzidas no município, nas quais foram detectados altos índices dos agrotóxicos acefato ou cefanol (nome comercial) e metamidofós ou tamaron (nome comercial).
O primeiro é proibido, por exemplo, em toda comunidade européia e está na mira da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser banido, também, do Brasil. Embora considerado de toxidade média, é de grande risco para a saúde humana, podendo causar mutações genéticas, câncer, distúrbios neuropsiquiátricos, dificuldades de aprendizagem, entre outras perturbações.
O metamidofós ou tamaron é ainda mais perigoso, de alta toxidade, pelo que seu risco para a saúde, principalmente quanto ao sistema nervoso, de humanos e outros animais, é também muito elevado. A manga não está na lista de produtos para o qual é liberado. Ele pode causar, por exemplo, neuropatias, levando à síndrome colinérgica, cujas consequências, dentre outras, são salivação, sudorese, lacrimejamento, paralisia muscular, dificuldades respiratórias, asfixia ou até mesmo a morte.
E tudo isso pode estar sendo ingerido pelos consumidores das mangas de Livramento e região. Um detalhe a ser considerado na nota dos dirigentes da APEL é a falta de alerta à população para os riscos que corre. Preocuparam-se apenas em chamar a atenção dos produtores, dizendo que “o uso de produtos não registrados para a cultura de manga pode afetar a comercialização, no mercado interno e principalmente na exportação”.
Acesse http://www.mandacarudaserra.com.br/artigos/2007/artigos_abril.html, para ler o artigo “Perigo que vem da manga” (O Mandacaru, 15.04.2007)
Depois de sete anos dizendo amém em quase tudo ao Poder Executivo, juntamente com a bancada da situação, os vereadores de oposição de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, votaram pela primeira vez contra uma lei orçamentária, a de 2012. O prefeito Carlos Batista já está no final do segundo mandato e sempre teve maioria folgada no Legislativo, a que sempre tratou com aparente desdém e mando imperial. Mesmo assim, no primeiro mandato (2005/2008), sofreu marcação cerrada da oposição, representada pelo vereador Paulo Roberto Lessa Pereira, quando as sessões da Câmara se tornaram célebres devido aos bate-bocas de nível detestável, mas que atraiam público. Talvez devido ao cansaço de tanto falar sozinho, depois que três dos seus companheiros da época (Everaldo Gomes, Leandro Araújo e Wagner Assis) debandaram para a situação, Paulo Lessa mudou de estratégia no segundo mandato do prefeito, ficando difícil distinguir quem era oposição de quem era situação. A reação veio, para valer, nas últimas sessões de 2011, chegando ao ápice nas votações da Lei Orçamentária de 2012 e do Plano de Carreira dos Professores, quando a minoria oposicionista (Paulo Lessa, João Amorim e Almir Cândido) chegou a encurralar os seis vereadores de situação (Lafaiete Nunes, José Araújo, Marilho Matias, Ilídio de Castro, João Louzada e Aparecido Silva) que foram obrigados a confessar que votavam como o alcaide mandava, independente do conteúdo do que estava sendo votado. Em entrevista exclusiva ao O Mandacaru, Paulo Roberto Lessa Pereira fala um pouco dessa virada, da sua visão pessoal sobre o governo municipal e das prioridades que tem para Livramento, na condição de pré-candidato a prefeito. Leia, a seguir:
Paulo Lessa: havia um tabu em apresentar emendas a projetos de leis orçamentárias |
Pela primeira vez, na gestão de Carlos Batista, a oposição vota contra uma Lei Orçamentária. Qual foi o principal motivo? Quais as inconsistências que o senhor encontrou no Projeto de Lei?
Sempre houve um tabu a respeito do orçamento, tradicionalmente aprovado por unanimidade. Sempre se criou dificuldades para apresentação e aprovação de emendas. Porém, em 2010, resolvi apresentar emendas à então lei orçamentária, que visavam contemplar reivindicações das comunidades livramentenses, colhidas pelo próprio Poder Executivo. Todavia, não foram aprovadas. Este ano, o orçamento foi apresentado repisando o mesmo plano de sempre, mas com algumas implementações absurdas, como as autorizações de empréstimos até mesmo junto a instituições financeiras internacionais, o que é totalmente inadequado para nossa realidade. Quando o Tribunal de Contas dos Municípios – TCM, por exemplo, questionou as despesas, em 2010, com o escritório de Contabilidade de Jequié, no valor de R$ 579.500,00, veio à tona um dos absurdos do orçamento daquele ano. Basta comparar esse valor, com a minguada verba para setores importantes, como turismo, agricultura e segurança pública.
Os orçamentos municipais, em Livramento, são sempre "cheques em branco" ao Prefeito. Como o Legislativo fiscaliza a execução orçamentária?
De minha parte, tenho feito visitas constates ao TCM, em Vitoria da Conquista. Acompanho todas as publicações no Diário Oficial e tenho feito varias representações junto ao Ministério Público. Por exemplo, denunciei a contratação, em 2010, da Cooperativa de Médicos de Feira de Santana, que consumiu, sozinha, mais de R$5 milhões do orçamento da Saúde do município; o contrato absurdo com a TRANSCOOB, que hoje drena, aproximadamente, R$3,8 milhões da Educação; a contratação irregular de servidores que gerou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que resultou em denúncia do Ministério Público, em 2011, pelo descumprimento do mesmo. Portanto, como um dos vereadores da oposição, tenho sido vigilante.
A Prefeitura de Livramento conseguiu inverter a equação imposta pela Lei de Responsabilidade Fiscal de 60% para folha de pessoal e 40% para o resto. No caso, tem-se uma poupança de 20%. Onde são aplicados esses recursos e qual o montante?
Realmente, é um ponto a ser muito discutido, pois isso não é uma economia. Ele aplica aproximadamente 40% com despesa de pessoal, mas sacrificando os funcionários efetivos e de carreira do Município. Desde 2005, quando o atual prefeito assumiu, ele não fez sequer uma correção salarial, a não ser, por ser obrigatório, para os que ganham salário Mínimo, e os seu apadrinhados. Para estes, ele baixa decreto determinando o pagamento de até 100% de gratificação. Os servidores de carreira que prestaram concurso na época com salários correspondente a três salários mínimos hoje recebem apenas um salário mínimo. Ou seja, houve uma perda de dois terços em seus vencimentos.
Outro fato que gera a falsa economia de 20% é o não recolhimento ao INSS das contribuições descontadas dos servidores. Como o recolhimento é caracterizado como despesas de pessoal, ele não recolhe. A dita economia é usada para contratação, por exemplo, de serviços como os que levaram do nosso orçamento, em 2010, aqueles R$590.500,00, que causaram espanto aos conselheiros do TCM, pois não houve o assessoramento usado como justificativa dos gastos. Vão, também, para os gastos superfaturados do transporte escolar. Sabe-se que existem linhas com quilometragem bem acima da real ou que deixaram de existir, pela desativação da escola, mas que não foram excluídas dos gastos. E muitas outras despesas feitas sem uma finalidade devidamente explicada. Isto é, muitos pagamentos a pessoas são feitos fora da folha de pessoal.
A cota para o Turismo, no orçamento de 2012, é de R$12.000,00. Na opinião do senhor o que é possível fazer com esses recursos?
Nada, é irônico! São preenchidos todos os cargos disponíveis na pasta, para não se fazer nada. Não tem nem orçamento. Só o secretário ganha mais de R$40 mil no ano.
O orçamento de 2012 veio com uma novidade, a autorização para créditos suplementares, caso venha a ser necessário. O senhor poderia explicar quanto de recursos a mais serão alocados e quais os projetos específicos a que se destinam?
Crédito suplementar passou a ser muito usado a partir da Lei nº 101, que sepultou os orçamentos superestimados, pois estes demonstravam que a administração não tinha um planejamento. Sequer tinha noção da arrecadação. A partir daí, começou-se a exigir um orçamento próximo da receita. Como a lei não proíbe a suplementação, em Livramento, o orçamento começou a prever 100% de suplementação, antecipadamente. Isso é considerado abusivo, pelos especialistas na matéria. Até 20% seria aceitável, levando-se em conta que, quase sempre, o Município tem superávit anual de 10% a 15%.
Qual a possibilidade da Prefeitura pagar, em 2012, a dívida trabalhista de R$12 milhões, aproximadamente, aos professores? Há previsão orçamentária para isso?
Como este governo ignora tudo que se refere à Educação, não seria diferente com essa dívida para com os professores, que tiveram seus direitos transgredidos, em 2005, ao serem, arbitrariamente, penalizados com a redução de 20 horas em sua carga horária, somente por mero capricho político, que iniciou a gestão com a mais mesquinha das perseguições. As vagas tomadas ilegalmente dos professores efetivos seriam para atender aos pedidos de empregos de pessoas que votaram no atual grupo político. Os professores, de maneira pacífica e serena, recorreram à justiça e já ganharam em todas as instâncias, faltando apenas a finalização dos cálculos já feitos. Os professores contrataram, em Vitoria da Conquista, um profissional de contabilidade, deixando evidenciada a legitimidade dos seus direitos. A falta de inclusão de recursos no orçamento para esse pagamento, no exercício de 2012, revela mais uma negligencia ou má fé do atual gestor, que é o principal responsável pela geração do débito.
Qual teria sido o objetivo do governo municipal, no apagar das luzes da atual administração, ao criar uma secretaria de Fazenda? Em quanto isso vai onerar o município e quais as vantagens e desvantagens do novo órgão?
Em uma primeira análise, não vejo qualquer necessidade, a não ser onerar o município, sem qualquer contrapartida. Além de novo secretário, ao custo de quase R$50 mil por ano, será exigida toda uma estrutura física e de pessoal, gerando mais despesas. Como tudo foi feito após a aprovação da Lei Orçamentária, não sabemos ainda quanto será destinado para a nova pasta. Nenhuma vantagem foi citada na justificativa do projeto. Para mim, trata-se, tão somente, de uma promessa, quem sabe, de promover o atual tesoureiro, dando-lhe o status de secretário. Talvez uma promessa antiga, de família.
Por que Livramento, com o maior orçamento da região, uma fruticultura com faturamento acima de um bilhão de reais por ano, tem 90% da sua população formada por pobres e miseráveis?
Realmente, temos que encarar com muita seriedade esta questão. O IBGE nos mostra que 35% da polução vivem com renda abaixo da linha da pobreza, tanto é que existe mais de 5.000 famílias cadastradas no Programa Bolsa-Familia. Temos que criar mecanismos para que todos possam participar da riqueza do Município, criar incentivos na área da educação, para evitar a evasão escolar, principalmente nos bolsões de pobreza. Inscrever essas famílias em programas que dessem condições para seus filhos concluir o ensino médio. Além disso, é preciso incentivar mais o plantio de maracujá nas pequenas propriedades, buscando mais tecnologia, investimentos subsidiados e assistência técnica. Temos de incluir o Município no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que é uma das ações do conhecido Programa Fome Zero, promovendo o acesso das populações em situação de insegurança a uma alimentação adequada. Promover a inclusão social e econômica no campo, por meio do fortalecimento da agricultura familiar, identificação e qualificação profissional dos jovens em situação de risco social, ampliação do PROJOVEN, tanto na zona urbana como rural, levando para todos os bairros, vilas, distritos e povoados.
Conforme vem sendo anunciado, o senhor é pré-candidato a prefeito, na eleição deste ano. O senhor poderia listar pelo menos cinco grandes projetos do seu provável plano de governo e onde seriam localizados?
Sim, posso. Seriam, por exemplo:
Sistema de água para a Vila de Iguatemi – Hoje, com as novas tecnologias tornou-se muito fácil fazer um projeto para levar água para comunidades distantes. Vejamos os exemplos da Adutora do Algodão que sai da região de Malhada e Carinhanha, percorre 265 km e chega ao vizinho município de Lagoa Real. É só lutar e conseguir, pois nossa distância é bem menor, cerca de 40 km, e vamos atender a cerca de 14.000 pessoas.
Na educação, temos que pensar em fazer algo profundo, como implantar no Bairro Benito Gama uma escola de tempo integral, oferecendo apoio psicopedagógico, esportivo, saúde mental e física, como também lazer para inserção dos jovens na sociedade. O ensino fundamental II e médio devem ser de cursos técnicos profissionalizantes, para facilitar o ingresso no mercado de trabalho. Tornar a rede Municipal de ensino mais atraente, valorizando e remunerando melhor os profissionais da educação. Aplicar melhor os recursos do FUNDEB, sem desvios, melhorar a qualidade do transporte escolar, com valor muito menor do aplicado hoje, entorno de 33% do orçamento do setor da Educação. Revitalizar todos os Colégios da Zona Rural: Iguatemi, São Timóteo, Arrecife, Mocambo, Itanagé, Várzea, Itaguaçu e Lagoa Nova. Dar atenção especial às escolas isoladas e estimular a qualificação profissional dos professores.
Em 2011, o Hospital de Livramento recebeu R$ 3.514.473,82 e o SAMU recebeu R$480 mil, conforme Portaria nº 448, de 16 de março, do Ministério da Saúde. Portanto, tivemos os recursos necessários para dar uma saúde de qualidade ao povo de livramento. Só faltou uma boa gestão. Para pontuar, o orçamento da Saúde, em 2012, é de R$12.564.100,00, o que é superior a um milhão por mês. Que mais será preciso, a não ser uma boa gestão, bom planejamento e foco nas necessidades da população? Temos de pensar em construir anexos ao hospital, como uma maternidade, além de setores especializados, muito demandados atualmente, como pediatria e, claro, unidade de terapia intensiva. Será imperiosa a aquisição de aparelhos de diagnósticos, como tomógrafos, de eletro cardiograma, vídeolaparoscopia. É preciso melhorar o atendimento na Policlínica, em todas as suas especialidades básicas. E não poderá faltar um plano de carreira para os servidores da área de saúde, oferecendo segurança e estabilidade aos profissionais. Com a gestão plena de saúde já existente no município, a elaboração e execução desses projetos será bem mais fácil.
Na infra-estrutura, há muito por fazer, como resolver a questão das águas pluviais, retirando-as da rede de esgoto, além da própria ampliação e modernização, que exigirá altos investimentos, do sistema de esgotamento sanitário, incluindo não apenas o centro da cidade, mas também bairros como Benito Gama, Taquari, Estocada e as áreas de expansão. Revitalizar a Lagoa da Estocada, sobre a qual recebi de presente um belíssimo projeto do amigo e estudante de Urbanismo Herbert Tadeu Azevedo. O transito de veículos pesados terá de ser desviado do centro da sede do município, revitalizando os acessos à nossa cidade, que já ganhou fama de ter o corpo bonito e a cara feia. E, por óbvio, implantar o seu sistema de trânsito e de tráfego, de há muito reclamado pela população.
E já que todo mundo diz que quer o bem para o município, como o senhor veria a possibilidade de um "chapão", em que todos os políticos de Livramento se unissem, em bloco único, nas próximas eleições, rompendo-se com a antiga polarização que já se demonstrou ineficaz no que se refere ao atendimento das necessidades da população?
Não se tem noticia no Brasil que este fato já tenha ocorrido, mas penso que se existir aqui, não a polarização em torno de dois nomes, mais a união das oposições em torno de um projeto viável para Livramento, com a escolha da pessoa que melhor conduzirá o processo, acredito que estaremos fazendo um grande bem a Livramento.

O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia julgou, em 2011, a prestação de contas de 406 prefeituras, das quais 30% foram rejeitadas, por irregularidades insanáveis, e as demais aprovadas com ressalvas. Julgou, também, as contas de 411 câmaras de vereadores, 22% das quais tiveram as contas rejeitadas; 75% aprovadas com ressalvas e apenas 3% tiveram aprovação plena.
Segundo o TCM, as principais causas de rejeição foram inobservância dos percentuais e limites constitucionais para despesas com saúde e educação; desrespeito ao art. 29-A, da Constituição Federal, que disciplina gastos do Poder Legislativo; e artigos 42, da Lei de Responsabilidade Fiscal, que regula despesas em final de mandato; artigos 20 e 23, da mesma lei, que limita gastos com pessoal.
Por conta das irregularidades detectadas, somente em 2011, o TCM imputou multas aos gestores de quase R$9 milhões e determinou ressarcimentos ao erário superiores a R$38 milhões. O total, em 12 anos (2000-2011), soma R$50,4 milhões (multas) e R$224 milhões (ressarcimentos), envolvendo prefeitos, presidentes de câmaras e outros servidores.
Os gestores e vereadores de Livramento de Nossa Senhora contribuíram para essas penalizações com R$34.600,00 (multas) e R$370.574,24 (ressarcimentos). Esses débitos deveriam ser executados pelo Município, a partir de notificação do TCM, mas nenhuma providência tem sido tomada nesse sentido e isso poderá vir a ser invocado na aplicação da Lei da Ficha Limpa, em vigor a partir deste ano.
Entre os imputados de Livramento, prefeito, ex-prefeito, vereadores, ex-vereadores e outros servidores, constantes no link de transparência do TCM, incluindo multas e ou ressarcimentos, de 2000 a 2011, em valores históricos (sem correção), estão:
Carlos Roberto Souto Batista (R$111.235,43); Emerson José Osório Pimentel Leal (R$5.000,00); José Oliveira Silva (R$593,76); Luiz Tadeu Alves (R$177,76); Maria de Lourdes Souza Leal (R$177,76); Neilor Monteiro Lima (R$22.657,45); Everaldo Santos Gomes (R$22.657,45); Ilídio de Castro (R$30.284,74); Jorge Luiz Lessa Pereira (R$22.657,45); José Araújo Santos (R$20.857,45); José Maria Matos (R$22.657,45); João Araújo Louzada (R$20.857,45); Juscelino Bonfim de Souza (R$22.657,45); Lafaiete Nunes Dourado (R$13.155,79); Marilho Machado Matias (R$21.574,50); Paulo Roberto Lessa Pereira (R$22.657,45); Ricardo Luiz Silva Matias (R$22.657,45); e Zeferino Wagner Assis Santos (R$22.657,45).
A origem das multas é sempre punição pela prática de alguma irregularidade na gestão. Os ressarcimentos são aplicados aos gestores que fazem despesas indevidas ou a qualquer servidor, seja vereador ou não, que recebam valores indevidamente.
(Fontes dos dados: http://www.tcm.ba.gov.br/resumo/resumoMulta.html, acessado em 15.01.2012)
O prefeito Carlos Batista, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, defenestrou pelo menos sete auxiliares de primeiro escalão, nos dois mandatos (2005-2012). Três deles foram indicados por partidos coligados: Gerardo Júnior (Saúde), Elvio Nunes Dourado (Agricultura) e Antônio Fernando Assis (Agricultura). Os demais foram Simone Cordeiro (Saúde), Ester Lígia Almeida (Educação), Neide Araújo (Educação) e Edjaneyde Lopes (Controladoria). No meio, houve peixes pequenos como Paulo Trindade (Chefe de Transportes).
Edjaneyde Lopes Matos: a ex-controladora |
Porém, os que talvez mais se enquadrem no significado de defenestração sejam Gerardo Júnior e Ester Ligia, dos quais não se ouviu dizer que desejavam deixar os cargos. Os outros saíram a pedido, alegando divergências com o governo municipal, exemplos de Antônio Fernando Assis e Elvio Dourado, ou por conveniências pessoais, como Simone Cordeiro e Neide Araújo. Mas há os que saíram pela conveniência do próprio alcaide, como consta ter sido os casos de Edjaneyde Matos Lopes, a controladora, e Paulo Trindade.
A presença dos dois últimos em cargos formais na administração tornou-se um incômodo para Carlos Batista, pois, além de servidores públicos nomeados, eram, também, prestadores de serviços à Prefeitura. Consta que a ex-controladora, além de assalariada, era sócia da empresa CPM Consultoria Ltda., que teria faturado, só em 2010, mais de meio milhão de reais, considerado irrazoável para um município pobre como Livramento. Depois dela, a Prefeitura passou a ter custos milionários com consultoria, viagens e diversos outros pagamentos a terceiros, como revelam as peças orçamentárias.
O ex-chefe de Transporte, Paulo Ribeiro Trindade, atuava através da esposa, Irleide de Oliveira Bitencourt Trindade, vencedora de mais de uma concorrência para prestar serviços ao município. A última delas ocorreu em 24 de outubro de 2011, exatamente 27 dias antes da exoneração do marido. Os serviços contratados, de R$151.000,00, são para atender “as necessidades da Secretaria de obras” do município, conforme “extrato de contrato” publicado no Diário Oficial Eletrônico do Município. No site do Tribunal de Contas do Município, consta a previsão de pagamento a “Bittencourt Locação de Máquinas”, o valor de R$195.045,00, mas não se sabe se é mesma pessoa.
O que se especula é que o afastamento dos dois servidores nomeados, Edjaneyde Lopes e Paulo Trindade, teria ocorrido para evitar suspeitas sobre as licitações, ante a possibilidade de estarem maculadas pelo tráfico de influência. Em outras palavras, seria, em tese, uma tentativa de corrigir vícios jurídicos no processo licitatório, impedindo a futura aprovação das contas. Mas, ainda assim, o risco subsistirá, pois, à época do pregão, os servidores ainda ocupavam os respectivos cargos, o que poderá esbarrar nos órgãos fiscalizadores, como TCM, partidos de oposição e Ministério Público.
Projeto de Lei cria nova estrutura, com mais 660 cargos, para o Ministério Público Federal, cujo objetivo seria a melhoria do atendimento que presta em todo Brasil. Mas a medida prevê custos para a União de 300 milhões de reais e vem sendo vista com ressalvas. Leia mais>>

Faleceu hoje, por volta das 14h, no Hospital Geral do Estado da Bahia, em Salvador, o médico José Caires Meira, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia,
natural de Dom Basílio, município vizinho a Livramento de Nossa Senhora (BA). O médico sentiu-se mal, quando participava do jogo semanal de futebol, entre colegas, chegando a ser socorrido, mas sofreu um infarto fulminante.
O corpo será velado em duas etapas, a partir das 18h de hoje, na sede do Sindimed (Rua Macapá, 2410, em Ondina, Salvador), e a partir das 8h de amanhã, dia 8, no Cemitério Jardim da Saudade, bairro de Brotas, também em Salvador, onde ocorrerá o sepultamento, cujo horário ainda não foi confirmado.
Dr. José Caires Meira faria 53 anos de idade, dia 1º de junho próximo. Ultimamente, ele trabalhava nos últimos preparativos da Jornada Lindembergue Cardoso, programada para 26 a 29 deste mês, em Livramento, uma homenagem, já na nona edição, ao consagrado maestro e ex-professor da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, nascido em Livramento.
Ilídio de Castro: da "facada" ao inferno astral |
O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, Ilídio de Castro, entrou definitivamente no “inferno astral”. Ainda não refeito da dor da facada que diz ter sentido com os apupos dos professores, ao ser acusado de capacho do prefeito, por rejeitar sistematicamente, a mando de Carlos Batista, as emendas ao Plano de Carreira da Educação, acaba de ter sua prestação de contas de 2010 rejeitadas pelo TCM, conforme Parecer Prévio nº 987/11 daquela corte, divulgado esta semana.
O Tribunal de Contas dos Municípios detectou diversas irregularidades, não esclarecidas pelo gestor, como vícios em processo licitatório; gastos exagerados com seminários (R$195.450,00), violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da economicidade; e despesas com divulgação, sem comprovação da matéria publicitária veiculada, no valor de R$5.400,00. Em 2010, o Legislativo recebeu verba orçamentária de R$1.395.983,89, dos quais R$970.371,35 foram gastos com pessoal.
Pelas irregularidades que levaram à rejeição da prestação de contas, o TCM imputou a Ilídio de Castro, então presidente da Casa, multa de R$1.000,00 e ressarcimento do valor gasto com publicidade não comprovada de R$5.400,00. A rejeição das contas é decisão que não cabe exame do Legislativo e se tornará definitiva, ao transitar em julgado, no prazo de 30 dias, tornando o gestor inelegível por oito anos, conforme dispõe a Lei Federal da Ficha Limpa.
Veja na íntegra o julgado do TCM:
Contas - Camara de Livramento multa>>
Contas - Camara Parecer previo>>
Jornalista

O vereador Ilídio de Castro, carrasco dos professores na Comissão de Justiça e Redação da Câmara de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, que examinou as emendas ao Plano de Carreira dos Funcionários da Educação do Município, tentou redimir-se, na última sessão do ano, dia 30, dizendo: “Nós todos aqui fomos omissos, faltou carinho aos professores e mais atenção ao projeto”. E que “nos induziram a cometer este ato contra os professores”, “foi colocado um cego para nos guiar”, “foi um erro nosso nos reunir novamente com Geraldo”. E concluiu: “acho que faltou zelo por parte desta casa.
Os vereadores José Araújo, Aparecido Silva e Marilho Matias preferiram colocar a culpa na imprensa, sem, contudo citar um veículo específico. Mas o único que escreveu sobre o assunto, na cidade, foi O Mandacaru, cuja matéria foi transcrita pelo site Mural de Notícias, do jornalista Yonélio Sayd. Para José Araújo, “algumas pessoas da imprensa” teriam errado ao dizer que ele chamou os professores de mal educados, quando, segundo ressalvou, não foram todos. Como ele não mencionou nomes, toda categoria sentiu-se ofendida, reagindo com vaias e abandonando o auditório.
A maior preocupação do vereador Marilho Matias foi com familiares e amigos importantes, pelo Brasil afora, que acessam o site, tomando conhecimento do acontecido. “Quero recriminar” [a divulgação], disse ele, entendendo que a reação dos professores à postura dos vereadores de votar como o prefeito mandou e a divulgação dos fatos colocaram os edis como “verdadeiros criminosos da Educação” e arrematou: “é triste para nós”. Não é mais triste do que para os servidores e a coletividade, ao verem os representantes que elegeram transformados em capachos do Poder Executivo.
Os vereadores da situação, apesar do mea-culpa, considerado tardio por sindicalistas e servidores, nada disseram sobre a subserviência ao prefeito. A desculpa de não conhecerem a reivindicação dos servidores é frágil, pois data de 2009, quando se tornou tema de constantes e veementes apelos, da própria tribuna da Câmara, feitos pelo vereador da oposição Paulo Lessa Pereira.
Amadora e tola foi, também, a atribuição de culpa à imprensa, que, no caso, resumiu-se ao O Mandacaru, o qual repudia a tentativa de atentar contra a liberdade de imprensa e de manifestação do pensamento. Teria sido bem mais tranquilo para os edis que nada se divulgasse e a comunidade nada soubesse.
Ilídio de Castro exagerou e se vitimizou ao dizer que os apupos de “vendidos”, “corruptos”, “bananas”, vindo dos professores, doeram muito e as costas viradas e esvaziamento do auditório foram como uma facada no peito dos vereadores. E o que teriam sentido os servidores, antes, ouvindo a justificativa servil: “não é porque eu quero votar contra, mas é porque é como nos mandaram votar”.
Jornalista
Especula-se que 2012 é um ano cósmico, com previsão de transformações aterradoras no sistema planetário, incluindo o próprio fim do mundo. Embora pretensiosos e arrogantes, os homens pouco sabem sobre sua própria origem, mas arvoram-se a prever, com tola precisão (hora, dia, mês e ano), quando tudo acabará. Ignoram até mesmo a impossibilidade lógica de isso ocorrer e não consultam Deus, o criador, a respeito.
Deveriam mais era voltar os olhos para a miséria humana, na Terra. O único acontecimento “cósmico” certo para 2012, restrito ao Brasil, são as eleições municipais, para as quais os preparativos há muito começaram. Essa, sim, será a grande catástrofe, em que os ladrões da política vão empurrar ainda para mais fundo os milhões de pobres e miseráveis deste país.
Incluso nosso Livramento de Nossa Senhora, Bahia, onde o futuro e as estratégias políticas são discutidos no calor dos inferninhos, sob a influência de fluidos hidrocarbônicos. A pré-campanha eleitoral foi lançada ano passado, com nomes postos e tudo, como fez o próprio prefeito da cidade, Carlos Batista, que, mesmo sendo muito criticado como gestor, é exímio articulador político, em prol de interesses paroquiais.
A res pública passa ao largo e, com aval irrestrito da maioria subalterna que mantém na Câmara de Vereadores, o alcaide governa contra o povo, há sete anos, sem corresponder com a adequada prestação de contas dos “cheques em branco” que recebe do Legislativo, na forma de orçamento e leis autorizadoras. Seu histórico inclui duas contas (2006/2007) rejeitadas pelo TCM, por irregularidades, como fraudes em licitações, e três aprovações, no velho estilo ACM, com ressalvas e imposições de multas e ressarcimentos ao erário, somando hoje suas penalizações R$110.000,00.
Os últimos movimentos da administração municipal apontam nitidamente para os preparativos eleitoreiros, aí incluindo a criação, ao apagar das luzes do governo, de uma secretaria municipal de fazenda. Se não foi necessária em sete anos, por que o seria no último ano de governo? A lei orçamentária de 2012 dá sequência aos cheques em brancos, aprovados com o voto unânime dos seis vereadores da situação e a unanimidade contra dos três oposicionistas, à frente Paulo Roberto Lessa Pereira, líder da bancada.
Como sempre, de forte teor ficcional, o texto do projeto de lei aprovado possui pérolas como a inserta na mensagem de apresentação: “O planejamento [que não existe no município] se operacionaliza mediante a programação, esta por assim dizer, consiste num detalhamento das proposições genéticas, para obtenção de sua concretização”.
A expressão é digna de um refinado ghost-writer, como parece ser o que a prefeitura contratou por mais de meio milhão de reais por ano. Ela e outras, como “Não se pode mais ser entendido [o orçamento] como uma simples Lei disciplinadora da utilização do erário político” (grifamos), não foram questionadas pelos títeres, que não as devem ter entendido. O que significaria, por exemplo, “proposições genéticas”?
No geral, a obra, de R$39.239.242,83, é conservadora, com alguma melhora na redação, em relação às anteriores. A distribuição de recursos segue o padrão anterior de falta de especificação de projetos e desproporcionalidade. Exemplo: Secretaria de Governo (R$580.500,00), Secretaria da Agricultura, Comércio e Serviços (R$472.000,00), Secretaria de Turismo, que inclui Esporte e Lazer (R$466.000,00); passagens e despesas com locomoção (R$2.785.500,00); segurança pública (R$95.500,00); controle interno (R$256.000,00); turismo (R$12.000,00). Não vimos previsão de pagamento da dívida trabalhista de mais de R$12.000.000,00 com os professores.
Há autorização, no art. 5º e incisos, ao Poder Executivo para “abrir créditos suplementares até o valor correspondente a 100% dos orçamentos fiscais e da seguridade social”. A previsão é admitida no art. 7º da Lei Federal nº 4.320/1964, mas faltou a motivação sobre a necessidade da medida. O mesmo acontece com a autorização do art. 8º, para empréstimos e oferecimento de garantias para saneamento e habitação em áreas consideradas subnormais, como favelas, cuja especificação, no entanto, foi omitida no projeto.
O Poder Executivo também manteve a tradição de viver à míngua de repasses estaduais e federais, com menos de 10% de receitas próprias, demonstrando falta de inteligência e capacidade de gerar renda. Apesar de a sede municipal ter os imóveis mais caros do Estado, a previsão de arrecadação do IPTU é de pouco mais de R$70 mil. O município, como pólo de fruticultura, fatura mais de R$1 bilhão por ano, gera subempregos e nenhum centavo para os cofres municipais. O setor goza de isenção tributária, mas existem mecanismos legais que possibilitariam a contrapartida social dos produtores.
A sede do município carece de obras de infra-estrutura. Há um PDDU e um projeto de organização do tráfego e do trânsito engavetados. Urge que se faça a complementação da Avenida Dr. Nelson Leal, nas duas pontas, cuja vocação é se tornar o eixo monumental da cidade, além da pavimentação de diversas ruas e praças. Tornou-se imperiosa a construção de um anel rodoviário, afastando o tráfego pesado, que vem destruindo o piso do centro da cidade e, junto, a construção de um porto seco. Sem falar das precariedades das áreas de saúde e educação, gestão e tratamento água, e proteção do meio ambiente.
Essa é a principal agenda a ser discutida nesse ano eleitoral, conforme desejo da comunidade. Nenhum dos pré-candidatos tocou na questão com a seriedade e profundidade necessárias. Por enquanto, o cenário político-eleitoral gira em torno das vaidades, cada qual querendo ser o futuro rei, sem pensar nas responsabilidades a serem enfrentadas. Na comunidade, apenas a expectativa sobre quem deles poderá vir a ser o menos pior.


As especulações dirigem-se para velhos caciques, definidores da eleição, daí não se esperar surpresa, nem mesmo para pior. Carlos Batista quer provar o poder acumulado em oito anos e fazer o sucessor. À sua disposição, há um empedernido pretendente, Ricardo Ribeiro, “Ricardinho”, e um trunfo, Paulo Azevedo, vice-prefeito. Está, assim, entre a cruz da fidelidade grupal, que o impulsiona a apoiar o empresário, e a espada da viabilidade eleitoral, que o impele para o colega médico. Resta-lhe a escolha de Sofia.
Emerson Leal, seu principal adversário, quer provar que ainda não morreu e aguarda o que considera o momento certo de dar o bote. Para muitos, estaria atrasado. Tem a si mesmo e o vereador Paulo Lessa na agulha. Se não conseguir atrair adesões, um será o vice do outro. Se Carlão soubesse qual seria dos dois, já teria definido entre Ribeiro e Dr. Paulo.
No tabuleiro, há também a força, ainda desorganizada dos partidos pequenos, que fazem a população sonhar com novidades, para neutralizar a desgastada polarização atual. Faltaria, porém, o traço de união galvanizador. Seria Gerardo Júnior ou o próprio Paulo Azevedo? Há crenças e desconfianças. Mas poderia ser qualquer outro que balançasse o coração dos esperançosos e que tivesse as qualidades morais e intelectuais necessárias.
Esse é o ou são os cenários. Que venha o que tiver determinação, vontade política e qualificação moral e intelectual para livrar Livramento do buraco em que está se afundando.
Jornalista
Segundo o dicionário on line de Português, a expressão “ficar de quatro” significa “apoiar-se nos pés e nas mãos ao mesmo tempo”. Mas outras fontes de sinônimos dizem que simboliza, também, o gesto de subserviência absoluta, sem qualquer resistência, de um indivíduo em relação a outrem. Tanto que é comum se dizer que alguém “caiu de quatro” por outro ou diante de um subjugador.
Já a literatura erótica associa o significado à expressão em inglês doggy style, ou seja, estilo cachorrinho, que revelaria a total entrega feminina, dentro dos cânones do amor, na plena intimidade, durante a atividade sexual. Essa seria uma acepção pura, natural, que deriva da beleza do genoma humano, que estaria na própria raiz da nossa existência. Uma posição, portanto, bela em todos os sentidos, embora conspurcada, hoje em dia, lamentavelmente, pela indústria pornográfica.
Mas, antes que alguém pense em processar o jornalista, a expressão é explorada neste texto, metaforicamente, no sentido de subserviência e fraqueza de ânimo. Não nos responsabilizamos se alguém, de mente própria, resolver tomá-la em outro sentido. “De joelhos”, por seu turno, é o mesmo que “genuflexo”, “ajoelhado”, ou seja, postar-se com os joelhos no chão. No sentido conotativo, quer dizer “prostrado”, “humilhado”, “contrito”.
Essas foram as sensações deixadas na maioria das pessoas que assistiram, no último dia 23, à sessão da Câmara de Vereadores de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, em que foram votadas e rejeitadas emendas ao Plano de Carreira dos funcionários da Educação do município. Eles queriam fixar direitos, melhores condições de trabalho e de perspectivas de vida digna. Queriam o justo e o consentâneo com a dignidade do mister que exercem, queriam suprir falhas engordadas ao longo de anos.
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Queriam, por exemplo: enquadramento automático nos direitos adquiridos; indenização por deslocamentos; comissão paritária para avaliação de desempenho; garantia de recursos no orçamento; estabelecimento de critérios para assunção de horas adicionais, sem apadrinhamento; garantia de atualização salarial a cada ano; incentivos aos que ensinam na zona rural; vale alimentação para os que residem em repúblicas nos distritos; elevação de nível como incentivo aos que se aprimoram em cursos de pós-graduação. Miudezas, portanto!
Não deve o Legislativo aceitar pressão, seja de que lado for, mas o movimento dos professores e outros funcionários da educação foi legítimo. Buscaram o diálogo e apresentaram todos os esclarecimentos e justificativas possíveis, tanto que apresentaram as reivindicações através de um membro da própria Casa Legislativa. Conversaram à exaustão, previamente, com os representantes do Legislativo, tinham a consciência de que nem tudo que pretendiam seria aprovado, mas não esperavam o massacre que sofreram, com a rejeição sistemática de pelo menos 70 das 74 postulações que fizeram.
Depois de receberem juras e promessas de apoio, exatamente pela justeza das reivindicações e o merecimento de uma categoria da qual muito depende o desenvolvimento deste pais, tiveram de conviver com o cinismo e o sarcasmo do recuo dos vereadores que apóiam o governo, por conta de uma ordem constrangedora que teria sido dada pelo chefe do Executivo: votar contra. Aliás, o próprio parecer contrário às emendas da classe teria sido engendrado, de forma considerada amadora e aviltante, pela consultoria do prefeito.
E a ordem da degola veio, da corte municipal, o Poder Executivo Imperial, sem dó nem piedade, como confessado por um dos protagonistas da pantomima em que se transformou a sessão legislativa, na frase sem brio, que envergonha: “não é porque eu quero votar contra, mas é porque é como nos mandaram votar”. Nessa hora, o Poder Legislativo de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, ou parte dele, abaixou a cabeça e pôs-se “de quatro”; e a Educação, quedou-se, estupefata, “de joelhos”.
Mas os docentes demonstraram altivez, ao esvaziar o auditório da Câmara, vaiando “vossas excelências”, os vereadores, que se retiraram, em corredor polonês, de cabeça baixa, conscientes de que contrariaram o interesse do povo que diz representar. E a tudo se seguiu o silêncio perturbador do resto da população. So, God save the King! É como há de ecoar, sem pejo, in the doggy style, a voz dos poltrões!
Professora

Num cenário preto e branco, por trás de um pequeno bigode, surge um homenzinho de calças largas, andar desengonçado, olhar um tanto melancólico, minúsculo chapéu coco e uma bengala que brinca em suas mãos. Chaplin revolucionou o mundo cinematográfico da forma mais silenciosa possível, enchendo a tela de poesia, ingenuidade, riso e verdade.
Ele fez de Carlitos um personagem célebre e impagável, projetado através da imagem do inocente vagabundo, o qual, ao se identificar com os humildes, desmistificou a falsa dignidade burguesa. Cambaleava pela ruas, imprimia nos passos ligeiros uma pressa descompassada como os sentimentos que, ao mesmo tempo, afastam e aproximam os homens, da forma mais vertiginosa possível.
Esse personagem imortal nasceu inspirado num velho cocheiro londrino, ébrio, de andar oscilante, que tentava buscar um pouco de equilíbrio nos imensos sapatos surrados, tal qual seus sonhos de eterno vagabundo. Nasceu do povo humilde e, se não fosse o cinema o aproximar dos homens, ficaria assim, anônimo para sempre, o que não aconteceu, pois se igualou ao seu criador, transpondo-se para o sucesso e a popularidade da história do cinema mundial.
Charles Chaplin morreu em plena noite de Natal, quando o mundo estava em festa. Fechou os olhos para a tela viva da vida de forma lenta, contrária a sua obra e aos passos do seu personagem inquieto, irreverente, que pelo movimento, agilidade e inteligência dominou o homem e criticou a sociedade de forma simples e humana. "Não sois máquina, homem é que sois". "Por que odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos!". "O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos desviamos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passos de ganso para a miséria e o morticínio."

Viveu fazendo tantos questionamentos. Morreu sem respostas. O pequeno-grande herói do cinema mudo nos falou tanto, nos dizendo muito, nas mais variadas formas de expressar amor, tristeza, indignação, esperança, alegria, emoção: cineasta, artista circense, comediante, garçom, agitador social, compositor, ator, diretor, articulador de idéias e pensamentos...
O inquietante vagabundo continua andando por aí, sem saber aonde ir, buscando sem saber o quê, perguntando muito, tendo o nada como resposta. Representa milhões de pessoas, num deserto solitário de seres solidários. "Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido".
Vês, Chaplin? Estás me ouvindo? Como eu gostaria de ver, de novo, na tela, mesmo descolorida de esperança, o inocente vagabundo que emocionou o mundo no silêncio da pantomima que denunciava a miséria, satirizava a sociedade, a imponente resignação das pessoas desprovidas de tudo! Cada gesto era um suspiro da platéia, cada olhar era uma lágrima inquietante e, que, de repente, era substituída pelo riso ensurdecedor dos espectadores, naquele carrossel de ilusões.
Queria novamente ouvi-lo dizer: "sorri quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios...” e indagar: "para que chorar o que passou, lamentar perdidas ilusões, se o ideal que sempre nos acalentou renascerá em outros corações".
Levanta os olhos! Vês, Chaplin? Estamos tentando encontrar um mundo novo, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da violência, como Carlitos tentou encontrar... e não o encontrou. Ergue os olhos, Chaplin! Ergue os olhos desses humanos, que continuam empedernidos e cruéis!
Acesse vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=bbtSJ3bhzGE para ouvir “Luzes da Ribalta”, na voz de Maria Bethania.


Raimundo Marinho
Jornalista
O Poder Legislativo de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, no ano de seu 90º aniversário, foi submetido, ontem, ao que se poder considerar o maior constrangimento e mais deprimente prova de vassalagem de sua história, durante a discussão e votação das emendas ao Projeto de Lei nº 14/2011, que cria o Plano de Carreira dos Profissionais da Educação do Município. Foi bem pior do que ser apenas “jegues de presépio”, como frisou o presidente do sindicato dos servidores, Givanildo Rocha Oliveira, referindo-se ao “levantar-se” e “abaixar-se”, em bloco, dos seis vereadores governistas, para manifestar o voto contra as emendas sugeridas pelos funcionários, na maioria professores, e subscritas pelo vereador da oposição Paulo Roberto Lessa Pereira.
O senhor feudal de quem partiu a ordem para derrubada sistemática das emendas, o que teria feito por pura birra, foi o prefeito Carlos Roberto Souto Batista, cujo governo democrático, segundo os sindicalistas, ainda não digeriu a existência do órgão de classe, tido como única voz em favor dos servidores da educação e contra os desmandos da administração municipal, no setor.
Os sindicalistas afirmam que não pretendiam votação favorável unânime, a não ser mediante acordo prévio, mas igualmente não esperavam unanimidade contrária dos vereadores do prefeito. Aliás, antes da sessão, já alertaram que votariam como o prefeito mandasse. “Foi vergonhoso”, lamentou Givanildo Rocha, lembrando que “até correções gramaticais e artigos inconstitucionais foram mantidos”. Acrescentou que “as propostas, em sua maioria, continham apenas ajustes e enquadramentos em relação a direitos adquiridos dos tão sacrificados profissionais da educação”.
O sindicalista denunciou, ainda, que “os pareceres contrários às emendas carecem de fundamentação legal”, não faltando, na platéia, quem indagasse a que preço a bancada da situação teria sido tão submissa ao Executivo, traindo o próprio mandato recebido do povo. O contorcionismo para rejeitar as emendas foi tão ostensivo que pelo menos três delas foram rejeitadas devido a uma manobra sutil do presidente da Casa, Lafaiete Nunes Dourado.
O comando de votação era “quem estiver de acordo permaneça sentado e quem for contra queira se levantar”. Por três vezes, correspondentes a três emendas favoráveis aos servidores, ninguém se levantou. Percebendo o vacilo dos seus colegas de situação e aproveitando-se do cochilo da oposição, o presidente da mesa repetiu o comando, fora do tempo, sem nenhuma questão de ordem, fazendo gestos para que a bancada situacionista se levantasse, reprovando o que, na verdade, já estava aprovado. Deixa brecha para questionamentos, inclusive judiciais.
Paulo Lessa bateu firme na defesa das emendas |
O vereador Paulo Lessa, mesmo se recuperando de uma cirurgia, foi à reunião e fez uma defesa considerada brilhante das emendas, pelo grupo de oposição, sendo muito aplaudido pelo auditório. Por esta e outras manifestações, proibidas pelo regimento interno da Câmara, os professores foram chamados de mal educados por alguns vereadores, que ficaram visivelmente irritados, entre eles José Araújo e Lafaiete Nunes Dourado. Paulo Lessa chegou a encurralar, com sua argumentação, os colegas situacionistas, mas nada os deteve nem os intimidou na ânsia de obedecer ao comando do chefe.
Dois dos momentos patéticos da sessão foram quando o vereador José Araújo defendeu a manutenção do artigo 96, que ele mesmo reconhecera como inconstitucional; e quando o vereador Marilho Matias, ex-presidente da Casa, na fala franqueada, disse: “não é porque eu quero votar contra, mas é porque é como nos mandaram votar”. Nessa hora, os servidores viraram as costas para a mesa diretora e deixaram o local. Em seguida, o vereador Ilídio Castro, carrasco dos servidores na Comissão de Justiça e Redação, rejeitando sistematicamente todas as emendas, ainda tentou falar, mas, vendo o auditório vazio, desistiu, lamentando, candidamente: “Ué, eu queria ter com quem falar”.
Os pareceres pugnando pela rejeição das emendas, subscritos pelo vereador Aparecido Lima da Silva, que ficou mudo na sessão, teriam sido redigidos, segundo denunciou o vereador Paulo Lessa, pelo prestador de serviços da Prefeitura, Geraldo Lopes, sócio da controladora geral do município, Edjaneyde Lopes, da cidade de Jequié. Paulo Lessa o acusou de debochar e denegrir a sociedade de Livramento em suas proposições, principalmente a que vetava a inclusão no Plano de Carreira dos níveis de professores com mestrado e doutorado.
Para o consultor municipal, “encarnado” no vereador Aparecido Silva, a graduação era suficiente para atender à demanda de ensino municipal de Livramento e não tinha porque a Prefeitura gastar mais com “mestres” e “doutores”. E ainda frisou que “nossa clientela não tem maturidade para absorver este preparo destes profissionais graduados em strito sensu (sic), nossa realidade é outra”. Em outras palavras, rebate o vereador Paulo Lessa, indignado: “ele quis dizer que somos subespécie, nossos filhos subespécie da subespécie, incapazes de absorver um ensino de qualidade transmitido por profissionais altamente preparados” e que “isso é um achincalhamento da inteligência da sociedade de Livramento”.


O Sindicato dos Profissionais da Educação de Livramento de Nossa Senhora distribuiu “Nota de Repúdio” ao comportamento dos vereadores governistas, com o seguinte texto:
O SPEL Sindicato - representante dos Profissionais da Educação do Município de Livramento de Nossa Senhora e professores, reunidos nesta sexta-feira, dia 23/12/11, na Câmara municipal, para apreciação da votação das emendas ao plano de carreira dos servidores da educação propostas por este sindicato, vem, de público, formalizar veemente repúdio à ação nefasta dos vereadores Ilídio de Castro, Marilho Machado, Lafaiete Nunes Dourado, João Louzada, Cidão de Aracatu [Aparecido Lima e Silva] e José Araújo (este comandou toda a votação), opositores da aprovação das emendas, com total orientação e repugnante apoio do Prefeito Municipal Dr. Carlos Roberto Souto Batista. Os vereadores citados ainda desrespeitaram garantias já contempladas na Lei 930/98.
Essa forma de ação visa, tão somente, satisfazer vaidades pessoais, interesses individuais e grupais, como é o caso da perseguição a este sindicato que tem defendido os direitos dos seus associados.
Esse processo resultará num retrocesso jamais visto!
Por estas e outras razões, o SPEL– Sindicato e os trabalhadores em referência, reunidos nesta sessão extraordinária realizada exclusivamente para derrubar as emendas sugeridas pelo SPEL e apresentadas pelo vereador Paulo Roberto Lessa Pereira, reafirmam a sua posição contrária a ação que resulta na recusa e derrubada das emendas que visam contribuir para a melhoria do ensino e das condições de vida da categoria.
SÃO NOVENTA ANOS QUE CULMINAM COM UMA VERGONHA NACIONAL, EM TEMPOS QUE TODOS OS MUNICÍPIOS VÊM VALORIZANDO E RECONHECENDO CADA VEZ MAIS SEUS TRABALHADORES QUE FAZEM VERDADEIRAMENTE A EDUCAÇÃO ACONTECER. ESTAMOS ENTRANDO NA IDADE DAS TREVAS E SEPULTANDO A EDUCAÇÃO NOS VOTOS DE CADA VEREADOR QUE ACEITOU, POR CONVENIÊNCIAS DIVERSAS, SER SUBMISSO AOS INTERESSES POLITIQUEIROS E MESQUINHOS QUE TOMAM CONTA DE NOSSO LIVRAMENTO, DEIXANDO A EDUCAÇÃO DENTRO DAS GAVETAS DOS ARQUIVOS DA “CASA DO POVO”.

Jornalista

A discussão sobre a escassez de água para irrigação, no pólo de fruticultura formado pelos municípios de Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio, na Bahia, tornou-se repetitiva, inócua e politicamente incorreta. Sucessivas “audiências públicas” e viagens a Brasília, tudo inútil, pois falta o essencial: vontade e ação e sobejam as conversas para boi dormir, ordinariamente, em véspera de eleição, de dois em dois anos.
Uma vaca não pode dar mais leite do que permitem as condições naturais do seu ubre. Assim é o açude Luiz Vieira (Rio de Contas), o qual, feito para suprir 5.000 ha, em Livramento, não pode irrigar as mais de 12.000 mil ha que lhe são exigidas, nos dois municípios. Não haverá solução, se tudo não for recolocado no eixo inicial, o que inclui o uso da água em sua finalidade original e a conclusão do projeto do DNOCS, inacabado há mais de 20 anos.
O decantado pólo de fruticultura de Livramento e Dom Basílio, baseado na manga e maracujá, na verdade, possui bases falsas e ilegais. De um lado, parte da área plantada é formada de terras desapropriadas pela União e irregularmente ocupadas por grandes produtores. De outro, fora os 3.500 ha do chamado bloco III, que o DNOCS conseguiu viabilizar, o uso da água para irrigação dos outros 8.500 hectares tornou-se privado, portanto, irregular.
Plantou-se mais do que a capacidade hídrica disponível na região, não havendo perspectiva de solução definitiva à vista, em razão dos interesses políticos e econômicos envolvidos. Buscam-se paliativos na tentativa de se agregar à oferta de atual de água (105 milhões de m³) pelo menos mais 20 milhões de m³, que deverão custar cerca de R$20 milhões. Os fruticultores, que faturam por volta de R$1 bilhão por ano, não querem ter esta despesa e empurram o problema para o governo, que se tem feito de surdo.
Em torno dessa quizila é que giram os sucessivos e inócuos debates, nas repetidas e inúteis audiências públicas, não havendo nem mesmo projeto formal nesse sentido. O próprio prefeito de Livramento, Carlos Batista, que não conseguiu viabilizar uma solução quando tinha no colo o então ministro da Integração Nacional, entregou a questão para Deus, ao afirmar, na audiência pública de 9 de dezembro: “esperamos em Deus que tudo isso seja solucionado o mais breve possível”.
O contexto da frase, divulgado no site oficial, é mais amplo, onde ele, certamente amaldiçoando o outrora seu “deus Geddel Vieira Lima”, teria dito, em típico jogo para a platéia: “Temos buscado constantemente a realização destas obras que são fundamentais para a sobrevivência do pólo de fruticultura regional. Estamos contando com o apoio dos deputados aqui presentes, bem como seus representantes e esperamos em Deus que tudo isso seja solucionado o mais breve possível”.
Só havia dois parlamentares, um deles Edson Pimenta, único a comparecer na audiência anterior, em 29 de maio último, de uma lista de 61 convidados. Na ocasião, ele arrancou aplausos do auditório da Câmara, dizendo que eram projetos de fácil execução, que, além de vontade política, faltava vergonha dos políticos. Disse que bastariam recursos das emendas parlamentares para financiar as obras e, se cada um colaborasse, a transposição seria feita este ano. Chegou a disponibilizar R$1 milhão da sua cota de R$6 milhões anuais.
Porém, na segunda reunião, início deste mês, ele nem tocou no assunto, mudando o discurso para: “Se dependesse apenas de minha caneta, de uma rápida assinatura, podem ter certeza que já teríamos iniciado as obras. Posso afirmar que, Livramento, Dom Basílio e Rio de Contas contam com o meu apoio, desta forma, levarei as reivindicações de vocês ao Congresso e também lutarei por esta causa”.
Assim, não há solução a vista, apenas palcos eleitoreiros. Mas, por via das dúvidas, a Comissão Gestora dos Açudes arranjou um nome mais pomposo para o problema: “Programa Emergencial de Gestão Hídrica”. A idéia sustenta-se nos projetos cantados e decantados, mas sem qualquer formatação, de pressurização do Bloco I, no Perímetro Irrigado do Brumado; e de transposição de água dos rios Taquari, Vereda e Brumado para o açude público Riacho do Paulo.
Os produtores não querem gastar o dinheiro da produção, acima de R$1 bilhão por ano, e os governos, estadual e federal, nem ai para o problema, apesar do suposto peso das autoridades e importância das entidades que endossam as reivindicações: prefeitos Carlos Batista (Livramento), Marcio Farias (Rio de Contas), Luciano Pereira (Dom Basílio); Associação do Distrito de Irrigação do Brumado-ADIB; Comissão Gestora dos Açudes Públicos “Brumado” e “Riacho do Paulo”; Câmara de Diretores Lojistas; DNOCS; Câmara de Vereadores (Rio de Contas, Livramento e Dom Basílio); deputados federais Valdenor Pereira e Edson Pimenta; sindicatos e outros.
De três uma: ou as autoridades arroladas pouco valem; ou só Deus resolve; ou o governo é duro na queda. Ou, ainda, que o problemazinho pode ser resolvido pelos próprios produtores, com apenas 2% do que faturam em um ano. Se eles criaram o problema, plantando mais do que permitia a capacidade hídrica da região, que resolvam. E quem garante que, feitas as obras, não vão, insanamente, continuar ampliando a área plantada?
Mas não custa perguntar: quantas emendas a respeito já estão no orçamento da União, quantos projetos já foram entregues ao Ministério da Integração Nacional, pelos bonzinhos deputados que querem ajudar?
Jornalista
O descaso do Estado para com a educação, no Brasil, parece proposital. Não é mais possível esconder que o interesse pelo ensino de qualidade só existe nos discursos. Em Livramento, a situação aproxima-se do paroxismo, como demonstra a lengalenga, desde 2009, em torno do mínimo do mínimo, que seria a atualização do plano de carreira dos docentes municipais, ainda regidos por uma lei de 1998 (Lei nº 930/98).
Preocupado em atualizar o estatuto, principalmente em relação às últimas resoluções do Conselho Nacional de Educação, o sindicato da categoria encabeçou uma luta pela elaboração e aprovação de novo plano. O presidente do órgão, Givanildo Rocha Oliveira, disse que “o texto do projeto foi protocolado, às pressas, na Câmara de Vereadores, pela Secretaria da Educação, cheio de falhas e omissões”.
E que “o projeto do Executivo dispõe sobre o regime de trabalho dos servidores da educação do município, nos termos das leis federais nº 9.394/1996 (Diretrizes e Bases da Educação), nº 11.494/2007 (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização do Magistério), nº 11.738/2008 (Piso Nacional de Remuneração do Professor), além da Lei Municipal 844/1991 (Regime Jurídico dos Servidores Públicos do Município de Livramento)”.
O Sindicato fez as correções e alterações julgadas necessárias, apresentadas ao Poder Legislativo, na forma de emendas, subscritas pelo vereador oposicionista Paulo Roberto Lessa Pereira, “um incansável defensor dos docentes na Câmara Municipal”, disse. Essas emendas e mais as da bancada da situação deveriam ter sido votadas na sessão especial do último dia 20. Mas a votação foi adiada, segundo o presidente da casa, Lafaiete Nunes Dourado, pela necessidade de melhor se examinar as emendas de última hora, justamente as situacionistas.
Os docentes, porém, estavam certos de saírem de lá com o projeto aprovado. Basearam nos discursos da sessão de 14 de dezembro, onde os vereadores deixaram claro que haveria consenso na aprovação. A reviravolta teria ocorrido após suposta reunião em que o prefeito Carlos Batista teria determinado a “seus” vereadores que votassem contra todas as emendas dos docentes, encabeçadas pelo vereador Paulo Lessa.
Então, de enfáticos e eufóricos, em 14, os vereadores situacionistas passaram a evasivos, na sessão especial de 20 de dezembro. No geral, as emendas são até modestas e envolvem apenas questões técnicas, aparentemente sem qualquer impedimento relevante à aprovação, explicitando, por exemplo, critérios para atualizações salariais, ocupação de cargos de direção, gozo de licença prêmio, estímulos à qualificação pessoal, direito a enquadramento funcional, mudança de carga horária, deslocamentos, dentre outros.
Sendo apresentadas pelos próprios pares, não haveria razão para mais delongas, a não ser pelo quanto possam contrariar a ordem do “chefe”. Então, os edis terão de escolher entre cumprir as juras de amor feitas aos docentes e à causa da educação ou serem os eternos “jegues de presépio” do Executivo. Não doerá tanto, nem uma nem outra, pois, qualquer das alternativas calharia bem neste período natalino. Nesse caso, respeitem mais nossos professores!

O Centro Espírita Livramentense (CEL) reuniu, hoje pela manhã, em sua sede, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia, dezenas de famílias de baixa renda, para sua tradicional festa natalina. Houve sorteio de lembranças entre convidados, incluindo mães, pais e crianças, além da entrega de brinquedos, roupas, cestas básicas para pessoas inscritas em seu cadastro de atendimento e distribuição de lanches.
Segundo a presidente da entidade, Marilena Santos Marques, foram mais de 300 itens, entre os quais 100 cestas básicas. Uma equipe de 20 pessoas, coordenada pelo diretor do Departamento Social, Alex Betone, comandou o trabalho, que levou alegria a dezenas de crianças. As cestas básicas e a maioria dos brindes foram montadas a partir de doações de voluntários, que pediram para não serem identificados.
Antes do sorteio e entrega dos brindes e das cestas básicas, as famílias convidadas, incluindo as crianças, ouviram uma palestra do diretor Alex Betone, sobre a família. Ele apresentou a importância da harmonia no ambiente familiar e dos fundamentos nos quais as famílias devem se basear, como solidariedade, compreensão, respeito, exaltação das qualidades um do outro e, principalmente, o amor.



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Uma das lendas da cultura do sertão, natural de Rio de Contas-Ba, destacando-se na música, nos tempos das liras, das cantatas, dos bombardinos e dos trombones, faria 100 anos de nascido amanhã, dia 18. Hoje tem missa em sua memória, na Igreja de Santana, naquela cidade (o horário não foi informado). Fotos e material para a reportagem enviados por Paulo Luiz Pinto e Albuquerque. Leia mais>>
Raimundo Marinho
Jornalista
Os juízes do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, por unanimidade, acataram o recurso impetrado pelo prefeito Carlos Roberto Souto Batista, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, cujo mandato, juntamente com o do vice-prefeito Paulo Cezar Cardoso Azevedo, fora cassado, no último mês de julho, pelo juiz João Lemos Rodrigues, da 101ª Zona Eleitoral, pela prática de crime eleitoral, na eleição municipal de 2008.
O decreto de cassação, como pode ser lido no teor da decisão de primeiro grau, foi lastreado em provas consideradas irrefutáveis, menos pelos juízes do TRE, podendo se concluir que, no caso, a Justiça “cassou” a própria Justiça. Mas a decisão não surpreendeu os setores bem informados da comunidade de Livramento, sempre ávidos por conhecer os detalhes dessa estratégia infalível da defesa do prefeito, que nunca perde.
O acórdão que acolheu o recurso dos acusados, que vinham governando o município protegidos por uma decisão liminar, somente será divulgado no próximo dia 19. Todavia, quem acompanhou a sessão de julgamento testemunhou que a decisão apenas repetiu a de 2010, quando, por quatro votos a três, a corte entendeu que as provas existentes eram insuficientes para desconstituir o mandato.
Carlos Batista, abençoado da Justiça: seis a zero
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Da atual composição do TRE, só dois juízes participaram da decisão de 2010, atuando em ambas como relator e revisor, respectivamente, votando pela não cassação. Teria havido algo parecido com o princípio da prevenção, ao invés de sorteio, ou uma extraordinária coincidência. O principal fundamento da decisão de ontem foi a segurança jurídica, evitando-se conflito com a decisão anterior.
Portanto, entendeu-se que não seria necessária apreciação do mérito da sentença original. Então, indaga-se: é possível defesa da segurança jurídica contra provas e contra a lei, mormente em processos de origens diferentes? Nisso está a esperança da oposição, autora da ação, de reverter o quadro junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mas que seja antes de exauridos os mandatos dos acusados.
Multatis mutandis (mudando-se o que se deve mudar), como gosta de repetir o jovem professor Fred Didier, teme-se que Carlos Roberto Souto Batista teria conseguido uma “lei eleitoral” só para ele, pela qual nunca será cassado, a não ser em tribunal superior. O pior de tudo é que a dança jurídica já impregnou na população que não há jeito, que nada vai mudar. E, todo mundo, nem aí!
Consta que, cauteloso, o prefeito proibiu o costumeiro foguetório comemorativo, mas anunciou e comemorou a vitória na sessão de homenagens na Câmara de Vereadores, onde chegou atrasado. Foi deselegante, pois não havia só partidários seus no local. Além de famílias convidadas de outras opções políticas, de vereadores da oposição, o próprio presidente do PSDB, da coligação que o levou à Justiça, Nilson Santana Dantas, estava entre os homenageados.
De qualquer forma, o alcaide livramentense já está na história jurídica do município, pois figura em pelo menos 37 processos, na Justiça Eleitoral, dos quais 23 só em seu nome, caso inédito por aqui. Quase todos estão centrados em acusações de compra de voto, em 2008. O próximo processo a ser julgado poderá ser o de nº 1700416.2008.605.0101, cujos autos se encontram conclusos ao juiz para sentença, na 101ª Zona Eleitoral.

A Câmara de Vereadores de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, homenageou, ontem à noite, 14 pessoas que o Legislativo escolheu pelo quanto dedicaram suas vidas ao desenvolvimento do município. O ato constou da entrega de títulos de cidadania e de benemérito, entregues em sessão especial comemorativa do 90º aniversário de emancipação política do município, transcorrido em 6 de outubro deste ano.
Entre os agraciados com a cidadania livramentense estão ícones da sociedade local, como a professora Rita Vilasboas Castro Pereira, que abrilhantou, por várias gerações, a educação no município; e o tipógrafo aposentado Gutemberg Trindade, pioneiro da impressão gráfica, em Livramento, ainda nos tempos dos chamados tipos móveis.
Outros que receberam o título de “Cidadão Livramentense”: Aparecido Lima da Silva, Daniel Braz de Oliveira, Elivaldo Pereira Cruz, Ivan Teixeira Pires, Antônio Roberto de Souza e Nilson Santana Dantas. Homenageados como cidadãos beneméritos: Francisco Tanajura Machado, Reginaldo Tanajura Machado, José Basílio de Cássia e Antônio Cotinguiba de Souza. Homenageados que não puderam comparecer: Antônio Alves Meira (benemérito) e Florisvaldo Pereira Cruz (cidadão livramentense).






Estudantes do Colégio Estadual Edivaldo Machado Boaventura, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, receberam, ontem à noite, em ato solene, os certificados de conclusão do ensino médio. A cerimônia, no Clube Caiçara, foi presidida pelo diretor José Maria de Jesus, com a presença de professores, funcionários da administração, familiares dos concluintes e convidados.
Foi como uma formatura de gala, marcada pela emoção, a cada chamado do mestre de cerimônia Pedro Lima. A madrinha da turma, que teve o nome do diretor José Maria de Jesus, foi a professora Chirley da Silva Santos Souza, alvo de uma homenagem especial dos alunos.
A oradora Geisiane Silva Oliveira destacou a importância daquele momento, mas que estavam conscientes de que era apenas um começo e que ali eram compensados pelos anos de luta e até de angústia na busca do conhecimento. Ao final, a turma marcou a despedida com uma festa de congraçamento, no mesmo local, animada pelo DJ Gicelmo, da Rádio 88FM.
Participaram da solenidade: Aline Lima Santos, Álisson Ribeiro de Oliveira, Ana Carolina, Anderson Aguiar Silva, Carla Maria de Jesus Meira, Deuzélia Ferreira Nicolau, Diego Santos da Silva, Elaine Cristina, Érica da Cruz, Geisiane Oliveira, Jeisilane Silva Oliveira, John Lennon Mafra Freire, Juliane Santos Martins, Márcia Cordeiro Bonfim, Maria Aparecida da Cruz Silva, Mateus Silva Trindade, Poliana Santos de Lima, Raquel Souza Correia, Renata Silva Souza, Valquíria da S. Santos e Venícius Souza Medeiros.


As atenções da corte política de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, estão voltadas para o julgamento do recurso (nº 14.008-11.2009.6.05.0101) impetrado pelo prefeito Carlos Roberto Souto Batista, agendado para hoje, pelo Tribunal Regional Eleitoral. Em ação movida pela Coligação Desenvolvimento com Justiça Social e Maria de Lourdes Souza Leal, em razão de crime eleitoral, o prefeito e seu vice, Paulo Azevedo, foram cassados pelo juiz da 101ª Eleitoral, com sede em Livramento. Permanecem no cargo, porém, por força de decisão liminar, monocrática, que conferiu efeito suspensivo ao recurso.
O alcaide e o vice não conseguiram descacterizar as provas contra eles e o decreto de cassação encontra-se muito bem fundamentado, o que se leva a concluir que dificilmente a sentença venha a ser anulada. Todavia, apesar de todas as expectativas, o julgamento de hoje não deve ser motivo de tristeza, de um lado, nem de euforia, do outro. Tudo poderá acontecer, desde o simples adiamento do julgamento, bastando um mero pedido de vista por algum dos juízes, até a própria absolvição do acusado.
Seja qual for o resultado - manutenção ou derrogação da sentença de primeiro grau - caberá recurso ao Tribunal Superior Eleitoral. Ou seja, qualquer decisão significará prorrogação da questão, aumentando a certeza de que o prefeito, que só tem mais um ano de mandato, sairá incólume do crime de que é acusado, ou seja, captação ilícita de sufrágio (compra de votos), que, todo mundo sabe, foi escancarada na eleição de 2008, em Livramento.
O dia do julgamento, hoje, traz um detalhe curioso. O presidente da Câmara de Vereadores, Lafaiete Nunes Dourado, poderá iniciar a sessão comemorativa dos 90 anos de emancipação política de Livramento como vereador e terminar como prefeito interino. A sessão no TRE começará às 17 horas e o ato da Câmara, às 19 horas. Na eventual confirmação da cassação do prefeito, o cargo será ocupado de imediato, interinamente, pelo presidente do Legislativo, conforme já determinado na sentença judicial.
Raimundo Marinho
Jornalista
Não poderia deixar de comentar a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinando o trancamento da ação penal contra mim, movida pela então promotora de justiça de Livramento de Nossa Senhora, Maria Imaculada Jued Moysés, conforme já divulgado neste site. Nem de agradecer por tantas e generosas manifestações de apoio recebidas, muitas através da nossa página de e-mails. Faço, ainda, um agradecimento especial ao jovem advogado Guto Rodrigues Tanajura, que subscreveu o habeas corpus a meu favor e orientou toda minha defesa. Sua tese de falta de atipicidade da conduta e da ilegitimidade da autora foi acolhida integralmente pela 5ª Turma de Julgamento do STJ.
Agradeço, também, aos companheiros da Associação Bahiana de Imprensa, na pessoa do seu presidente Walter Pinheiro e do diretor Agostinho Muniz, que tão logo soube do injusto processo contra mim, colocou-se totalmente do meu lado. Na última reunião, em 7 de dezembro, festejaram minha vitória judicial, momento em que se enalteceu um dos postulados magnos da entidade, previsto em seu Estatuto, art. 2º, que diz: “A ABI se empenhará em promover o fortalecimento da atividade jornalística, defender a livre manifestação do pensamento e, em particular, prestar toda assistência possível a seus associados”.
Moveu, ainda a entidade, a causa ambiental defendida por nós, por conta da qual fizemos críticas pertinentes, nos termos exigidos pelo descaso das autoridades locais, incluso o Ministério Público, tendo sua representante local se sentido ofendida, desencadeando a perseguição ao jornalista, pela via da ação penal, colidindo, assim, com a previsão constitucional da manifestação livre do pensamento e, principalmente, da liberdade de imprensa.
Como acentuaram muitas das manifestações de apoio que recebi, o ataque não foi contra mim somente, mas contra a cidadania, a liberdade de se manifestar, a democracia. De forma que a vitória judicial não foi apenas do jornalista, mas de todos que esperam dos detentores de funções públicas que as exerçam com a eficiência e o zelo exigidos por nosso ordenamento jurídico.
É importante frisar que presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores, juízes, promotores, delegados não são “deuses”, como lamentavelmente pensam os que integram a banda podre do sistema. Não fazem favores, são servidores públicos, pagos pela coletividade para trabalharem pelo interesse coletivo e não para perseguir quem, eventualmente, os criticam por alguma omissão.
Quem acompanha O Mandacaru, sabe da coerência do nosso trabalho e de como nos conduzimos na defesa do Rio Brumado e da nossa bela cachoeira. Da nossa veemência contra a estupidez governamental de, através da Embasa, com o silêncio conivente das autoridades locais, destruir esses santuários ecológicos, despejando neles dejetos sanitários. Por conta disso, ainda é grave a ameaça à saúde da população e até mesmo às lavouras da região. No longo prazo, Rio e Cachoeira tenderão a ser mortos.
Convicto de que só a luta obstinada, ainda que pareça quixotesca, pode deter os malfeitores públicos, não desanimei, apesar da inércia da nossa população. E, diante da violência de uma ação penal infundada, surpreendentemente subscrita por uma representante do Ministério Público tida como baluarte da defesa do meio ambiente, Luciana Khoury, a pedido da colega insatisfeita com o jornalista, não hesitei em demonstrar a insanidade da denúncia e conseguimos derrubar, no STJ, o acórdão do Tribunal de Justiça da Bahia que nos fora desfavorável.
Nossa vitória serve de ânimo para mim e tantos que acompanham nosso pensamento, mas não alimentamos qualquer ilusão quanto à sorte do nosso meio ambiente e receio que, como hoje nos lembramos, saudosos e tristes, da areia branca e água cristalina do Rio Brumado da nossa infância, transformados em natureza morta, as gerações futuras vão dizer o mesmo da nossa linda cachoeira.
Mas, já, por certo, em outras searas da vida, poderei me sentir tranquilo, pois, meus descendentes haverão de dizer, com orgulho: meu pai (avô, bisavô, treta avô ...) não foi omisso. Garanto às crianças e aos jovens de hoje e à professora Márcia Oliveira que não desistirei nunca. Deus quis que a minha vida fosse dura exatamente para não ter medo.
A impetração do HC (habeas corpus) em questão é a prova de que acredito e vou acreditar sempre na Justiça, porque, apesar de tudo, não temos somente uma Eliana Calmon, temos muitas. E, mais ainda, por ter certeza que Deus opera sua Justiça também pelas mãos de magistrados dignos e lúcidos, como a ministra Laurita Vaz e seus pares da 5ª Turma do STJ, ministros Jorge Mussi, Marco Aurélio Bellizze e Adilson Vieira Macabu (desembargador convocado do TJ/RJ), ao concluírem que:
1. Resta evidenciada a atipicidade da conduta, porquanto os termos tidos como ofensivos não revelam o dolo exigido pelos tipos penais de calúnia e injúria apontados na denúncia. A publicação faz menção às instituições do município como Prefeitura, Câmara de Vereadores e ao Ministério Público, sem sequer citar o nome da Promotora de Justiça supostamente ofendida.
2. O denunciado agiu dentro do legítimo direito à cidadania, ao exigir das autoridades públicas municipais as providências cabíveis para os problemas publicados. Atuou com o claro intuito de buscar proteção para um interesse transindividual, sem qualquer elemento volitivo que se permita concluir que tinha intenção de macular a honra da funcionária pública.
E eu digo: Obrigado Deus! Obrigado Jesus!
O Município de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, realizou hoje (12), na Câmara de Vereadores, a I Conferência Municipal sobre Transparência e Controle Social, como parte de campanha nacional da Controladoria Geral da União (CGU) de combate à corrupção. O objetivo é orientar os gestores sobre como se comportarem dentro do que determina a lei e preparar a população para, no exercício da cidadania, fiscalizar a atuação dos gestores.
Segundo a CGU, a intenção é “promover a transparência pública e estimular a participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública, contribuindo para um controle social mais efetivo e democrático que garanta o uso correto do dinheiro público”. Dos encontros municipais sairão propostas que integrarão a pauta das conferências estaduais.
Em Livramento, a programação constou de palestras sobre “Transparência Pública e acesso à informação e dados públicos para prevenção à corrupção”, a cargo do advogado José Reis Aboboreira, presidente do Instituto Municipal de Administração Pública; e sobre “A atuação dos conselhos de políticas públicas como instância de controle”, sendo palestrante Givonaldo Felício de Jesus, da 5ª Inspetoria do Tribunal de Contas dos Municípios.
Os palestrantes destacaram, basicamente, as obrigações dos gestores, que só podem fazer aquilo que a lei autoriza; e os deveres e necessidade dos cidadãos, individualmente ou reunidos em conselhos, de acompanharem as ações dos gestores, a fim de verificarem se, de fato, estão atuando dentro do comando das leis.
Nesse sentido, vale salientar que, em Livramento de Nossa Senhora, a boa gestão está longe de ser atingida e os mecanismos de garantia da transparência não são utilizados em sua plenitude. Os cuidados com as contas públicas são igualmente passíveis de críticas, haja vista as rejeições e ressalvas divulgadas pela Corte Municipal de Contas. Da mesma forma, os cidadãos também não fazem a sua parte, omitindo-se na cobrança e fiscalização exigidas.
O evento, na Câmara de Vereadores, coordenado pela controladora geral do Município, Edjaneyde Matos Lopes, foi aberto pelo prefeito municipal, Carlos Roberto Souto Batista. O auditório ficou lotado, mas muito longe da quantidade de pessoas que poderia ser esperada, se considerada a população total do município, que ultrapassa os 40 mil habitantes.

No último domingo (11), a pequena comunidade de Mocambo, povoado de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, reuniu-se para reverenciar sua padroeira, Santa Luzia. Os devotos lotaram a igreja local para a missa solene, celebrada pelo padre José Roberto, da Paróquia do Taquari. Ali, na homilia do padre, no canto dos fiéis, nas oferendas conduzidas ao altar, nos acordes da filarmônica, fez-se ouvir a voz de Deus, em evento cuidadosamente organizado.
O sol causticante não desanimou os adoradores da Santa que, logo após a missa, saíram em procissão por sobre a terra vermelha e quente do centro do povoado. Da voz dos fiéis e das palavras do padre emergiram um apelo, cheio de fé, para que o exemplo de Santa Luzia fizesse com que seus seguidores enxergassem a força e o verdadeiro sentido da fé e os despertasse para a verdadeira vida de cristão, em que o amor, a compaixão e a caridade são os elementos centrais.
Pela tradição da festa, durante a procissão, os homens carregam o andor com a imagem de São José e as mulheres levam o andar principal, o de Santa Luzia, a padroeira. No caso, porém, os marmanjos, tendo à frente dois políticos, tomou a frente do andor principal. Mas por pouco tempo, pois, logo que isso foi constatado, aguerridas mulheres apareceram para resgatar a tradição e passaram a conduzir a imagem da Santa, preservando o legado dos antepassados.



Márcia Oliveira
Professora
Solitária, silenciosa... misteriosa. Nasceu Haia Lispector, aos dez dias do mês de dezembro de 1920, em Tchetchelnik (Ucrânia). Veio para o Brasil antes de completar três meses de vida e tornou-se Clarice - um ícone da literatura brasileira. A profundidade dos seus questionamentos divide opiniões, sendo, para alguns, complicada, incompreensível, esquisita, difícil escritora. Até mesmo, problemática.
Vista pelo lado daqueles mais sensíveis e não rasos de entendimento, Clarice Lispector foi uma epifania constante em toda sua obra, um mergulho no mais profundo do ser. Suas elucubrações existencias preenchem página por página, nos condicionando a interagir com personagens que nos realimentam, pois muitos deles são um pouco de cada um de nós, seus leitores. "A felicidade aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam em suas vidas". Mesmo que uma dessas pessoas seja uma escritora solitária que não sabe que tem a companhia de tantos leitores, tão sozinhos quanto ela.
Ler Clarice, interpretá-la, entendê-la está na essência contida em suas palavras, que, segundo ela mesma, eram o seu domínio sobre o mundo. Ela não se preocupava em entender, porque "Viver ultrapassa qualquer entendimento". Utilizava recursos peculiarmente intimistas, provocadores, que interiorizavam cada momento como se ele fosse último: "Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim... vivo me perdendo de vista".
Clarice percorreu quilômetros de linhas escritas em muitas obras, fazendo-nos tropeçar em sentimentos enraizados dentro da nossa alma por não sabermos como exteriorizá-los. Quanto do que ela escreveu está dentro do mais recôndito do nosso ser e não conseguimos dizer... nem escrever? E ela conseguiu isso e muito mais, fazendo-nos entender que "o que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós". Desnudava seu mundo quando escrevia, pois, para ela, "a liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome". "Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito".

Talvez por ter escrito verdades de forma tão filosófica, psicológica e penetrante, Clarice edificou o seu nome no chamado Romance introspectivo, nos oferecendo um manancial de mistérios, tal qual foi a renomada escritora: "Antes de abrir a porta do coração novamente, melhor limpar a bagunça que ficou da última vez. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero a verdade reinventada". "Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar".
Instigante, reveladora, sentimental, apesar de ter se casado, tido dois filhos, ter se separado, sentia-se solitária. Clarice impulsionou a literatura. "Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever". Poesias, crônicas, romances, pensamentos consumiam grande parte do seu dia. Seu paraíso estava ali, bem perto, em seu lar.
Ao posicionar a máquina de escrever em seu colo, um cigarro entre os dedos e, aos seus pés, deitado ficava o companheiro inseparável, o cãozinho chamado Ulisses, ela abria as portas da inspiração e escrevia, escrevia... escrevia, nas noites solitárias do Rio de Janeiro. E, numa dessas horas silenciosas, marcadas pela solidão, surgiu o "poema do contrário", que, lido do final para o início, é surpreendente!
"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais..."
Somente Clarice pode escrever algo de forma tão inventiva ou, como a própria dizia, “reinventada”. Não dá pra deixar de reconhecer o seu talento de escritora e de grande mulher, dentro e fora da literatura. Revelava-se em tudo o que escrevia e, mesmo que muitos não compreendessem o seu universo literário, ela acabava nos entendendo. "Há momentos na vida que sentimos tanta falta de alguém que o que queremos é tirar essa pessoa do nosso sonho e abraçá-la".
Viveu e amou o que escreveu. Cada personagem era um sopro de ternura, laço inquebrantável entre ela e o ser das obras: Macabéa, Lóri, Ana, Ulisses, Joana, G.H., Martim... estavam nela e saíram para o mundo contando suas histórias imersas em conflitos e cheias de dúvidas.
Assim foi Clarice: um enigma constante que tentamos desvendá-lo, protagonista do nosso romance introspectivo, que teve sua Hora da Estrela, ao sair da literatura para adentrar nas páginas da saudade, no dia 9 de dezembro de 1977, vitima de câncer. "Nem sempre consigo perdoar. Não espere me perder para sentir a minha falta. Não me deixe ir, posso não mais voltar". E não voltou. "Quando eu morrer, sentirei saudades de mim". Nós também, Clarice!
Fazer por fazer?É a pergunta que faz o técnico Ari Pinheiro, da ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro), unidade de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, ao questionar e desaconselhar a utilização de cisternas de plástico em PVC para armazenar água da chuva nas regiões secas do país, prevista em projeto do governo federal. Ele está divulgando na região a campanha nacional da ASA, intitulada “Somos Contra”, conforme documento divulgado durante a 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar, realizada mês passado em Salvador.
As cisternas de plástico PVC, em substituição às de placa de cimento, é uma iniciativa do governo federal, para agilizar a construção desses equipamentos em todo o semiárido. A ASA declara que não é contra o projeto, mas questiona a decisão de universalizar o uso do equipamento de plástico PVC. Alega que isso vai excluir as famílias da reaplicação técnica, fazendo suas próprias cisternas, pois a construção passará para o domínio de grandes empresas, dobrando os custos que, hoje, segundo informa, é R$2.080,00 por unidade.
O técnico Ari Pinheiro, por exemplo, ressalva que “não podemos negar que os últimos anos foram muito bons quando se fala de transformação social em todo território nacional e principalmente na região semiárida” e que “a conquista da água de beber através das cisternas de consumo humano certamente foi a melhor coisa que aconteceu para o povo sertanejo”, tirando muitas famílias da dependência de políticos e outros aproveitadores.
Mas lembra que “a presidente Dilma Rousseff declarou que, até 2014, todas as famílias do semiárido do Nordeste e norte de Minas Gerais, que estejam dentro dos critérios do Bolsa Família, terão uma cisterna de consumo humano” e que “a presidente quer honrar esse compromisso a todo custo, distribuindo os reservatórios de plástico em PVC”. Mas reafirma: “nós da ASA entendemos que essa não é uma saída, visto ser uma tecnologia de durabilidade curta, além da aparência horrível que tem e ainda coloca os custos lá encima”. (na foto e ilustração, símbolos da campanha da ASA)


Com o tema “A Eucaristia e a Virgem Maria”, termina hoje, sexta-feira, o novenário que a comunidade do distrito de Itanajé realiza em preparação da festa em louvor a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Bahia, cujo dia transcorreu ontem, 8 de Dezembro. Amanhã, sábado, será celebrada a missa solene, 16h, pelo padre Aparecido, mas o dia festivo começará, às 6h, com alvorada e a reza do Ofício de Nossa Senhora.
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Quem nos envia as informações é a professora Jussara Fernandes, registrando a reverência de Itanagé ao padre Renato, de Jussiape, que abrilhantou com sua presença a abertura do novenário, no último dia 1º de dezembro, a convite das líderes religiosas Patrícia e Paula Mendonça. Para Jussara, padre Renato é o “Marcelo Rossi II”, “um fenômeno social e religioso, grande líder, cuidadoso, acolhedor dos humildes, grande educador, carismático”.
Destaca, também, a liderança de Vilma Carvalho, da comunidade de Itanajé: “Ela continua os trabalhos de nossa saudade, a Joana Teixeira (In Memoriam)”, voltando para “presentear nossa audição, sempre, com sua melodia, ao cantar na Igreja, para recomeçar e inovar”. Acrescenta que “Itanagé precisa se renovar, precisa de líderes com almas humanas, nobres, inovadoras, para somar aos que aqui já se encontram”.
Com o voto unânime dos ministros da sua 5ª Turma de Julgamento, o Superior Tribunal de Justiça, com sede em Brasília, determinou o trancamento da ação penal em trâmite na Vara Crime da Comarca de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, movida pelo Ministério Público contra o jornalista Raimundo Marinho dos Santos, a pedido da promotora de Justiça Maria Imaculada Jued Moysés, conforme denúncia subscrita pela promotora Luciana Espinheira da Costa Khoury.
O motivo da ação foram críticas do jornalista, no site www.mandacarudaserra.com.br, pela demora do Ministério Público na apreciação de representações contra Estado da Bahia, Embasa, Prefeitura de Rio de Contas e Construtora Franco Araújo, envolvidos nas obras de implantação do esgotamento sanitário de Rio de Contas, tendo como destino final dos dejetos as águas do Rio Brumado, ameaçando a saúde publica da região e a bela cachoeira de Livramento.
Conforme citado na denúncia, a promotora Maria Imaculada Jued Moysés, mesmo sem nunca ter sido citado o seu nome, considerou ofensivos à sua pessoa e à sua honra partes de textos divulgados no site, em janeiro e abril de 2010, respectivamente, que diziam: “Pelo menos duas representações contra o ato da Embasa, uma delas a nossa, foram apresentadas ao Ministério Público, que, entretanto, fez ouvidos de mouco, não se sabe se por simples descaso, negligência, incompetência ou conveniência”, “Os principais órgãos públicos de Livramento, como Prefeitura, Câmara de Vereadores e Ministério Público parecem de costas para graves questões locais” e “Uma dessas questões é o risco evidente de contaminação da água por dejetos sanitários. Duas representações mofam no MP há mais de ano”.
Raimundo Marinho: venceram a cidadania e a liberdade de imprensa |
Os ministros da 5ª Turma do STJ, no entanto, entenderam que o jornalista “agiu dentro do legítimo direito à cidadania, ao exigir das autoridades públicas municipais as providências cabíveis para os problemas publicados. Atuou com o claro intuito de buscar proteção para um interesse transindividual, sem qualquer elemento volitivo que se permita concluir que tinha intenção de macular a honra da funcionária pública”. E concluiu pela concessão da ordem “para determinar o trancamento da ação penal n.º 0000960- 212010.805.0153, em trâmite na Vara Crime da Comarca de Livramento de Nossa Senhora, no Estado da Bahia”.
A defesa do jornalista coube ao advogado Guto Rodrigues Tanajura, auxiliado pelo próprio jornalista, que também é advogado e, além de paciente, também atuou em causa própria. Inicialmente, foi impetrado Habeas Corpus junto ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que denegou a ordem. A defesa não desistiu e nem desanimou, ingressando com o mesmo remédio jurídico, junto ao Superior Tribunal de Justiça, derrubando o acórdão denegatório da corte estadual.
Na verdade, o ato da promotora Maria Imaculada Jued Moysés foi intimidatório e atentatório à liberdade de imprensa e à livre manifestação do pensamento. Atendendo à sua representação criminal, destituída de fundamental legal, a instituição a que pertence, o Ministério Público, através da promotora Luciana Espinheira da Costa Khoury, apresentou denúncia perante a Vara Crime de Livramento de Nossa Senhora, imputando ao jornalista os crimes de calúnia e injúria previstos, respectivamente, nos artigos 138 e 140 do Código Penal.
Sobre a imputação, a relatora do processo, no STJ, ministra Laurita Vaz, assim se manifestou:
Analisando o primeiro tipo penal, crime de calúnia, extrai-se da definição legal que o elemento normativo é que o fato seja falso e tido como crime. Por outro lado, o elemento volitivo, que somente se dá na modalidade dolosa, é o animus caluniandi, consistente na vontade de ofender a honra da vítima.
Quanto à segunda imputação, crime de injúria simples, busca se proteger a honra subjetiva, consistente no conceito que a vítima tem de si mesma.
Na hipótese, em uma leitura acurada da matéria tida como ofensiva pela vítima, tenho que as expressões não revelam o dolo exigido pelos tipos penais apontados na representação. A publicação faz menção às instituições do município como Prefeitura, Câmara de Vereadores e ao Ministério Público, sem sequer citar o nome da Promotora de Justiça supostamente ofendida.
Com efeito, vê-se que a intenção do Paciente era de narrar fatos e dar publicidade aos problemas levados ao conhecimento das autoridades públicas que, um ano após, ainda persistiam.
Na verdade, o denunciado agiu dentro do legítimo direito à cidadania, ao exigir das autoridades públicas municipais as providências cabíveis para os problemas publicados. Atuou com o claro intuito de buscar proteção para um interesse transindividual, sem qualquer elemento volitivo que se permita concluir que tinha intenção de macular a honra da funcionária pública.
Também não verifico qualquer indício de que o acusado tenha atribuído formalmente a demora na atuação funcional à pessoa da Promotora de Justiça, tampouco que ela tenha agido para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, traço distintivo do crime de prevaricação, cuja prática lhe deveria ser imputada para configurar o delito de injúria.
Desse modo, em que pesem as alegações da acusação, os termos destacados na representação e na denúncia como ofensivos na publicação não são, objetivamente, aptos a ofender os bens jurídicos tutelados, e não apresentam os elementos normativos exigidos pela lei penal para configurar crime.
(Clique aqui para ler a integra da decisão, prolatada em 22.11.2011 e publicada hoje, 1/12, no Diário Eletrônico do STJ).
Professora
Ele pode ter nascido Lago, mas, aos poucos, tornou-se um oceano de talentos. "Atire a primeira pedra" aquele que nunca ouviu falar de Mário carioca, cantor, compositor, radialista, militante do Partido Comunista, escritor, poeta, advogado, ator. Um artista multifacetado. Mário de Aurora, de Amélia, mulheres que o inspiraram, nascidas do seu universo criador!
Parece-me que Aurora não foi muito sincera com o nosso ilustre poeta: "Se você fosse sincera, ô, ô, ô, ô, Aurora...". E Amélia foi realmente aquela mulher de verdade, símbolo de submissão, pois não tinha vaidade e acima de tudo, às vezes, passava fome ao lado do homem amado e até achava bonito não ter o que comer. "Ai, meu Deus que saudades de Amélia, aquilo sim é que era mulher...".

Essas foram somente musas inspiradoras que protagonizaram suas canções mais populares e ele as tornou famosas em nosso país. Tantas Auroras, poucas Amélias, mas se enamorou mesmo, de verdade, foi da D. Zeli, que não havia entrado na história e foi sua companheira por muitos anos. Quando morreu a esposa querida, ele desabafou: "Nossa cama agora será como o Maracanã vazio". "Estava escrito nas estrelas! Se eu soubesse que era tão bom, teria casado antes."
Mário, ícone da cultura brasileira, imortalizou-se com seus sambas, poesias e marchinhas carnavalescas. Inspiração é que não faltou para compor mais de duzentas músicas, algumas em parceria com Ataulfo Alves e Custódio Mesquita.
"Nada além" de muitas ilusões da vida, esse irreverente artista, mesmo sendo demais para o seu coração, nunca perdia o otimismo: "Quando deixarmos de ter esperança é melhor apagar o arco-íris". Guardava vivas as lembranças e, não saudades, pois, para ele, o tempo não comprava nunca passagem de volta e, categoricamente, dizia que não ficava na calçada para ver o desfile passar... ia sempre junto.
Diariamente, levava a vida na flauta, para ela sentir que não o amedrontava, porque o pior de tudo é quando ela sente que sentimos medo dela. Com esse jeito de filósofo carioca, boêmio e franco, Mário Lago viveu 91 anos. Tinha certeza que chegaria até hoje, seu centenário (1911-2011). "Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo; nem ele me persegue, nem eu fujo dele... Qualquer dia a gente se encontra".
E se encontraram! Mário saiu de cena. O teatro ficou mais vazio, as novelas empobrecidas, o samba emudeceu. Ficaram as lembranças. Muitas lembranças!

Lucas Pessoa Almeida, aluno 2º ano do ensino médio, venceu a etapa regional do Concurso de Artes Visuais Estudantis – AVE, promovido pela Secretaria da Educação da Bahia, através da rede estadual de ensino. Ele estuda no Colégio Estadual Edivaldo Machado Boaventura, em Livramento de Nossa Senhora, e vai representar a Direc 19 (Diretoria Regional da Educação) na etapa estadual, em Salvador, disputando com os vencedores das demais regiões do Estado.
Lucas, que mora no bairro Jurema, onde residem famílias de baixa renda, concorreu com a obra intitulada “As duas faces da humanidade”, que se destacou, dentre os 21 participantes, na exposição realizada no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, na cidade de Brumado, sede da Direc 19. O jovem filho de trabalhadores rurais e que nunca saiu de Livramento, terá, agora, a oportunidade de conhecer Salvador, na última etapa da competição
A iniciativa do governo estadual é considerada não só um projeto de inclusão artística, mas também abre os horizontes mentais dos participantes, ao colocá-los em contato com ambientes e situações que fazem desenvolver suas habilidades sociais e de comunicação. Nesse sentido, a direção do Colégio Boaventura, representada pelo diretor José Maria de Jesus, destaca o papel do estabelecimento, empenhando-se na realização e divulgação do evento, sendo a terceira vez, em três anos, que classifica alunos para a etapa de Salvador.
Professora

Mal chegamos em frente ao “portão” do TCA, já nos emocionávamos ao sentir e antever o que nos esperava ao ultrapassá-lo. Seria ele, o “Rei”, que viria, elegante e sorridente, como sempre, perante seus “súditos”, para mostrar o seu canto, mais uma vez, na cidade de São Salvador da Bahia, por si mesma já tão cheia de encantos e magia.
Não era uma jovem tarde de domingo, mas uma noite agradável, com muito romantismo no ar, de uma sexta-feira atípica para muitos soteropolitanos. Em vez dos barzinhos e de uma cervejinha gelada, uma grande multidão desviou-se desse caminho, tão rotineiro, e foi lotar a sala principal do Teatro Castro Alves, para ouvir o Rei Roberto Carlos.
Rei, sim! Pedimos desculpas àqueles que não concordam, o que não faz muita diferença, diante do que foi mostrado, em matéria de mega evento artístico e de público. Detalhes muito pequenos de todos nós foram sendo revelados, pouco a pouco, pelo dono da voz inconfundível, ao cantar o amor.
Isso não é só um desabafo! Ante aquela platéia, ansiosa por mais uma canção, a nostalgia contagiava um por um dos súditos em reverência diante do placo, tanto iluminado pelo belo e engenhoso jogo de luz quanto pela aura de um artista, que praticamente se tornou uma unanimidade.
Cada verso, falado ou cantado pela majestade, era um transportar imediato para o universo das emoções pessoais outrora vividas, marcadas por tantas canções, ano após ano. Muito além do horizonte, ele nos proporcionou momentos inesquecíveis.
Cavalgamos por toda a noite nos acordes suaves do piano, nas cordas do violão, que, solitário, trazido de algum canto do palco e brotando da penumbra da iluminação, de repente tornou-se imponente nas mãos imperiais daquele que nos convidou a fazer coro com ele.
A canção escolhida, naquele momento, foi um dos seus hinos de celebração ao amor, pois, para quem muito ou pouco amou nessa vida, haverá sempre coisas muito grandes para esquecer, e ali elas se faziam presentes, pois nós as vimos e sentimos.
Dono de uma simplicidade emoldurada pelo elegante traje de linho branco, Roberto brindou junto aos músicos, que há anos o acompanham, o sucesso da sua música e da vida e, no final de cada canção, o rei reverenciava seus súditos, num gesto humilde, sinal de reconhecimento e de amizade.
Luzes, refletores, ação e canções conspiraram a seu favor, enfeitando aquela noite no TCA. Não faltou nem mesmo espaço para a melancolia, quando, num corte de luz, ele anunciou, em forma de música, os amores que um dia partiram:
“Quando você se separou de mim. Quase que minha vida teve um fim. Sofri, chorei tanto que nem sei. Tudo que chorei por você, por você oh, oh, oh. Quando ...”.
Foto: Raimundo Marinho |
Claro que ele sabe e não se esquece de nenhum deles, como da saudosa mãe, D. Laura, homenageada de forma singela na letra:
“Tenho às vezes vontade de ser/Novamente um menino/E na hora do meu desespero/Gritar por você/Te pedir que me abrace/E me leve de volta pra casa/E me conte uma história bonita/E me faça dormir ...Lady Laura... Lady Laura...”.
A sua fé inabalável em Jesus Cristo é notória em todo seu viver. Sentindo-se envolvido pelo manto sacrossanto da Virgem Maria, embalou a todos numa verdadeira oração: “... Nossa Senhora, me dê a mão /Cuida do meu coração/ Da minha vida, do meu destino/ Do meu caminho, cuida de mim ...”.
Roberto sabe, como ninguém, interagir com as pessoas, muitas gritavam o seu nome ou simplesmente o chamavam pelo epíteto: "Meu Rei". Cantou banalidades, também, pois não podiam faltar, naquele momento, o que, até hoje, não faltam em muitos relacionamentos por aí a fora, como se apaixonar pela namoradinha de um amigo e, mesmo sabendo ser proibido fumar, fuma-se.
São as tais "propostas indecentes" que surgem no dia-a-dia de nossas vidas. Então, "E aí, Bicho? É uma brasa, mora!". Bem humorado e sem disfarçar a emoção, ele recordou a história de seu Axaxá de estimação, nome de um cachorrinho, personagem de uma historinha infantil que enfeitou seus dias de menino, no seu pequeno Cachoeiro do Itapemirim.
Axaxá tornou-se inspiração para uma das suas canções preferidas e mais populares: "Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo, minhas malas coloquei no chão e voltei...".
Mesmo cantando “Meu retrato ainda na parede/Meio amarelado pelo tempo/Como a perguntar/Por onde andei?” e já no alto dos seus 70 anos, completados em 19 de abril último, Roberto mostrou jovialidade e cantou, de forma segura e equilibrada, por cerca de duas horas.
Talvez a resposta para esta aparência conservada esteja na força propulsora que vem da sua inspiração, de saber cantar essa coisa liberada ou proibida, de saber mesclar amor e sexo, encaixando-os, na arte da canção, de forma perfeita, como no côncavo e no convexo. Tudo isso faz dele um homem revigorado, tanto quanto as suas músicas em nossas vidas.
E, no auge da sensualidade plena, daquela noite iluminada, ele brindou o amor: “Eu te proponho/Nós nos amarmos/Nos entregarmos/Neste momento/Tudo lá fora deixar ficar/Eu te proponho/Te dar meu corpo/Depois do amor/O meu conforto/E além de tudo/Depois de tudo/Te dar a minha paz...”.
Quem não se sente verdadeiramente feliz ao ouvir algo assim? É a sublimação do amor! Um bálsamo para os corações apaixonados!
O reconhecimento de que as músicas do Rei marcaram gerações é indiscutível. De repente, até você, leitor, que diz não se simpatizar com o seu repertório meloso, até sem se dar conta, vê-se cantarolando as canções por ele interpretadas, como Amor Perfeito, que você, talvez só conheça por ouvi-las nas vozes de outros cantores ou crooners de bandas, como, respectivamente, Cláudia Leite e Chiclete com Banana, na música cuja letra diz: "Fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você..."
Roberto Carlos é assim, misto de paixão e entrega quando está no palco. Forte, impetuoso, sedutor ao cantar o amor e frágil diante das mulheres que amou. Em cada sonoro "Eu te amo, eu te amo, eu te amo", há a confissão plena de tudo isso.
E eu, de onde estava, naquela platéia de admiradores, pude constatar que, realmente, "Quando eu estou aqui eu vivo esse momento lindo..." Foram, assim, “muitas emoções" que senti. Vê-lo e ouvi-lo, ali tão perto, ao vivo, foi coroar a noite cheia de expectativas preenchidas de canções que são puras recordações de épocas distintas da minha vida.
E Sua Majestade, o Rei Roberto Carlos, não só da conhecida Jovem Guarda, mas de toda MPB, distribuindo rosas brancas e vermelhas, convidou a mim e a todos seus seguidores a não esperar por uma vida feita de ilusão, ter coragem pra não sofrer mais tarde, pois é divino saber viver. E viver na plenitude todo o amor que existir no mundo.
Ele conseguiu tornar a noite do dia 18 de novembro inesquecível para nós. Mas, embora dizendo-nos tanto e com palavras, mais uma vez não conseguiu dizer a dimensão de tantas emoções. De qualquer maneira, está sempre a nos lembrar para que digamos, constantemente:
“Eu tenho tanto pra lhe falar/Mas com palavras não sei dizer/Como é grande o meu amor por você/E não há nada pra comparar/Para poder lhe explicar/Como é grande o meu amor por você/Nem mesmo o céu nem as estrelas/Nem mesmo o mar e o infinito/Não é maior que o meu amor/Nem mais bonito”.
Jornalista
Conforme publicado na página Mensagens recebidas via e-mail, deste site, Luzimar Lima Santana (luzimar-lima@hotmail.com) escreve-nos, indagando:
Raimundo eu não sei o porquê você colocou essa reportagem. Tão sofrida, as imagens são muitos fortes, pois ninguém merece ver tudo aquilo porque cada um tem um sentimento e tem gente que não aguenta vê-lo eu não sei onde você quis chegar com isso. Se nós pudéssemos ajudar todos nós ajudaríamos, mas eu tenho certeza que isso não resolve só vai fazer muita gente sofrer com essas fotos, é triste ver tudo isso ai. Mas com muito respeito eu admiro o seu trabalho, mas esse ai me comoveu muito fiquei muito triste.
A indagação é compreensiva, tanto mais por conter um modo hábil de censurar, característica que predomina entre nossos conterrâneos espiritualmente sensíveis e admiradores deste portal, pelo que muito agradecemos. A resposta, entretanto, está na introdução do texto referido (“Quando o passado nos condena, não pode simplesmente passar!”, o que é complementado pelas próprias palavras de Luzimar.
Não de propósito, o título do texto subsequente, da professora Márcia Oliveira, também nos socorre, na inspirada frase da grande Raquel de Queiroz: “Porque a vida toda é um doer”. É tão difícil abordar questões mais profundas entre nós, o que muito comove e também entristece este jornalista!Lamentavelmente, somos mais atraídos pela inglória periferia do existir, longe dos preceitos divinos.
Em verdade, nosso quotidiano é um contínuo construir de pequenos holocaustos. Felizmente, poucos se assemelham ao feito dos nazistas, para o qual só poderia haver uma explicação bíblica. Nesse caso, aumentaria nossa razão em considerar que nunca deve ser esquecido. Gosto sempre de remeter os leitores para o livro “Horror Econômico”, da escritora francesa Viviane Forrester.
Não deveria ser necessário se evocar imagens tão chocantes para não se esquecer o que nunca deveria ter ocorrido, que dirá ser repetido, como as ações bestiais de Hittler e seus seguidores. Lembrar e repudiar são formas de ajudar, de contribuir para que nunca mais se repita. Ser protagonista indefeso do horror é imensuravelmente mais doloroso do que lembrá-lo e repudiá-lo sempre.
Antes de ordenar a matança de milhões de pessoas, Adolph Hittler mentiu, enganou, trapaceou e seguiu rotinas aparentemente singelas, aceitas sem enfrentar a reação exigida. Teria chegado ao ponto do seu ministro da propaganda, Paul Joseph Goebbels, supostamente ter dito, cinicamente, que “uma mentira dita repetidamente com convicção pode ser transformada em verdade”.
No meio de nós, guardada as circunstâncias e devidas proporções, não é diferente. Em nosso quotidiano somos obrigados, por exemplo, a ouvir aplausos incompreensíveis a teses absurdas, como a de que uma família pode sobreviver com R$125,00 por mês, em meio ao discurso de que o próprio salário mínimo, hoje de R$545,00 já não cobre os custos básicos de vida. Isso qualquer pessoa pode calcular!
Só no Brasil, cerca de 17 milhões de pessoas vivem em pobreza extrema. Em Livramento, pobres e miseráveis somam quase 90% da população. Não deixa de ser um holocausto silencioso e terrificante. Ainda no Brasil, os líderes recomendam a servidores corruptos que reajam como “cascas duras”. Para esquecer malfeitos, a presidente repete, simploriamente, que “o passado simplesmente passou”.
Não há dados estatísticos seguros, mas se estima que a fruticultura rende cerca de R$1 bilhão por ano, em Livramento, ao que se somam ganhos de outros setores produtivos. Mas os trabalhadores rurais ganham menos de um salário mínimo por mês, sem qualquer direito trabalhista ou previdenciário. Desempregados ou subempregados, também não há futuro profissional para os jovens, principalmente os pobres.
O alerta de Viviane Forrester, referindo-se à França e Europa, a que nos igualamos, nesse sentido, é de que não há qualquer interesse capitalista em sanar, em favor das pessoas, a falta de empregos, embora haja todas as condições para isso. A negativa faz parte das estratégias de dominação política e manutenção da lucratividade, o que, acredito, aplica-se também entre nós, Livramento incluso.
Ai embutido, ela vê o que seria o mais tenebroso dos holocaustos, a eliminação do excedente humano desempregado, a ser considerado dispensável. Tudo começou quando o ser humano passou a ser apenas peças das engrenagens de produção. Não adiantou o alerta de Charles Chaplin (O Grande Ditador): “Não sois máquinas, homens é que sois”. Resta se atentar para a voz da professora Viviane.
Assim, se nada for feito, o excedente humano, que se dirá dispensável, se sobreviver à fome, às doenças e à indignidade, poderá vir a ser eliminado, em outro holocausto, cujas fotos vão nos chocar tanto quanto fazem, hoje, as de 1944. Um jornalista vai publicar, outra Luzimar ficará comovida e triste. Deus, travestido de Carlitos, haverá de dizer: “Não sois máquinas, não sois homens, estúpidos é que sois!”.

Conforme relato do diretor José Maria de Jesus, “depois de fazer extensa pesquisa durante toda semana os estudantes do Colégio Estadual Edivaldo Machado Boaventura [Livramento de Nossa Senhora, Bahia], comemoraram, no último dia 17, o Dia da Consciência Negra, dedicado a Zumbi dos Palmares, grande guerreiro que lutou até a morte para proteger e libertar seus irmãos da escravidão”.
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Acrescenta que “na oportunidade, foram apresentados o histórico da chegada dos negros ao Brasil, dificuldades que enfrentaram, sua cultura, principais personalidades negras no mundo, no Brasil e em Livramento, poesias, cantos e toda a cultura afro, através da música, dança, culinária e do artesanato”.
Além disso, foram expostos cartazes e vídeos sobre a situação dos negros nos dias atuais e houve uma palestra do professor Cidelmo Santos, pedagogo, da cidade de Guanambi. A pedido, o trabalho será apresentado, também, nos próximos dias, pelos alunos do CEEMB, em outras escolas, como a Escola Municipal D. Pedro II e Humberto Leal, localizadas no bairro Taquari.
Na data oficial, neste domingo, dia 20, haverá um desfile alegórico, na Avenida Presidente Vargas, a partir das 16 horas, quando o colégio vai mostrar um pouco de história e da importância de se conhecer e valorizar a cultura negra, da qual o Brasil herdou aspectos importantes, em todos os ramos de atividade.




Professora
Na secura do agreste nordestino, entre mandacarus e xique-xiques, onde a natureza sustentava uma paisagem opaca, retirantes em procissão, suplicando pra chuva cair de mansinho e regar todo o chão, nasceu Rachel de Queiroz, aos 17 dias de novembro de 1910, em Fortaleza (CE). Mal sabia ela que daquele sertão ressequido sairia a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (1977).
Foi uma escritora versátil, passeando com desenvoltura entre poesias, memórias, biografias, crônicas, contos, literatura infantil e teatro. Mas foi na prosa que se fez notável, quando lançou O Quinze (1930), romance que evoca a seca de 1915, vivida pela escritora, e renova a ficção regionalista, no denominado Romance de 30. Essa obra desabrochou num terreno árido, descolorido, tendo como tema a fome e o desespero, sem maquiagem, nos apresentando espectros de vidas modeladas pelo barro. Retrata a saga dos flagelados cearenses, vitimados por uma seca voraz, capaz de esterilizar o homem tanto quanto a terra, tornando-os personagens impotentes diante do destino traçado pelo sol inclemente. São duas histórias paralelas que se unem; de um lado, a trajetória dos retirantes Chico Bento e sua família, do outro, a relação do tosco vaqueiro Vicente com a professora Conceição, em que, pela carência cultural dele e a falta de comunicação entre ambos, o amor se resseca como os galhos quebradiços das plantas daquele sertão.
Rachel de Queiroz foi defensora de uma literatura despojada, que mostra uma paisagem social e humana de um Brasil embrutecido e arrasado pela escassez de "vida", coroado de sonhos encapuzados por uma realidade que só tinha de verde a esperança de que Deus mandasse chuva e colorisse aquele cenário de dor e secura tantas. "A piedade supõe uma condição de superioridade e a gente só pode se compadecer de quem sofre mais do que nós".
Cercada de recordações da infância, ao escrever obras que abordaram o panorama crítico de uma das regiões mais castigadas do Brasil, Rachel deixava-se nutrir do suor e das lágrimas - daqueles tempos difíceis - e parece que ouvia, ao longe, alguém cantar: "Quando oiei a terra ardendo, qual fogueira de São João, eu perguntei a Deus do céu, ai, por que tamanha judiação? Que braseiro, que fornaia, nenhum pé de prantação, por farta d'água, perdi meu gado, morreu de sede meu alazão...”. Era a voz do rei do baião, Luiz Gonzaga, na famosa “Asa Branca”, onde parecia imprimir escritos da escritora em forma de canção. Eis a união de duas forças artísticas: música e romance, para cantar as dores e dissabores de personagens que entram na ficção para mostrar a face empedernida de um país "bonito por natureza": Fome, tristeza, cangaço, miséria, morte, milagres e os abutres insaciáveis à espera de animais que, sem forças, tombava um a um, naquele terreno infértil. Assim, o Nordeste ficou conhecido através dessa voz feminina que se tornou símbolo das conquistas da mulher brasileira.

"A arte é o resumo da natureza feito pela imaginação" - e Rachel conseguiu trazer todo manancial imagístico para muitas de suas obras. Trafegou na via do romance psicológico ao escrever As Três Marias; João Miguel está presente na esteira do regionalismo e Caminho de Pedras é um romance politicamente engajado. Escreveu, ainda, Memorial de Maria Moura; O Menino mágico; O Galo de Ouro; Dôra, Doralina; Lampião; Tantos Anos... Inspirações à parte, a autora, com o Estado Novo, teve seus livros queimados em Salvador – BA, juntamente com os de Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, sob a acusação de subversivos, o que rendeu a ela três meses de detenção, na sala de cinema do quartel do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza. ”Falam que o tempo apaga tudo. Tempo não apaga, tempo adormece”.
Romancista, cronista, poetisa, professora, simpatizante comunista, Rachel foi tradutora de muitos autores os quais admirava, como Emily Brontë (O Morro dos Ventos Uivantes), Charles Chaplin (Minha vida), Jane Austen (Mansfield Park), Fiódor Dostoiévski (Os irmãos Karamazov), Agatha Christie (A Mulher Diabólica), Honoré de Balzac (A Mulher de trinta anos) e muitos outros. No início da sua carreira, como jornalista, escreveu cartas para o jornal O Ceará, sob o pseudônimo "Rita Queluz". Raquel foi traduzida para vários idiomas, tendo livros adaptados para o cinema e televisão. Obteve amplo reconhecimento por sua obra tão vasta, o que lhe rendeu muitas homenagens e prêmios, entre eles o Prêmio Camões, o maior da Língua Portuguesa, sendo ela a primeira mulher a recebê-lo.
Sábia, desenvolta e dominadora das palavras, articulava com facilidade sobre quaisquer assuntos, o que nos apresenta quando indagada sobre a sua participação no Partido Comunista Brasileiro: "Na verdade, não sou comunista, nem sou reacionária, sou propriamente anarquista, sou uma doce anarquista". Dor? “Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto, porque a vida toda é um doer”. Amor? "É que o amor é essencialmente perecível e na hora que nasce começa a morrer. Só os começos são bons". Vida? "A vida eu acho que ensina surrando". "A vida é uma tarefa que não pode ser dividida com ninguém". Pode, sim, Rachel. E você dividiu a sua em doses milimetricamente calculadas, do tamanho da sensibilidade de cada leitor e, na sua labuta com as histórias contadas e emoções vividas, compartilhou conosco um tanto da sua vida de grande artesã literária.
Enquanto dormia em uma rede, na silenciosa varanda da sua casa no bairro do Leblon, Rio de Janeiro, a genial Rachel de Queiroz faleceu, dia 4 de novembro de 2003. E, como que antecipando seu próprio epitáfio, escrevera, um dia: "A gente nasce e morre só. E talvez seja por isso mesmo que se precisa tanto de viver acompanhado".
Por Raimundo Marinho
Jornalista
Duas frases ambivalentes, ditas na semana passada, por duas autoridades da República, cuja data da proclamação se comemora hoje (15 de novembro), deram a exata dimensão do Brasil atual. Diante das denúncias de corrupção do seu Ministério, Carlos Lupi disse que de lá só sairia “abatido à bala”. Instada por jornalistas a falar do assunto, a presidente Dilma esquivou-se, dizendo: "Vocês acham que eu vou mesmo falar sobre isso? Um líder antigo, não vou me lembrar o nome, disse o seguinte: 'o passado simplesmente passou'".
O episódio desencadeou comentários dos mais diversos matizes, na maioria condenando o pensamento da presidente, posto que teve o evidente propósito de esconder malfeitos. Ademais, ela tem um passado polêmico, como ex-guerrilheira, ao qual, imagina-se, estende o significado da frase que repetiu. No rastro das reações, está sendo divulgado, via e-mail, fotos e textos do que certamente é a mancha mais negra do passado da humanidade: o holocausto, em que milhões de pessoas, na sua grande maioria judeus, foram mortas sob o comando do então líder nazista Adolph Hittler.
O objetivo dessa divulgação, que parece conter mais fotos do que tudo que já se divulgou a respeito, pela internet, é exatamente lembrar que o passado simplesmente não passa, principalmente se um passado de malfeitos, de horrores, horror econômico, horror político, horror eugênico, horror psicótico, horror do roubo do dinheiro público. E, principalmente, holocausto, como o que dizimou milhões de seres humanos, só por serem judeus.
Encampando o esforço de divulgação, O Mandacaru divulga abaixo a série de fotos e respectivos comentários, recebidos via e-mail. Não desista de olhar!


É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, etc.),

General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos

E o motivo, ele assim explanou:
'Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu'.

“Aquele que se esquece do Passado está fadado a Repeti-lo!”

'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam'. (Edmund Burke)

Os “sem luz” querem que se repita essas cenas...

Relembrando:
Ha poucos dias, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque "ofendia" a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu...

Este é um presságio assustador sobre o medo que está a atingir o mundo, e o quão facilmente cada país se está a deixar levar.

Estamos há mais de 66 anos do término da Segunda Guerra Mundial.

Este email está a ser enviado como um alerta, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristão, 1900 padres católicos e muitas Testemunhas de Jeová, resumind (SERES HUMANOS)

que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos à fome e humilhados, enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direcções.

Agora, mais do que nunca, com o Irã, entre outros, sustentando que o 'Holocausto é um mito', torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça.

A intenção de enviar este email, é que ele seja lido por, pelo menos, 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Seja voce também está ciente então ajude a enviar o email para todos que forem possíveis. Traduza-o para outras línguas se for o caso!

Talvez você possa estar pensando que são imagens forte demais para repassar aos seus amigos!

Mas elas são reais e a verdade nunca deve ser escondida, e os inocentes... jamais esquecidos!

Isso que está vendo foi apenas um pouco do que aconteceu.

A cidade de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, perde uma figura popular muito querida, o ex-bancário José Costa Silva, 55 anos, mais conhecido apenas como “Zé”. Ele foi encontrado morto, na casa onde residia, na manhã desta quarta-feira, dia 9, já em estado de gigantismo, início de decomposição. A polícia ainda investiga as circunstâncias da morte. Suspeita-se de suicídio.
José Costa Silva trabalhou no antigo Banco do Estado da Bahia (Baneb) e, em seguida, no Banco Bradesco, que adquiriu o banco estadual. Era uma pessoa pacata, estava aposentado, bebia muito e apresentava sinais de distúrbios psicológicos. Mas nada o impedia de ser afável com todo mundo e de conversar normalmente com as pessoas. Estava sempre presente nos points da cidade, em eventos públicos e andava impecavelmente vestido, de terno e gravata.
Era muito conhecido, não só pela sua presença, bem vestido, nas ruas e nos eventos, como também pelas mensagens filosóficas que distribuía, muitas vezes em guardanapos de papel; pelas resenhas que fazia e bordões que usava; e pelas longas conversas que mantinha com ninguém, no estertor da bebida. Parecia um “Zé de Ninguém”, mas sabia se cuidar, apesar do alcoolismo e dos solavancos de uma mente inquieta, que muitos diriam perturbada.
Mas nada disso escondia a alma boa que habitava nele, do bom colega que foi, o que ainda podia ser visto nos momentos de sobriedade. Nunca era visto caído ou sujo e se articulava bem com quem conversava com ele, demonstrando ter cultura e conhecimento. Tudo levava a crer que precisava de algum tipo de ajuda, quer para se curar da bebida ou da provável perturbação psicológica. Tivemos a oportunidade de ajudá-lo e não fizemos! Muito pior par nós, que Deus o ilumine no seu novo caminho!

Raimundo Marinho
Jornalista
Sob o tema “O Primado do Espírito”, realizou-se, em Salvador, de 3 a 6 deste mês, o “XIV Congresso Espírita da Bahia”, promovido pela Federação Espírita do Estado da Bahia. Reuniu espíritas convictos, a grande maioria, e simpatizantes. Primado vem a ser, segundo o dicionário, primazia, prioridade, preferência, superioridade, excelência.
E a humanidade já começa a se posicionar mais claramente nessa visão de vida. Ainda conforme os dicionários, espírito tem várias significações, das quais destacamos: parte imaterial do ser humano, alma, suposta entidade superior que transcende a matéria, o pensamento, a mente. Entre os estudiosos, é consenso que o espírito é a autêntica realidade da vida.
O amálgama de tudo é a espiritualidade, definida como a “qualidade ou caráter de espiritual”, o ponto de união entre os movimentos religiosos cristãos. E sem possibilidade de sectarismo, pois independe de conceitos ditados pela opção humana. A vida não é optativa, exsurge do comando inexorável das leis naturais, cujo conhecimento e compreensão são nossos desafios.
O Congresso Espírita, com mais de duas mil pessoas, foi uma grande reunião, com multifacetados subtemas, discorridos na mais absoluta democracia. Poder-se-ia simplesmente dizer que foi um encontro de espíritos, nas dimensões determinadas pelo grau de conhecimento de cada um.
O marco foi o trato simples de temas complexos, envolvendo o nascer, o viver e o morrer ou não morrer. O foco foi Deus e suas consequências, tendo ao centro a realidade humana, cujo destino inescapável é retornar à própria Divindade, sob a luz dos amorosos ensinamentos de Jesus Cristo.
O primado do espírito abrange todos os movimentos de fé, em qualquer forma de adoração e ou de estudo da realidade divina, da qual somos partes indissociáveis. Diferenciamo-nos apenas pelo grau de conhecimento pessoal.
As religiões não são abrangentes, o que condiciona as pessoas, as quais, em maioria desesperadora, inquietam-se com objetivos imediatistas. Mas, se visto mais acuradamente, o movimento religioso se apresenta convergente, na sua idéia central, embora desunido por pensamentos cambaleantes.
Por exemplo, é triste ver certas didáticas religiosas usadas como meios de convencimento para a busca de satisfações predominantemente na existência física. São teatralizações enganatórias, em falsa invocação de Deus, cuja imagem e a de Jesus são usadas como meros recursos de marketing.
No viver crístico, a existência física é mero suporte didático e experiencial, para aperfeiçoamento e evolução do viver espiritual, conforme o Plano de Deus. Nesse sentido, a temática do citado Congresso foi um luzeiro para os participantes, espíritas convictos ou não.
Onde forem debatidas a condição humana, as razões e finalidades do nascer, do viver e do morrer, a espiritualidade estará presente, ainda que dela não se tenha consciência. Ela sempre prevalecerá nos movimentos de fé, marcando-os seja pelo acento que lhe for dado ou por eventual omissão.
Não haverá cristianismo sem a consciência da espiritualidade, não importa que denominação receba de outros ângulos pelos quais se estuda a vida, como a teologia, a filosofia, a psicologia e a política.
Os projetos terrenos refletem a estrutura da existência espiritual, ainda que a arrogância e obtusidade dos homens levem à sua negação. Tais projetos, voltados para a organização social e o viver individual, vem da inteligência humana, que é a manifestação do princípio de Deus inserto em nós.
Todo movimento de fé ensina condutas para salvação da alma, o que significa crença na espiritualidade. Não se pode compreender sua grandeza sem afastá-la da materialidade e reconhecer que, ao contrário desta, ela tem caráter imortal. É nela que vamos nos realizar, como caminho de retorno a Deus, não importando nem mesmo se, a priori, acreditamos ou não nEle.
Embora necessários, o estudo a esse respeito não é impositivo, deve ser livre, como mostrou o encontro dos espíritas e dos espíritos. É a visão que os movimentos de fé deveriam ter. Não poderá haver gestos dirigidos a Deus fora do primado do espírito. Está na essência do que Jesus ensinou, elegendo como mandamentos principais o amor incondicional a Deus e o amor ao próximo.
Ao Supremo, a incondicionalidade do amor e ao Próximo a condição de amá-lo tanto como a nós mesmos! E, como lição de ordem geral, recomendou: Se vos amardes uns aos outros, todos saberão que sois meus discípulos (Jo 13, 35).
Artigo – 07.11.2011
Márcia Oliveira
Professora
Cecília Benevides Meireles é um nome conhecido. Lembrado e recitado, está gravado em livros e na memória daqueles que aprenderam a arte da poesia e dela não se esquecem. De quatro irmãos, foi a única que sobreviveu. Ela nasceu no bairro da Tijuca, num dia de primavera, 7 de novembro de 1901. E foi num dia da estação das flores que ela deixou a vida na terra para brilhar e compor versos em outras esferas, num infinito que nos separa, no dia 9 de novembro de 1964. "Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira".
Desde cedo, abraçou a literatura para esboçar, em forma de versos, o que lhe ditava a alma sensível, solitária, humana, silenciosa. Alma de poeta. "Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte do meu pai e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno". Foi criada pela avó - quem deu a ela todo o suporte para trilhar os caminhos que a levaram ao topo de ser reconhecida e chamada de POETA, não simplesmente poetisa.
Amava os livros que lhe eram oferecidos, achava lindos aqueles que ostentavam letras douradas nas capas e seus olhos brilhavam diante deles, que a convidavam para navegar em suas páginas solitárias, iguais ao seu universo de criança, quase sem ninguém, buscando em cada personagem um amigo invisível para com ele dialogar e descobrir um mundo novo, cheio de histórias e magia. Escreveu a sua primeira poesia aos nove anos e dali em diante ninguém mais conseguiu desviá-la do lirismo e da subjetividade que a cercavam.
Professora, jornalista, tradutora, esposa, mãe, pintora, Cecília era incansável. "Não sejas o de hoje. Não suspires por ontens... não queiras ser o amanhã. Faze-te sem limites no tempo". "Tenho fases como a lua; fases de ser sozinha, fases de ser só sua".
Sua poesia é atemporal, apesar dela ter se destacado no movimento modernista, ao lado de Vinícius de Morais, Murilo Mendes, Jorge de Lima e outros tantos escritores, sua obra tem muito do Simbolismo, do Romantismo, do Barroco.
Escritora de fino apuramento formal, de aguda sensibilidade, capaz de transmitir sutilezas quase indescritíveis da psicologia feminina, Cecília desenvolveu uma poesia reflexiva, de fundo filosófico, cuja preocupação com a transitoriedade da vida e a fugacidade estão presentes em cada página. A música, o ar, o vento, o mar, o misticismo, o amor são elementos constantes em toda a obra ceciliana, dando a ela um caráter fluido e etéreo, vazado por rica imagética de sugestões aquática, cromática e espacial.
"Em toda a minha vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade".
Cecília se destacou no verso, em que demonstrou tamanha habilidade, mas se esmerou também nos contos, crônicas, folclore e na literatura infantil. Admiradora e tradutora do poeta hindu Rabindranath Tagore, ela ponderou certa vez: "A poesia tagoreana conduz a uma visão de santidade, de serenidade, na contemplação geral, visão que as gerações atuais mal podem compreender. Não será impossível um renascimento de Tagore, quando essa onda turbulenta e caótica se acalmar, quando os jovens acreditarem na supremacia do Espírito sobre todas as coisas e a sabedoria do Oriente não for ignorada no Ocidente tão técnico".

Querida Cecília, talvez um dia isso aconteça, quando a poesia e a verdadeira música voltarem a fazer parte da vida desses jovens internéticos, desatentos, isolados da essência do ser e que se acham, mas não se encontram.
Duas poesias de Cecília Meireles foram transformadas em música por Raimundo Fagner, que renderam ao mesmo processos judiciais: "Canteiros": "Quando penso em você, encho os olhos de saudades/Tenho tido tanta coisa, menos a felicidade"... e "Motivo": "Eu canto porque o instante existe e minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta"...
E sendo poeta ela traduziu muito bem o que é ser completa num mundo tão complexo e individual. Preocupou-se com a questão da igualdade e da liberdade do homem, o que expõe em "Romanceiro da Inconfidência".
Nesse livro, por meio de uma hábil síntese entre o dramático, o épico e o lírico, retrata a sociedade de Minas Gerais do século XVIII, principalmente a vida do mártir Tiradentes: “... Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta/que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".
Sensibilidade, espiritualismo, preocupação com o ser no mundo, a musicalidade, silêncio, solidão, a poesia, perdas, o infinito, contemplação universal, o tempo fizeram de Cecília não só um nome de mulher destaque da nossa literatura, mas a denominação plena da palavra POETA.
Por essas e outras é que a fiz presente nas minhas preferências literárias, por haver em mim um tanto do que ela viveu e sofreu, as perdas, por exemplo. E acima de tudo, o amor pela poesia.
"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre". Assim foi Cecília Meireles: Plena, fluida, serena. Eterna, como sua poesia.

O jovem artista plástico Venilson Alves, 21 anos, expôs seu talento, na mostra “Arte Brasileira de Raiz e Cultura”, dia 30 de outubro, no distrito de São Timóteo, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia. Foi uma promoção do grupo “Projovem Trabalhador”, do qual ele faz parte.
Segundo relato do professor Alexirley Ramos, Venilson “é um artista nato, desde a infância já manifestava aptidão e interesse para a pintura”, acrescentando que “suas telas retratam a vida do homem do sertão, paisagens naturais e casarões históricos do período colonial” e deixaram o público encantado.
No mesmo relato, acrescenta que a obra do jovem artista apresenta um “traçado marcante, de contraste de luz e cor”. Ao ouvirem a história de vida do autor, declamada na forma de poesia de cordel, de autoria do próprio Venilson, muitas pessoas se emocionaram e choraram. Ele mostrou toda sua trajetória de vida e luta pela realização de um sonho, ali concretizado, na primeira exposição.
Houve o leilão de três telas do artista. Uma delas retrata a jornada dos tropeiros em nossa região. Outra é a cachoeira de Livramento, principal cartão postal do município. E, por fim, uma terceira, retratando um dos casarões históricos da região, construído no período colonial. Emocionado, Venilson agradeceu à sua família e a todos que colaboraram para a concretização da mostra.
Dentre os que foram prestigiar o evento estavam prefeito Carlos Roberto Souto Batista, primeira dama e secretária de Governo Suzete Spínola Souto, vereadores João Amorim e João Louzada, e a coordenadora do Projovem Trabalhador, Zulimar Azevedo.


Professor
A nossa realidade atual nos remete a pensar que vivemos dentro de livros e obras de grandes autores, escritores e profetas, profetas porque sem querer previram em seus livros o que viveríamos futuramente.
Euclides da Cunha, ao fazer a cobertura jornalística de Canudos, faz-nos relacionar com hoje também seus colegas desbravadores, que vivem escrevendo diariamente seus “Sertões”, denunciando as mazelas, as impunidades e o massacre sangrento de uma população. E a celebre frase de Euclides da Cunha caberia como uma luva para os dias atuais, pois estes sertanejos que vivem aqui são antes de tudo uns fortes.
E se falássemos do Monge de James Hunter, pois retrata nossos líderes que chegam ao poder muito mais pelo próprio poder do que pela autoridade e capacidade de liderar com servidão, como o líder de todos os líderes, JESUS CRISTO, pois nossos representantes não aprenderam ainda a conjugar o verbo servir na 1ª pessoa do singular.
Mas, muitos desses líderes têm como livro de cabeceira O Príncipe, de Maquiavel, obra que muitos usam de forma maquiavélica, esquecendo de interpretá-la de maneira coerente como chegar de forma correta e casta ao principado civil. Pois descobriram que, com o uso da força, do dinheiro e da repreensão é mais fácil se chegar ao poder e corromper uma sociedade oprimida pelos desmandos.
Portanto, precisamos pensar com o patriotismo de Policarpo Quaresma, porém, sem termos que nos arrastar aos pés dos poderosos, pois, ao final, ainda nos acusarão de traidores. Temos que pensar como o Alquimista de Paulo Coelho e desejar a mudança de puro coração, pois, assim, todo o Universo conspirará em nosso favor.
Precisamos nos livrar desta cruz que carregamos nas costas como Zé do Burro, personagem do Pagador de Promessas, de Dias Gomes, e, enfim, seguir como exemplo além destas obras supracitadas, seguir o livro dos livros, a Bíblia Sagrada, que tem como protagonista Aquele que é exemplo de luta contra as desigualdades, as injustiças e a opressão, Aquele que nos ensinou acima de tudo a sermos cristãos.

Sob o título “LIVRAMENTO: Galo consegue 65 cisternas para a comunidade de Várzea D’Água”, a Assessoria de Comunicação do deputado estadual Marcelino Galo, do Partido dos Trabalhadores, distribuiu para a imprensa, dia 31 do mês passado, press release com o seguinte texto:
O município de Livramento de Nossa Senhora, na região sudoeste da Bahia, ganhará 65 cisternas para consumo [sic], que serão instaladas na comunidade de Várzea D’Água, beneficiando os produtores rurais da região e de localidades vizinhas. A demanda é um pleito do deputado estadual Marcelino Galo (PT), com o diretor do Hospital Geral de Vitória da Conquista, Gerardo Júnior (PT), e os militantes Zé Ribeiro e Caxião do Partido dos Trabalhadores de Livramento e foi liberado pela Companhia de Desenvolvimento de Ação Regional (CAR), em reunião na tarde desta segunda-feira (31).
“A região sofre com a falta de água e estamos trabalhando para mudar essa realidade. Ações estruturantes da CAR são fundamentais para desenvolver as comunidades de Livramento e outras localidades. Os produtores rurais terão maiores condições de produção de alimentos para comercializar e para a subsistência. Outras regiões também serão beneficiadas com esta ação da CAR”, afirma Marcelino Galo.
Segundo o presidente da CAR, Vivaldo Mendonça, o valor das obras para Livramento chega a R$156 mil e o órgão público pretende ampliar as construções de cisternas para atender os produtores do campo com eficiência. “Já construímos 30 mil cisternas. A intenção do Governo é construir mais de 100 mil até 2014”, considera Vivaldo.
O texto é um primor do clientelismo político que ainda impera na Bahia, voltado, principalmente, para municípios pobres como Livramento. A obra poderia simplesmente ter sido anunciada pelo governo, através da direção da CAR, que é a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, empresa vinculada à Secretaria Estadual do Desenvolvimento e Integração Regional do Estado da Bahia (Sedir), que tem essas ações como parte de suas atividades.
Pergunta-se, então: por que foi necessário que o deputado “conseguisse” e fizesse o anúncio? Respondemos: simplesmente para iludir eleitores, passando a idéia de deputado benfeitor da região. Estamos em ano pré-eleitoral. E, o mais esdrúxulo, ele não atuou sozinho, necessitou de reforço de outros militantes, “como o diretor do Hospital Geral de Vitória da Conquista, Gerardo Júnior (PT”.
Pergunta-se, novamente, que tem Gerardo Júnior a ver com as atividades da CAR e as movimentações do parlamentar? Funcionalmente, nada, a não ser pertencer ao mesmo partido e ser pré-candidato a prefeito de Livramento de Nossa Senhora. A vinculação do seu nome ao anuncio das obras o beneficia, claro, e impressiona eleitores, com uso da máquina governamental.
Saliente-se, também, a insignificância da obra. São apenas 65 cisternas, um nada diante da necessidade da população e do projeto total do governo que, segundo o próprio texto distribuído, inclui 130 mil cisternas, 30 mil já construídas. As míseras 65 reservadas a Livramento custarão míseros R$156 mil, como dito no release, que são uma esmola, como diria o sertanejo, diante dos mais de R$200 milhões do projeto total.