Audiência Pública – 30.07.2015

Livramento vai arrecadar
R$75,6 milhões em 2016

 

Raimundo Marinho
Jornalista

A receita de Livramento subirá de R$68,7 milhões (2015) para R$75,6 milhões (2016)

A Prefeitura de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, realizará audiência pública, no dia 5 do próximo mês, para divulgar e receber eventuais sugestões ao Projeto de Lei contendo a proposta orçamentaria para 2016.

Será a partir das 14h, na Câmara de Vereadores. Não faz isso por eventual amor à transparência, mas por determinação legal (Lei nº 101/2000, art. 48, § único, inc. I, conforme redação dada pela LC  nº 131/2009).

O edital de convocação está no Diário Oficial Eletrônico do Município, onde também pode ser acessado o texto integral do Projeto de Lei Orçamentária. Leia antes as propostas e leve suas críticas e sugestões.

O projeto estima a receia corrente em R$81.284.762,00, dos quais R$76.746.724,00 são repasses da União e do Estado. Feitas as deduções legais, a arrecadação líquida prevista será de R$ 75.628.300,00.

Apesar da crise econômica e da choradeira dos gestores, houve um incremento de 10% em relação a 2015, bem mais que a inflação oficial, ao subir de R$68,7 milhões (2015) para R$75,6 milhões (2016).
 
A distribuição será entre Poder Legislativo (R$3.730.859,00) e secretarias do Executivo: Governo (R$1.132.109,00), Administração (R$4.340.330,00), Fazenda (R$1.951.262,00), Educação (R$33.366.284,00).

Obras e Serv. Públicos (R$9.799.224,00), Saúde (R$27.872.616,00), Assist. Social (R$2.418.967,00), Agricultura, Com. e Serv. (R$300.613,00), Controladoria (R$172.551,00) e Esporte, Cult. e Lazer (R$543.485,00).

Cada cidadão, agora, deve procurar saber como e onde tais recursos serão aplicados. Ao longo de anos, vem sendo gastos aleatoriamente, pois nunca existiu um planejamento indicando a alocação do dinheiro público.

Clique aqui e leia o projeto de lei na íntegra>>

 

Ajustamento – 30.07.2015

Prefeito demitirá este ano
pelo menos 374 servidores

 

Paulo Azevedo: ajustando a conduta

Raimundo Marinho
Jornalista

Pelo menos 374 servidores temporários da Prefeitura de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, ocupantes de cargos que não existem em Lei, serão demitidos até 31.12.2015.

E até 1o.10.2015, serão, igualmente, exonerados outros temporários que estejam ocupando cargos para os quais existem aprovados no último concurso público realizado pela prefeitura.

A prefeitura possui, ainda, 408 servidores efetivos em cargos não descritos na legislação atual. Para estes, o prefeito terá 30 dias para enviar projeto de lei à Câmara, regularizando a situação.

Estes são alguns dos compromissos que o prefeito Paulo César Cardoso de Azevedo assumiu, último dia 28, no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que assinou perante a 1a Promotoria de Justiça da Comarca.

O promotor Millen Castro presidiu o ato, presentes ainda o secretario da Educação, Sebastião Oliveira; a presidente do Sindicato dos Profissionais da Educação, Silvia Letícia; e o representante da APLB, Gerlando Oliveira.

O TAC resultou de inquérito civil realizado pela Promotoria e o prefeito fica impedido, também, de fazer contratações sem concurso público, salvo nas hipóteses emergenciais previstas na lei.

Se descumprir qualquer das cláusulas ajustadas, Paulo Azevedo ficará sujeito a uma multa diária de cinco salários mínimos, além, claro das cominações por violações legais que venha praticar.

Clique aqui e leia o TAC, na íntegra>>

 

Administração – 27.07.2015

Novo secretário assume
em final de governo difícil

 

Raimundo Marinho
Jornalista

Webster Lima, novo Secretário de Governo

O prefeito Paulo Azevedo, de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, saca um trunfo importante, para os 17 meses finais de sua administração, ao nomear Webster Nobral Meira Lima como Secretário de Governo.

Só precisa deixar o rapaz trabalhar e não fazer dele uma “Rainha da Inglaterra”, como fez com os anteriores. O novo titular tem a árdua missão de resgatar a credibilidade do prefeito, abalada até mesmo entre correligionários.

Webster estava em desvio de função, pois fora nomeado Diretor Administrativo Financeiro da Secretaria da Saúde e trabalhava como coordenador de transportes. Agora, vai poder mostrar serviço!

Fizemos rápida entrevista com ele, via e-mail. Disse que vai ser a ponte entre a comunidade e a Administração: “Ouvindo os anseios do povo, transmitindo ao prefeito, para juntos buscarmos soluções satisfatórias”.

Na entrevista, alinhou realizações que, segundo ele, representam 80% das promessas de campanha e “que o início e conclusão das obras anunciadas pelo prefeito, darão o impulso necessário à estabilidade do governo”.

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra>>

 

Livramento – 27.07.2015

Padre Ademário deixa
Ouvidoria do Município

 

Pe. Ademário da Silva Ledo Filho

Raimundo Marinho
Jornalista

O padre Ademário da Silva Ledo Filho, pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, pediu afastamento da função de Ouvidor, que exercia na Prefeitura de Livramento de Nossa Senhora, Bahia.

O ato exoneratório foi publicado no Diário Oficial Eletrônico do Município, no ultimo dia 10. Sua nomeação, em 2013, gerou muita polêmica entre os que  ignoravam que um padre pudesse exercer função pública.

Consta que, mesmo dentro das limitações existentes na estrutura do órgão, ele pode intermediar a solução de muitas demandas da comunidade, contribuindo de modo significativo com a gestão municipal.

Outras mudanças - No gabinete do Prefeito Paulo Azevedo, a assessora administrativa Marla Dourado de Oliveira trocou de lugar com a coordenadora de recursos humanos Janaina Trindade de Oliveira, conforme atos publicados dia 01.07.2015.

 

Águia Jato – 26.07.2015

Semelhanças entre os atos
de Livramento e Paramirim

 

Raimundo Marinho
Jornalista

Nos atos licitatórios divulgados pelas prefeituras de Livramento de Nossa Senhora e Paramirim, na Bahia, ambas investigadas pela Polícia Federal (PF), na Operação Águia de Haia, a descrição do objeto é idêntica.

Muda apenas o nome das contratadas, mas até o CNPJ é o mesmo, uma grave evidência de fraude. O investigado usou Kells Belarmino Mendes, em Livramento, e suas iniciais KBM Informática-Me, em Paramirim.

As duas empresas contrataram, respectivamente, R$2.960.000,00 (Livramento) e R$2.220.000,00 (Paramirim), usando o mesmo número de CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica): 02.261.314/0001-73.

Além dos crimes próprios, praticados só por servidor público, a PF suspeita, ainda, do crime de formação de quadrilha, envolvendo o desvio de recursos  do Fundeb, que chega a mais de R$57 milhões, na Bahia.

Como insidiosa metástase

E a metástase desse cancro insidioso que corrói o país, a corrupção, manifesta-se pertinho de nós. Em Livramento, a PF investiga o gabinete do prefeito, o setor que realiza licitações e a Secretaria da Educação.

Sem explicar como souberam, antes, da batida policial do último dia 13, o prefeito Paulo Azevedo e o ex-secretário da Educação Paulo Lessa, atual presidente da Câmara, usaram uma certidão do TCM como defesa.

O documento atesta que não há, no Tribunal de Contas, registro de pagamentos à empresa investigada (Kells Belarmino Mendes). Mas Polícia Federal garante que tais pagamentos não são informados aquela Corte.

O prefeito garante que não houve contrato, nem pagamento, mas o ex-secretário afirmou que houve contrato, mas foi cancelado. Não houve ato de cancelamento e vigorou de sete de maio a 31 de dezembro de 2013.

Houve apenas um aviso de revogação do Pregão Presencial no 034/2013, do qual originou o contrato, sem dizer as razões e sem a fundamentação exigidas no art. 49 da Lei das Licitações (Lei no 8.666/1993).

Lava Jato e Águia e Haia

Lava Jato é um posto de lavagem de carros e deu nome à operação da Polícia Federal que desvendou o mega esquema de roubo de dinheiro da Petrobrás, envolvendo servidores, políticos e empresários.

Águia de Haia é outra operação, também para investigar roubo de dinheiro público. Desta vez, do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).
 
“Águia”, ave de rapina, de grande acuidade visual, da família Accipitridae, carnívora. “Haia”, cidade do oeste da Holanda (Países Baixos), sede das “conferências internacionais de paz”.

Foi lá, representando o Brasil, que o Dr. Ruy Barbosa impressionou o mundo e consagrou nossa diplomacia, em 1907, com seu pensamento e oratória irretocáveis, recebendo o elogioso epíteto de “Águia de Haia”.

Não sei se o empréstimo do nome, pela PF, tem lógica, a não ser pelo fato de sua operação buscar o resgate da moralidade e defender o patrimônio público, coisas que certamente foram centrais na agenda de Ruy Barbosa.

Clique aqui para ver os documentos>>

 

Educação – 26.07.2015

Escola Felipe Nery Rego é
campeã nas metas do IDEB

 

Raimundo Marinho
Jornalista

Sala de aula da Escola Felipe Nery, no Taquari (foto reproduzida do site Livramento Diário, via internet)

A Escola Municipal Dr. Felipe Nery Rego bateu todas as metas, estabelecidas pelo Governo Federal, de 2007 a 2013 do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), 4a Série/5o ano, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia.

A medição ocorre de dois em dois anos. Para 2007, a meta era 2,8, ela alcançou 3,2. Em 2009, era 3.2, ela alcançou 4.2. Para 2011, era 3.6, ela alcançou 4.7. Em 2013, era 3.9, e a Felipe Nery chegou a  4.6.

Parabéns para a grande campeã, seus alunos e diretores. Em segundo lugar, está a Escola Municipal D. Pedro II, com 3.9 (2007), 4.1 (2009), 4.2 (2011) e 2.9 (2013). Metas: 2.6 (2007), 3.0 (2009), 3.4 (2011) e 3.7 (2013).

Afora esses destaques, a rede municipal local, 4a série/5o ano, andou para trás. Depois de uma escalada evolutiva, em 2007 (3.9, meta de 3.6); 2009 (4.2, meta de 3.9); e 2011 (4.5, meta 4.3); retrocedeu em 2013, com 4.0, meta 4.6.

Foi pior ainda no 8a Serie/9o ano, com 3.6, meta 3.6 (2007); 3.6, meta 3.7 (2009); 3.7, meta 4.0 (2011); e 3.1, meta 4.4 (2013). É hora da administração dizer como são gastos os recursos do Fundeb, que se destinam, exatamente, ao desenvolvimento da Educação.

Na rede estadual (8a Série/9o ano), o destaque é para a Escola Polivalente, que só não bateu a meta em 2013. Ficou com 3.3 (2007), meta era 3.0; 3.6 (2009), meta de 3.1; 3.7 (2011), meta de 3.4; e 3.4 (2013), meta de 3.8.

O João Vilas Boas empatou com a meta em 2011, com 4.8, e ficou abaixo em 2007 (4.1, meta 4.4), 2009 (4.3, meta 4.6) e 2013 (3.8, meta 5.2). A Escola Dona Tina só pontuou em 2007 (1.9, não consta meta) e 2013 (4.2, meta 2.5).

Fonte: http://ideb.inep.gov.br/resultado/

 

Justiça – 26.07.2015

30% de vagas para negros
em concursos do TJ-BA

 

Raimundo Marinho
Jornalista

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) aprovou Proposta de Resolução, dia 24, estabelecendo reserva para candidatos negros de 30% das vagas nos concursos públicos da Corte, para a magistratura e outras áreas.

Destaca ser a primeira Corte do país a tomar essa decisão, considerada histórica, pelo seu alcance social, além de inédita entre os tribunais estaduais, e atende orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Para o desembargador Lidivaldo Brito, presidente da Comissão de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos, o percentual se justifica pela grande presença de afrodescendentes em nosso país.

A Proposta de Resolução foi debatida, antes, na Comissão Permanente de Reforma Judiciária, Administrativa e de Regimento Interno, presidida pela desembargadora Cynthia Maria Pina Resende e composta, ainda, por seus pares Gardênia Duarte, Ivone Bessa e Augusto Bispo.

(Texto elaborado a partir de release da Assessoria de Comunicação Social do TJ-BA)

 

Educação ferida – 24.07.2015

APLB repudia violência e
solidariza-se com diretora

Raimundo Marinho
Jornalista

Faltou pouco para a professora Verailza Oliveira de Assis, diretora do Colégio Estadual Horácio de Matos (Jussiape-BA), ser assassinada, no último dia 22, por um aluno de 15 anos, que mora na zona rural.

Flagrado soltando bombas no interior da escola, foi solicitado pela diretora a comparecer, no dia seguinte, junto com os pais, para tratar do assunto. Ao invés dos pais, ele levou um facão e o propósito de matar.

Sua intensão, segundo teria confessado, era assassinar a docente a caminho do colégio, onde estaria totalmente indefesa. Mas um outro compromisso fez com que ela se atrasasse, sem que ele soubesse.

Barrado, à entrada do estabelecimento, o menor usou o facão para golpear, gravemente, o segurança, que teve de ser hospitalizado. Na Polícia, o estudante teria confessado o plano de matar a diretora.

O crime causou indignação entre os profissionais da área, na região, mas a Secretaria da Educação do Estado, em nota, disse apenas que vai “adotar procedimentos pedagógicos para normalizar a situação”.

Diretor da Delegacia da APLB, Jânio Lima, esteve no colégio, onde as aulas foram suspensas

REPÚDIO DA APLB-SINDICATO

Os diretores da Delegacia Regional da APLB-Sindicato, sediada em Livramento de Nossa Senhora, divulgou moção de repúdio à violência e solidarizaram-se com a diretora, o segurança e suas famílias.

O diretor da Delegacia Sindical, professor Jânio Soares Lima, disse que esse foi apenas “mais um dos muitos casos de violência física, psicológica e verbal que acontece nas escolas, principalmente da nossa região”.

Clique aqui para ler mais:
. Moção de repúdio da APLB-Sindicato
. Nota da Secretaria da Educação

 

Ordenação – 18.07.2015

Weverson atendeu
ao chamado de Cristo!

 

Raimundo Marinho
Jornalista

Foi um dia de festa e muita alegria, principalmente na alma do filho de Seu João Antônio e D. Nadir. Humorista nato, ele nasceu diferente, nasceu engraçado, alegre e brincalhão. Diferente até no nome: Weverson!

Weverson Almeida Santos, 26 anos! Nome estranho, hão de dizer alguns. Tem origem anglo-saxônica e significa “bom filho” ou “filho do bem feitor”, “destemido”, “aquele que enfrenta seu destino”.

A razão da festa e da alegria foi sua recente ordenação diaconal, na cidade de Paramirim, Bahia, celebrada pelo bispo diocesano Dom Armando Bucciol. Reuniu fiéis, colegas religiosos, autoridades, amigos e familiares.

Agora, ele é Diácono, o primeiro grau do sacramento da ordem. Em seguida virá o segundo, que é o presbiterado ou sacerdócio, talvez ainda este ano. É diferente do diácono permanente, que existe em algumas dioceses.

Em entrevista, via e-mail, a este site, disse: “é meu desejo ser arauto da Verdade que é Cristo, ainda que isso me custe. Quero que Deus venha em socorro da minha fraqueza e me ajude a transmitir essa mensagem”.  

Weverson estudou no então Grupo Escolar Lauro de Freitas, depois na Escola Polivalente e Colégio Estadual João Vilas Boas, em Livramento de Nossa Senhora.

Iniciou a formação seminarística (propedêutico), no Seminário São José (Caetité-Ba, 2007). Estudou filosofia em Ilhéus (2008-2011), de onde seguiu para Belo Horizonte, para fazer o curso de Teologia.

Clique para ler:

1. Entrevista com o diácono Weverson Almeida
2. Sua mensagem no dia da ordenação diaconal

 

Águia de Haia – 14.07.2015

Certidão indica que prefeito e
vereador sabiam da operação

 

Paulo Azevedo (esq.) e Paulo Lessa negaram envolvimento da Prefeitura de Livramento

Raimundo Marinho
Jornalista

O prefeito Paulo Azevedo e o ex-secretário da Educação, Paulo Lessa, do município de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, não tiveram seus nomes revelados pela  Operação Águia de Haia, da Polícia Federal, mas se anteciparam declarando não haver envolvimento da prefeitura, mas levando-se a crer que estão entre os investigados.

As declarações foram divulgadas no mesmo dia da ação surpresa da PF, acompanhadas de uma certidão do Tribunal de Contas dos Municípios, datada de 06.07.2015, atestando que a prefeitura “não empenhou despesa nem efetuou pagamento” à empresa a Kells Belarmino Mendes, investigada na operação policial.

A certidão, obtida antes pelo prefeito Paulo Azevedo, pode levar a PF a querer saber como vazou a informação da ação, supostamente sigilosa, para apreender documentos e computadores dos envolvidos. Foram levados computadores do ex-secretário, do gabinete do prefeito e da Secretaria da Educação.

Outra coincidência foi a publicação, no mesmo dia da ação da PF, do Extrato de Contrato nº 0138/2015” da Prefeitura de Livramento com advogados de Brasília, aparentemente para atuar em tribunais superiores e na administração federal, e eles teriam vindo assistir as duas autoridades.

 

FRAUDES ESTÃO CONFIRMADAS

A operação envolve os estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, para investigar roubo de dinheiro do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Livramento está entre os 19 municípios baianos onde a PF já confirmou haver fraudes.

Foram desviados do Fundeb, na Bahia, segundo a PF, algo em torno de R$57 milhões. O delegado evitou citar nomes, mas foi divulgado que o introdutor da ladroagem na Bahia, liderada pela Kells Belarmino Mendes, teria sido o deputado Carlos Ubaldino (PSD).

Os que forem confirmados como responsáveis pelo desvio do dinheiro público poderão ser indiciados por vários crimes, incluindo improbidade administrativa, peculato, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. Cerca de 450 policiais federais participam da operação para apurar os crimes

CONTRATO DE R$2,960 MILHÕES

A Prefeitura de Livramento contratou, sim, por seis meses, a empresa Kells Belarmino Mendes, investigada na Águia de Haia, conforme “Extrato de Contrato  nº 034/2013”, no valor de R$2.960.000,00 (Diário Oficial do Município, 13.05.2013), para prestação de serviços tecnológicos na área da Educação.

Quando faltavam 36 dias para seu termo, foi publicado aviso no Diário Oficial do Município (06.11.2013), informando que o Pregão Presencial nº 034/2013, que deu origem ao contrato, fora revogado.

O aviso não faz qualquer referência ao contrato nem ao contratante, nem foi acompanhado do ato de revogação e respectiva fundamentação legal, podendo significar que não houve rescisão antecipada.

O aviso coincide com o início da investigação policial, na Bahia, em 2013. A PF nada disse ainda sobre possíveis valores desviados em Livramento, mas o município recebeu do Fundeb, de 2013 a 2015, mais de R$40 milhões.

(Solicitamos a manifestação do prefeito e do vereador, via e-mail, mas não responderam até a postagem dessa matéria)

Clique e veja:

Estrato do contrato com a empresa investigada>>

Certidão do TCM solicitada pelo prefeito>>

 

Nota de apoio – 14.07.2015

APLB apoia investigação
e orienta trabalhadores

 

Raimundo Marinho
Jornalista

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB) divulgou nota declarando apoio integral a “toda e qualquer investigação da Operação Águia de Haia, da Policia Federal”, esclarecendo que “sempre denunciou essa ação nociva contra a Educação”.

A nota faz um resumo dos acontecimentos envolvendo a operação policial e aos desvios de dinheiro do Fundeb. É dirigida, principalmente, aos trabalhadores em educação de Livramento e Paramirim, municípios listados na operação da PF, e pertencentes à Delegacia Sindical da região.

O diretor da Delegacia Sindical, sediada em Livramento, Jânio Soares Lima, aproveitou para lembrar que “nos últimos dez anos a APLB encaminhou mais de duas mil denúncias ao MP e foi a partir de uma denúncia da APLB-Salvador ao Ministério Público Estadual (MPE) que surgiram as investigações da Polícia Federal que levaram à deflagração da Operação Águia de Haia”.

Clique aqui para ler a nota na íntegra>>

 

Artigo – 06.07.2015

Castro Alves: mocidade e morte!

Curralinho (Ba) - 14/03/1847
Salvador (Ba) - 06/07/1871

 

Por Márcia Oliveira

Em tudo que tocou, deixou a marca do sentimento carnal da liberdade. Poeta, ainda menino, fez transbordar em cada verso a força do gênio que transpunha a emoção, sem nunca perder a razão. Sua subjetividade sobrevoou pelos cantos e encantos da poesia, por ele notabilizada.

Conheci a genialidade do poeta Castro Alves, ainda pequena, com minha mãe, que sabia de cor sobre a vida e algumas poesias dele. Ele me encantava, principalmente com o vasto e rico vocabulário, para um menino, que, aos 12 anos, já havia traduzido poemas de Lord Byron, Victor Hugo, Musset, Lamartine, Camões, Dante Alighieri, Virgílio.

Sua linguagem rebuscada e o conhecimento sobre várias temáticas fizeram dele uma referência cultural. Se ainda vivesse, com o advento da tecnologia, com tantas possibilidades, o que não faria esse gênio da poesia?

Certamente se uniria sua intelectualidade e inspiração, leitura e mídia. Do WhatsApp, nos enviaria sua produção poética. No facebook, milhões de “curti”. Que avanço seria! Mas, o livro? Esse, naturalmente manteria sua soberania.

“Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros à mão-cheia/ E manda o povo pensar!/ o livro caindo n’alma/ É germe que faz a palma/ É chuva que faz o mar!” (O livro e a América)

Ceceu, seu apelido carinhoso, nasceu com o dom de defender tudo e todos que estavam na contramão dos ideais ditados pelo direito à liberdade. Foi no colo da negra Leopoldina, sua ama de leite, que ouviu as primeiras histórias de dores e dissabores protagonizados pelos escravos.

Isso teria sido a inspiração para o poema A Cachoeira de Paulo Afonso, que narra o envolvimento amoroso entre os negros Lucas e Maria.

Sempre em versos abarrotados de dor, o poeta retratava os sofrimentos dos negros escravizados, como em A canção do Africano:

“Lá na úmida senzala,/sentado na estreita sala/ junto ao braseiro no chão./ Entoa o escravo o seu canto/ e ao cantar correm-lhe o pranto/ saudades do seu torrão./ Minha terra é lá bem longe, / das bandas de onde o sol vem,/ essa terra é mais bonita,/ mas a outra eu quero bem...” (A canção do Africano)

Assim, cresceu, questionando sobre as diferenças e indiferenças que tantos injustiçados carregavam na alma aflita. O negro escravo foi a palavra mais viva da sua poesia social. A escravidão o incomodava e fazia com que ele ganhasse a praça, para que, com seus versos inflamados, carregados de metáforas e hipérboles, servissem de alento aos que bailavam e cambaleavam ao som estridente dos chicotes que lhes açoitavam a pele:

A praça é do povo como o céu é do condor!”. “Senhor, Deus dos desgraçados! Dizei-me vos, Senhor Deus! Se é loucura.... se é verdade tanto horror perante os céus.” (O Navio Negreiro/Os Escravos)

Atriz Eugênia Câmara, grande amor do poeta

Inspirado pelo poeta Victor Hugo, Castro Alves foi sem dúvida o arauto da liberdade e da justiça. Isso resplandece em toda sua obra, na lírica, épica ou social. O condoreirismo deu a ele a asa poética que fez da terceira fase do Romantismo brasileiro um marco magistral.

“Loucura e morte eram os temas da moda: eu sofri os dois na carne.

Refere-se à loucura do irmão José Antônio, após a morte da sua mãe, Clélia Brasília, que o levou ao suicídio.

Castro Alves foi colega de escola de outro ilustre baiano, o jurista Rui Barbosa, no colégio, cujo dono era Abílio César Borges, veio a ser, mais tarde, o Barão de Macaúbas.

Travou amizade com os escritores Machado de Assis e José de Alencar, que o aplaudiram quando lhes mostrou algumas das suas poesias, como também a peça dedicada à Eugênia Câmara: Gonzaga ou a Revolução de Minas.

O que diria hoje o insigne poeta diante do Brasil, no cenário político? Corrupção, lavagem de dinheiro, Operação Lava Jato, escândalos da Petrobrás... Talvez derramasse muitas lágrimas diante das dores de uma

pátria sofrida. Com a eloquência e bravura que eram natas, na arte de declamar, colocaria a mão no peito e daria asas à verve poética, tão sua, e repetiria hiperbolicamente estes versos, tão atuais, apesar de escritos em 1869:

 

(...)

Ó mar, por que não apagas

Co'a esponja de tuas vagas

Do teu manto este borrão?

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão! ...

VI

Existe um povo que a bandeira empresta

P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,


Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio. Musa... chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!...

(...)

 

(Navio Negreiro/Os Escravos)


Com altivez e conhecimento de causa, no clamor das injustiças, escreveu:

“Para chorar as dores pequenas, Deus criou a afeição. Para chorar a humanidade? A poesia!”

É, poeta, se assim for, haja poesia e espaço para o povo brasileiro registrar tantas lágrimas!

Cantou o amor na sua mais ampla expressão. Escreveu páginas incontáveis de paixões avassaladoras, que levaram o incontido poeta a declarar:

 “Tremei, pais de família, Dom Juan vai sair!”.

Alto, esbelto, porte elegante, sua peculiar sensualidade, dentro da vaidade embutida no paletó negro e nos cabelos impecáveis. Ganhava a noite e, com ela, a boemia. Mulheres, bebida e o sentimento se misturando às espirais do cigarro. Surgiam, daí, versos inspiradores para Idalina, Leonídia, Maria, Agnese, Dalila –  tantas que fizeram pulsar-lhe o coração enamorado!

Ali, estava a verdadeira dimensão do homem nascido para amar, sensualizando a figura feminina, que somente ele conseguiu escrever num romantismo que lhe foi singular, especial, ímpar. Enquanto os outros poetas idealizavam a mulher amada, ele a estreitava em seus braços e a materializava em seus versos:

“É noite ainda! Brilha na cambraia/ Desmanchado no roupão, a espádua nua/ O globo do teu peito entre os arminhos/ Como entre as névoas se balouça a lua!” (Boa noite)

O tempo caminha a seu lado e da sua liberdade. O amor imprime em sua alma palavras ditadas pelo coração em chama: é ela, Eugênia Câmara, A Dama Negra, inconfundível símbolo de exaustão amorosa, erotismo e sensualidade.

Por ela, sua poesia transbordou e foi por ela que ele naufragou na mais fecunda e infinita entrega. A idade não lhe dizia nada. Dez anos mais velha do que ele, a atriz portuguesa era a musa libérrima que o arrastou para o frêmito concupiscente, tendo a noite por testemunha e seu amor como inspiração:

 

(...)

Teus olhos são negros, negros,

Como as noites sem luar...

São ardentes, são profundos,

 Como o negrume do mar;

(...)


 

Teu seio é vaga dourada

Ao tíbio clarão da lua,

Que, ao murmúrio das volúpias,

Arqueja, palpita nua;

(...)

 

(O Gondoleiro do Amor)


O lirismo impregnou-se de pressentimento da morte e da precariedade da vida presa por um fio. O jovem poeta vê seu caminho encurtar-se, sinais da tuberculose, que ceifara a vida de sua mãe, aos 33 anos, começam a rondar seus dias. Os versos são seus alentos. Debruça sobre eles para amenizar as dores do amor que, aos poucos, deram espaço à tristeza da separação. Busca na caça uma distração para esquecer a musa portuguesa. Mas um tiro acidental no pé esquerdo esvaiu sua trajetória terrena, agravando sobremaneira as hemoptises.

O Poeta dos Escravos, Poeta da Liberdade, Poeta da Raça, Poeta da Abolição, O Bardo Nacional e de tantos outros epítetos viu-se enfraquecer diante da força do mal que o acometera, aos 24 anos.

Jovem que conseguiu, em tão pouca vida, deixar uma obra vasta, mas que somente uma delas viu publicada: Espumas Flutuantes. As demais são póstumas: Os Escravos, Hino ao Equador, A Cachoeira de Paulo Afonso, Gonzaga ou a Revolução de Minas (Teatro).

Tão curta vida, tão longa obra.

Oh! Eu quero viver, beber perfumes/ na flor silvestre que embalsama os ares
(...)
Mas uma voz responde-me sombria:/ Terá o sono sobre na lájea fria
(...)
E eu morro, ó, Deus! Na aurora da existência/ Quando a sede e o desejo em nós palpita...
(...)
Adeus! Arrasta-me uma voz sombria/  Já me foge a razão na noite fria!”

(Mocidade e Morte)

Disse Castro Alves, antes de fechar os olhos, para sempre:

Cubram-me de flores e fechem logo o meu caixão.”

Teria sido vaidade? Não sei. Talvez um cuidado, para que se guardasse a sua imagem de amante da vida e do amor maior. O padre Turíbio Tertuliano Fiuza deu-lhe a extrema unção.

Às 15h30m de 6 de julho de 1871, no Solar do Sodré, em Salvador (Ba), morre o Vate dos versos revolucionários, aquele que estendeu sobre os homens e mulheres negros o manto redentor da liberdade, mesmo que seja uma liberdade aparente, em forma de poesia, e o fez homenageado nos versos de uma vida inteira.

Ou quase inteira. Foi-se Eugênia. Foi-se a saúde. Foi-se também o poeta. Ficou a mensagem, ficou a Poesia!

Clique e ouça:

1) Navio Negreiros, na interpretação do autor Paulo Autran

2) Condoleiro do Amor, com Ademar Toledo e Grupo de Seresta João Vale Mauricio

(Nota: imagens e vídeos copiados da Internet)

 

Brasil Carinhoso – 06.07.2015

Prefeitura deixa repasses
federais parados em conta

 

Raimundo Marinho
Jornalista

O Município de Livramento de Nossa Senhora recebeu R$163.418,20 do governo federal, em 2014, do programa Brasil Carinhoso, dedicado à educação infantil, e só teria gasto R$47.746,49, deixando R$115.672,00 parados. Seriam para o apoio a creches.

A informação consta de matéria publicada, hoje, pelo jornal A Tarde, de Salvador, sobre todos os municípios, acrescentando que, do total repassado às prefeituras, 65% não foram gastos.

A Tarde utilizou dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), mas pinçou apenas um item. Segundo o site do FNDE, Livramento recebeu R$3,180 milhões, em 2014, e R$819,504 mil, em 2015.

Ações contempladas: alimentação escolar (R$733.892,00), construção/apoio creches (R$1.141.678,97), apoio transporte escolar (R$603.561,21), salario educação (R$1.039.003,00), alfabetização jovens/adultos (R$60.858.80), infraestrutura escolar (R$420.445,00) e PDDE (R$665,52).

Recursos parados em municípios pobres como o nosso é algo que exige total atenção, pois pode significar má gestão, principalmente quando se queixa tanto de falta de recursos.

As principais desculpas são: receio de não continuar recebendo os repasses, por isso os guardam, não inclusão nos orçamentos pela instabilidade no recebimento, falta de apoio técnico a projetos e processos licitatórios.

 

 

Artigo – 06.07.2015

Brasil- pai e padrasto

 

Por Maria do Céu Gomes de Oliveira
           maricotadoceu@bol.com.br

 

            "A sede de riqueza e poder é a mais universal causa
 de depravação de nossos sentimentos" (Adam Smith)

A figura do pai está geralmente ligada a proteção, bondade, ternura e carinho. Já a figura do padrasto representa, na maioria das vezes, o oposto.

Os nossos legisladores e defensores da lei são pródigos em legislarem em causa própria e sempre buscam defender o indefensável. O auxilio moradia para os juízes é de estremecer o túmulo de Ruy Barbosa.

Uma vergonha! Haja vista que esta já é uma classe  superprivilegiada. Sem palavras! Recentemente, o Senado Federal aprovou, na calada da noite, um reajuste de até 78,5% para os servidores do Judiciário.

As benesses que boa parcela  desses servidores recebe são inimagináveis para milhares de trabalhadores da iniciativa privada, os quais pagam impostos, justamente para manter o status quo de boa parte desses funcionários.

Além dos altos salários, recebem abonos, quinquênios, férias remuneradas, licença-prêmio, auxilio moradia e tantas outras vantagens, ditas intocáveis e com o famoso álibi de "direito adquirido".

Segundo o Ministério do Planejamento, caso a presidente não vete este absurdo, o rombo nas contas públicas será de R$26 bilhões, nos próximos quatro anos.

Enquanto o mundo  inteiro está buscando meios para reduzir custos administrativos, as nossas "excelências" estão querendo ver o mar pegar fogo para comerem "moluscos assados".
Por que os senadores não têm a mesma disposição para fazer cumprir a Constituição Federal, onde reza, no art. 7, inciso IV, que "O salário mínimo fixado  por  Lei, deve atender às necessidades vitais básicas do  trabalhador e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde e lazer.”?

Será que R$ 788,00 atendem, no momento, ao menos um daqueles itens?

É muito triste e deprimente a situação em que chegamos. São milhares de brasileiros vivendo em condições sub-humanas, buscando o sustento de suas famílias nos lixões das grandes cidades, numa batalha bestial com os abutres e ainda ver a demagogia dos nossos governantes, que levam uma vida nababesca, de que a pobreza está  sendo erradicada do Brasil.

Não precisa ir longe, em salvador, onde moro, são milhares de famílias vivendo em verdadeiros cortiços e debaixo dos viadutos. Com as últimas chuvas que caíram na cidade, pudemos constatar esta triste realidade.

Realmente, a nossa democracia está cada vez mais sendo conduzida a uma aristocracia, onde aqueles que têm poder de barganha tiram o máximo de proveito do Brasil-pai e a aqueles que não tem para quem apelar, filhos do Brasil-padrasto, só resta chorar a triste sina.

E, também, o consolo da única e verdadeira justiça, como nos lembra o provérbio italiano: "Terminada a partida, o Rei e o Peão retornam à  mesma caixa, onde ficam lado a lado".

Maria do Céu Gomes, livramentense e radicada em salvador, desde 1969

 

Centenário – 03.07.2015

Zé Bravo faria hoje 100 anos!

 

Zé Bravo e D. Maria, já na maturidade

Raimundo Marinho
Jornalista

O quotidiano é uma escola, onde uns aprendem a viver e outros nos ensinam como viver. Nesse segundo grupo, dos que dão exemplos de vida, eu incluo um personagem inesquecível da minha infância: Zé Bravo.

Ou Zé Brabo, com B, na linguagem direta do sertão, ou José Tanajura Gomes, na formalidade da certidão de nascimento. Hoje, ele completaria 100 anos de idade, se vivo fosse, claro. Morreu em 25 de dezembro de 1998.

Apesar dele povoar minhas lembranças juvenis, não sou assim tão atento. Quem me lembra do seu centenário é  sua filha Maria do Céu, a qual, em mensagem via e-mail, fala um pouco desse bravo homem sertanejo.

Inicia dizendo que nasceu no Sítio Bom Jardim de São José, na conhecida Casa da Lagoa, zona rural do hoje município de Livramento de Nossa Senhora, que não era ainda emancipado.

Filho de Valeriano Pinto Gomes e Otília Tanajura Gomes, e irmão de Maria Dolores, Antônio, Juvêncio e Mário, este falecido na adolescência. Ficou órfão ainda criança e foi criado pela tia Emídia Rosa Tanajura.

Casou-se com Maria Carolina de Lima, filha de José Raimundo de Lima e Manoela Carolina de Lima, em 21 de novembro de 1942. Tiveram 15 filhos, dois falecidos ainda criança, 30 netos e 20 bisnetos.

Os filhos: Irenalva, Josemar, Magaly, Gilvandro, Maria do Céu, Itamar, Maria do Perpétuo Socorro, Maria das Graças, Gonçalo Marcos, Maria Dolores, Valeriano, Bárbara e Lucia de Fátima, todos vivos.

Em 1992, celebraram bodas de ouro de união matrimonial, sob as bênçãos do então bispo diocesano Dom Hélio Pascoal, na Catedral de Nossa Senhora do Livramento, reunindo filhos, noras, genros, netos e uma bisneta.

Zé Bravo, em foto antiga, com a família (1966) ..Com a esposa Maria e o neto Lucas (1988)
Ainda jovem e solteiro

Alguns depoimentos

Otília Meira Gomes(sobrinha): “Era uma pessoa muito positiva. Só pensava alto e não gostava de tristeza. Ele e Tia Lia foram pessoas abençoadas, legaram para a sociedade uma linda família, pessoas dignas, inteligentes que sabem ser amigas e fraternas, que tenho como referência”.

(Consta que só estudou até o nível primário com a professora Regina, em Livramento. Mas, segundo Zio Machado, desenvolveu habilidades típicas do meio rural, como amansar cavalos e subir em árvores).

Zio Tanajura (primo): “José era muito corajoso. Desde a adolescência, mostrava ser um grande líder. Fazia cordas com palhas de bananeiras para subir nos coqueiros. Nas mangueiras, pulava de galho em galho atrás de manga madura”.

Humberto Marinho, 92 anos: “Era amigo e muito bom. A gente morava próximo, ele na Lagoa, eu nos Coqueiros. Aprontava muitas, ai o apelido de Bravo. Nas novenas, lá na Lagoa, no mês de junho, ele ficava escondido no corredor da casa e soltava busca-pé para assustar os que iam rezar”.

Diva Tanajura (sobrinha): “Uma pessoa muito generosa, eu gostava muito de visitá-lo no Riacho D'Anta. Era excelente cozinheiro. Preparava tatu assado e dizia para nós que era leitoa. Ele armava um balanço de corda para a gente brincar, no pé de umbuzeiro, ao lado da casa”.

Foi devoto fervoroso de São Gonçalo da Canabrava. Segundo Valnei Alcântara, 78 anos, fizeram a romaria juntos durante 50 anos, muitas delas debaixo de chuva e enfrentando atoleiro pelo caminho, com o pessoal da filarmônica “que nos dava força para continuar a caminhada”.

“Saíamos de madrugada, sempre a pé, mais ou menos 23 km. Parávamos para comer farofa no rio da Vereda. Zé Bravo foi o maior devoto de São Gonçalo e até colocou o nome em um dos filhos de Gonçalo”, disse Valnei.

Brincalhão e prestativo

Quando adolescente, era um Dom Ruan, não perdia uma festa na redondeza, e fazia muito sucesso entre as garotas. Paquerador incorrigível, apresentava-se sempre bem vestido e no seu belo cavalo alazão.

Sua foto mais recente (1998) ...Nas Bodas de Ouro matrimoniais (1991)

Sua marca registrada, porém, era ser brincalhão, prestativo e generoso. Percorria longas distâncias, muitas vezes a pé, para aplicar injeção, auxiliar em partos ou qualquer outro pedido de socorro.

Essa é a minha lembrança mais forte. A pedido do meu pai, sempre que precisava, ele ia do Riacho Danta ao Rego Grande, ao casebre onde nós morávamos, para aplicar injeção em minha mãe.

Eu adorava aquelas visitas, só para observar a esterilização da seringa e da agulha, em água fervendo no fogo acendido no álcool, usando suporte que havia no próprio estojo onde os petrechos eram guardados.

Viveu na época de intensas discriminações raciais e sociais, mas ele não via essas diferenças. Segundo Rosalina Santos, filha de Candombá e Mariana, afrodescendentes empregados da fazenda: “Ele era uma pessoa muito boa e generosa e gostava de brincar com todos, sem distinção”.

Para outros tantos, era também um endiabrado e destemido. E foi por isso que, segundo Zio Machado, o major dos Coqueiros, Rafael Tanajura, o teria apelidado de Zé Brabo.

Leia, a seguir a homenagem que lhe prestou o professor e escritor Mozart Tanajura, no jornal Tribuna do Sertão, da cidade de Brumado, Bahia:

Elegia para Zé Bravo

(Mozart Tanajura)

 

Apagou-se a chama
Da mocidade em flor.
Secaram-se as águas.
Para trás tudo ficou.
Não mais, no vale,
Cachearam os arrozais.
E em bandos, chilreando,
Voaram os pássaros.
Riacho D'Anta acabou.
Não mais cavalos a galopar
E, na estrada do Rego Grande,


Poeira a levantar.
Tua bravura ficou mansa
Nos transes da tua vida.
E no coração dos teus filhos.
Partiu-se o raio da esperança
Nos teus olhos, tantos brilhos,
Névoa engastada ficou.
A Estrela Dalva sozinha
Já não tem mais halo,
Caminha sem a tua companhia.
Pelas veredas de São Gonçalo.

(In Tribuna do Sertão, 08.01.1999)

 

 

Artigo – 02.07.2015

Independência da Bahia,
uma luta, também, feminina!

 

Por Márcia Oliveira

Joana Angélica, Maria Felipa e Maria Quitéria: matriarcas da independência da Bahia

Muito se fala sobre a Independência da Bahia, ocorrida aos 2 de julho de 1823. Impossível não se divulgar com veemência os nomes das heroínas Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa.

Não são somente nomes de mulheres. São mulheres-musas da História do Brasil que, em pleno século XIX, assumiram papeis um tanto distantes da submissão familiar e abriram o peito e a alma em defesa do seu país, da sua raça e do seu Deus!

Sóror Joana Angélica de Jesus foi, tanto mártir como heroína, diante de uma luta sangrenta, liderada pelo governador português Madeira de Melo, para combater aqueles que lutavam pela liberdade do nosso Brasil.

Sóror Joana Angélica foi assassinada no convento

Os portugueses invadiram o Forte de São Pedro, em Salvador, onde estavam alojados os combatentes baianos e estes se espalharam por toda a cidade. Os militares, suspeitando que  muitos deles estariam escondidos  no  Convento da Lapa,  o invadiram.

A abadessa Joana Angélica orienta as freiras a fugirem pelos fundos do alojamento e atrai para si a responsabilidade de defender o convento e tenta impedir a entrada das tropas, colocando-se na frente dos soldados: “Para trás bárbaros. Respeitem a casa de Deus! Ninguém entrará aqui, a menos que passem por cima do meu cadáver!”.

Então, sem titubeio, uma baioneta é cravada em seu peito. Defensora da sua fé, honrando o Convento da Lapa e o seu Deus, a Mártir da Independência da Bahia, até então enclausurada, ainda consegue dar alguns passos, antes de cair, em frente à imagem do Sagrado Coração de Jesus, onde dá seu último suspiro. Era o dia 19 de fevereiro de 1822.

Maria Quitéria de Jesus, ou simplesmente Soldado Medeiros. Essa mulher, muito adiante do seu tempo, trazia no seu íntimo o patriotismo arrebatador, tão bem estimulado e apoiado por seus pais. Alimentava em si o desejo de aprender a montar, caçar e usar armas de fogo, e assim o fez.

Atributos que, mais tarde, valeriam para defender nossa pátria, especialmente a Bahia. Foi a primeira mulher a integrar uma unidade militar em nosso país. É considerada a “Joana D’Arc Brasileira”.

Sem aprovação do pai para lutar no Batalhão Voluntário do Príncipe, o popular Batalhão dos Periquitos, assim chamado por causa do punho e gola verdes no uniforme, comandado pelo major José Antônio da Silva Castro, avô do grande poeta baiano Castro Alves, ela fugiu de casa e pediu apoio ao cunhado, José Cordeiro de Medeiros.

Além de ajudá-la, o cunhado emprestou-lhe o sobrenome Medeiros. Então, ela cortou os cabelos, vestiu-se como um soldado e partiu para vários combates, como as lutas em defesa da Ilha de Maré, da Pituba, da Barra do Paraguaçu e de Itapuã.  Passou a ser o “Soldado Medeiros”.

No dia 2 de julho de 1823, quando o exército entrou em Salvador, Maria Quitéria foi saudada e homenageada pelo povo baiano. Esta simples sertaneja recebeu das mãos do Imperador Dom Pedro I as honras de Primeiro Cadete, o soldo de Alferes-de-Linha e as comendas da Ordem Imperial e do Cruzeiro, por seu brilhante desempenho e heroísmo na batalha pela Independência da Bahia.

Monumento a Maria Quitéria, em Salvador, Bahia

Tempos depois, o Imperador D. Pedro I envia uma carta ao pai de Maria Quitéria pedindo a ele que a perdoasse pela desobediência. Ela casou-se com o lavrador Gabriel Brito, um antigo namorado. Dessa união, nasceu a filha Luiza Maria da Conceição.

A “Insigne Patriota e Heroína da Independência do Brasil” morreu aos 61 anos, sem honrarias, em pleno anonimato. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, no bairro de Nazaré, em Salvador.

Joana Angélica e Maria Quitéria, ante a grande contribuição que legaram à história da Bahia, quiçá do Brasil, são nomes citados, ainda que parcamente, em alguns livros de História.

Mas há outra heroína que sequer é lembrada, que é Maria Felipa de Oliveira. Segundo a historiadora e professora Eny de Vasconcelos, Maria Felipa ficou no anonimato porque, além de mulher, era negra e pobre. Foi injustiçada.

Só depois de muitos anos, através do resgate histórico sobre sua enorme participação na saga da Independência da Bahia, é que foi minimamente lembrada e atualmente homenageada, não no desfile oficial do Sete de Setembro, mas no Grito dos Excluídos.

Maria Felipa, negra forte, usava saias rodadas, turbante, capoeirista, descendente de africanos sudaneses, era uma mulher atraente, destemida e sabia porque veio ao mundo, especialmente, porque nasceu na Ilha de Itaparica.

O historiador Osório Pimentel, avô do escritor João Ubaldo Ribeiro, foi o primeiro a levantar estudo sobre ela e, logo depois, seu neto Ubaldo a homenageia no livro Viva o Povo Brasileiro, com a personagem Maria da Fé.

A Matriarca da Independência, ou “Heroína Negra de Itaparica”, epítetos recebidos com louvor pelos feitos em defesa da nossa pátria, liderou um grupo de mulheres que, ao avistar embarcações portuguesas nas imediações da ilha, as incendiaram.

Maria Felipa, heroína negra injustiçada pela História

Antes, porém, seduziram a maioria dos soldados e seus comandantes. Depois de deixá-los muito animados, tiraram suas roupas e os surraram com espinhosos galhos de cansanção.

Maria Felipa de Oliveira, admirada pelo povo de Itaparica, continuou sua vida de marisqueira e capoeirista por muitos anos. Faleceu no dia 4 de janeiro de 1873.

O tempo passou, a história ficou. Homens são aclamados por demais. Não podemos é deixar que mulheres guerreiras, heroínas e até mesmo mártires que lutaram, deram o melhor de si pelo nosso país varonil, pela nossa Bahia de Todos os Santos e de tantos credos sejam apenas sutilmente mencionadas.

Elas têm que ser seriamente estudadas, homenageadas, não só nas escolas baianas, mas em todas as instituições educacionais do Brasil, para que não tenhamos somente como exemplos de “mulheres” Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Xuxa, a Valesca Popozuda, esta alcunhada de “grande filósofa”.

Beijinho no ombro, as invejosas de plantão que me desculpem, mas é preciso conhecer mais a trajetória de vida das mulheres que protagonizaram a verdadeira história da nossa Bahia, do nosso Brasil.

Enquanto isso rendemos homenagens a elas, incansáveis lutadoras na defesa de seus ideais: Joana Angélica, Maria Quitéria, Maria Felipa, Irmã Dulce, Ana Neri, Maria e Marias que viveram e fizeram a História da nossa hoje dançante e cantante Bahia!

“Brilha o sol ao dois de julho/ Brilha mais, brilha mais que no primeiro/ É sinal, é sinal que nesse dia/ Até o sol, até o sol é brasileiro (...)”.

Imagens copiadas da internet via Google

 

Contra a crueldade – 01.07.2015

(Transcrito de: http://www.veggo.co/papa-francisco-faz-apelo-nao-e-digno-causar-sofrimento-aos-animais/)

Papa Francisco: “Não é digno
causar sofrimento aos animais”

 

“Sujeitar os animais ao sofrimento e à morte desnecessária não é digno de um ser humano”, acrescentou.

Sempre com discursos sóbrios, profundos e sábios, o Papa tem o talento de abordar assuntos crônicos com delicadeza e imponência e que servem de exemplo para todos, católicos e não católicos.

Recentemente, o Papa Francisco deu uma série de depoimentos com alto teor de preocupação em relação a mudanças que precisamos fazer para não entrarmos, em breve, em uma situação de colapso ambiental e social.

Felizmente, a questão da ética com os animais não poderia ficar de fora. O Papa demonstra reconhecer que a forma como tratamos os animais e o meio ambiente reflete na forma como tratamos uns aos outros.
 
Seu discurso inspirador é importantíssimo mas leva um confronto de ideologias iminente com políticos e líderes (majoritariamente católicos) que sancionam leis que permitem práticas de extrema tortura de abate dos animais para as mais variadas vaidades do consumo humano.

O Papa Francisco vem quebrando paradigmas e tabus na igreja, mostrando que é preciso revermos alguns valores para não ficarmos acorrentados a práticas e valores ultrapassados.

A tortura e a covardia não têm mais lugar em um mundo civilizado e que deve zelar pela compaixão e pelo bem-estar comum.

É importante sabermos que noventa e oito por cento de todos os animais de abate estão em ambientes de produção industrial e vivem, desde o momento em que nascem, em condições absolutamente inaceitáveis para qualquer nível de dignidade humana. Mesmo os outros dois por cento deles, que somam mais de 1 bilhão de animais, também passam por momentos de total desespero no momento da morte.

Estamos sujeitando animais inteligentíssimos e muito sensíveis a vidas inteiras de escuridão, solidão, mau cheiro, tortura, violência, pânico e covardia. Qual a justificativa?

Essa indústria ocupa um terço de toda área descongelada do planeta e sujeita 70 bilhões de animais por ano a sofrimentos absolutamente desnecessários. E nós não enxergamos nada disso.

Abaixo, um curto vídeo de 60 segundos que mostra um pouquinho do que os animais passam para chegarem até os supermercados em forma de produtos. (clique aqui para ver)